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Aldeias do Xisto: Os melhores restaurantes para lembrar os sabores da avó

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Quando o frio começa a apertar, a aldeia ganha renovado encanto: No ar o aroma da lareira acesa que aconchega dias e serão íntimos; No olhar as mil cores de outono que se multiplicam muito para além do verde; na mão, as texturas outonais, ásperas e húmidas da floresta e, mais importante - e o que hoje nos traz à terra - no palato, os mil sabores reconfortantes que nos fazem viajar no tempo até à casa da avó. Hoje vamos comer à aldeia?

Casa Ti’Augusta
Estamos em território da rede das Aldeias do Xisto e na aldeia de Figueira em Proença-a-Nova, ordena a tradição, sinónimo de homenagem aos costumes ancestrais que quase se perderam. Dedicado a preservar e divulgar os sabores da região, o restaurante Casa Ti’ Augusta foi como uma tábua de salvação para a pequena aldeia, graças às romarias de fim de semana, atraídas pela boa comida, e que começaram a ser habituais. O afogado da boda, um prato com carne de cabra estufada, obrigatório antigamente nos casamentos da terra, o plangaio, um enchido de ossos com farinheira, acompanhado com couves, e o cabrito assado no forno (apenas ao domingo) são os grandes destaques da ementa. Por reserva também servem durante a semana. Preço médio: €15.
Aldeia de Figueira, Proença-a-Nova. Tel. 965099711


Sabores da Aldeia
Sempre que o frio aperta lá fora, o calor da lareira ganha ainda mais encanto neste restaurante onde a tradição está por todo o lado, como a pedra e as madeiras e, claro, no que chega à mesa. Nos dias frios, fecha-se a porta do Sabores da Aldeia para que o calor da lareira possa dar conforto à sala rústica. Por estar aberto apenas ao fim de semana, o ideal é reservar e encomendar os pratos regionais (para duas pessoas) preparados por Mário Meira, com especial destaque para o cabrito assado e para o entrecosto no forno a lenha. Outros imperdíveis, com presença constante na lista, são as pataniscas, a alheira de caça e a chanfana. O talasnico é o doce da casa e encerra na perfeição o repasto. Preço médio: €15.
EN 236, Candal, Lousã. Tel. 239991393

Varanda do Casal
À entrada da Aldeia de Xisto de Casal de São Simão, a Varanda do Casal goza de um incrível enquadramento verde que, como por milagre, escapou aos últimos incêndios na região. Desta varanda aprecia-se a paisagem resiliente e testemunha-se a perseverança e amor da família que gere o restaurante nesta região. O pão, feito em forno a lenha, ajuda a perfumar a sala com o aroma caseiro. À mesa vão chegando os excelentes enchidos, como a “cachola da matança” de um produtor local. Cogumelos silvestres, cabrito assado com castanhas, borrego dos casamentos ou vitela no tacho são boas opções, bem como o inesperado caril de gambas. Preço médio: €15.
Casal de São Simão, Figueiró dos Vinhos. Tel. 236628304

Adega Típica da Pena
A vista é de cortar a respiração, tal como a estrada íngreme para chegar a esta Aldeia de Xisto: Chegar até aqui é uma aventura que vale por si só. Se depois desta viagem no espaço e no tempo for brindado com uma cozinha que, como tudo à sua volta nesta aldeia típica onde atualmente residem apenas sete habitantes que respeita as tradições, o resultado é uma experiência única. Do grelhador da Adega Típica da Pena saem as especialidades e às carnes junta-se o arroz com feijão em tacho de barro. Por encomenda, há arroz de cabidela e vitela ou cabrito assado em forno de lenha, onde se coze a broa de milho. Se o tempo ajudar, desfrute da aprazível esplanada. Preço médio: €15.
Aldeia da Pena, São Pedro do Sul. Tel. 926 549 388


D. Sesnando
A tradição serrana serve-se à mesa do restaurante D. Sesnando com pratos cheios de sabor. Nesta casa há empenho em utilizar produtos típicos, muitos deles em combinações improváveis, mas sempre com bons resultados. Apesar de Penela ser uma terra de cabrito assado no forno, que serve como ninguém com batatas e grelos e que já valeu prémios à casa, há outros pratos tradicionais que vale a pena saborear como o bacalhau servido na telha ou à Dona Minda, a chanfana e ainda o bucho regional. Quem gosta de sabores mais intensos não pode deixar de provar o javali. Quando chegam as sobremesas, a escolha só pode ser a do Queijo Rabaçal gratinado com mel. Preço médio: €15.
Praça da República, Penela. Tel. 239561207

Adega dos Apalaches
Em primeiro lugar cabe esclarecer o nome do restaurante, resgatado à história da alegada presença, há muitos séculos atrás, de Apalaches na região desta Aldeia do Xisto. Também regressa ao passado a gastronomia praticada na Adega dos Apalaches: A comida recupera receitas antigas, onde o que verdadeiramente importa são os sabores. Os tachos vão à mesa sem cerimónias, mas há pratos de partilha, a maior parte deles feitos no forno a lenha. Todos os dias a ementa muda, e ao fim de semana, à noite, há um variado rodízio de petiscos, fiéis ao receituário e produtos da Beira. Preço médio: €15.
Rua Senhora das Neves, Oleiros. Tel. 272654257


Museu da Chanfana
Miranda do Corvo quer ser “Capital da Chanfana” e o restaurante Museu da Chanfana o seu anfitrião mor. É que aqui, em pleno Parque Biológico da Serra da Lousã, presta-se a devida homenagem à tradicional receita. Este é o favorito da ementa, mas há diversas outras propostas regionais, como a sopa de casamento, feita com o molho da chanfana, mas também negalhos, cabrito no forno ou bucho. Prove o Queijo Rabaçal e a nabada de amêndoa, um doce conventual único que só é aqui servido, originário do Mosteiro de Santa Maria de Semide. Preço médio: €20.
Parque Biológico da Serra da Lousã, Quinta da Paiva, Miranda do Corvo. Tel. 239538445

Santo Amaro
Há mais de 40 anos que este restaurante se dedica a servir a tradicional gastronomia beirã. Desde 1975 que o restaurante Santo Amaro preserva a gastronomia local, insistindo na apresentação de pratos que levam à mesa a tradição, não permitindo que especialidades intemporais como o Bucho ou os Maranhos alguma vez desapareçam. Comece a refeição com uma sopa de peixe, diversas vezes premiada. Siga, por exemplo, pelo cabrito assado no forno e alguma inovação como no caso do frango com molho de frutos silvestres. Termine pela doçaria regional onde se destaca a tigelada beirã. Preço médio: €15.
Rua dos Bombeiros Voluntários, Sertã. Tel. 274604115

Ponte Velha
Também na Sertã, em pleno território de xisto, este é provavelmente o melhor sítio possível para fazer uma refeição descansada. É que o restaurante Ponte Velha situa-se em pleno jardim, junto ao ribeiro que atravessa a localidade. A localização oferece a tranquilidade de um sossego retemperador mas também agradáveis vistas. A tudo isto se acrescenta o conforto da comida regional, com alguns clássicos, servidos de forma esmerada neste restaurante com pergaminhos na região. Casa de maranho e de bucho, serve um delicioso cabrito estonado e também a afamada sopa de peixe da Dona Helena, que já arrecadou vários prémios. A melhor forma de terminar a refeição é com um dos bons doces regionais. Preço médio: €15.
Alameda da Carvalha, Sertã. Tel. 274600160

O Buke
Aliar a cozinha contemporânea à tradição é a missão de Flávio Silva, um cozinheiro de mão-cheia que conseguiu, em poucos anos, tornar a localidade onde decidiu trabalhar como destino gastronómico da região. O chefe do restaurante do Villa Pampilhosa Hotel recupera receitas antigas que, com criatividade e dedicação, se tornam surpreendentes propostas inovadoras. No centro das atenções gastronómicas de toda a região já estão pratos como o bacalhau com puré de batata-doce, puré de brócolos, folha de sal, presunto e azeite desidratado, para já, o símbolo maior de uma criatividade em crescendo. Preço médio: €20. Villa Pampilhosa Hotel, Rua Arlindo de Almeida Esteves, Lote 8 E, Pampilhosa da Serra. Tel. 235590010

Este texto foi originalmente escrito para a edição do Expresso Diário de dia 22 de novembro de 2018.

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