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Esplanar, o verbo preferido do renovado Sociedade da Parede

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SMUP poderia ser a sigla de uma qualquer sociedade secreta. Mas, desenganem-se os adoradores de enigmas e os amantes de teorias da conspiração. SMUP significa, tão simplesmente, Sociedade Musical União Paredense. Ora, é mesmo ao lado da SMUP que nasceu, em 2014, o restaurante Sociedade da Parede, por onde passou Leopoldo Garcia Calhau. Em 2016, uma nova gerência assumiu a liderança deste pequeno restaurante, localizado numa zona calma da Parede.

Por estes dias, a esplanada é local obrigatório para um almoço, um final tarde petisqueiro ou para um jantar de partilha, conversa e boa música, um dos pilares distintivos da oferta da casa, a cargo de um dos sócios, Pedro Costa, que expõe muitos vinis na zona interior do restaurante, e seleciona, a dedo, a banda sonora, que “vai das Work Songs americanas aos Blues, do Swing das Big Bands dos anos de 1930, ao Rock and Roll de Elvis Presley, Bob Dylan, dos Rolling Stones a Fela Kuti passando por Duke Ellington, Bach, Tito Puente, Tom Waits e Led Zeppelin.”

Na cozinha está agora Carlos Malato que aposta na frescura e qualidade dos ingredientes usados, do polvo de Cascais ao bacalhau norueguês, e numa ementa apoiada em diversas receitas tradicionais, acrescentando-lhe sempre um toque atual e muita paixão. As sobremesas merecem sempre um carinho e tratamento especiais, ou não tivesse sido Carlos Malato, conjuntamente com o gémeo Rui, os responsáveis pelo renascer dos Palitos do Marquês, uma derivação dos chamados “biscoitos das naus” de origem inglesa, trazidos para Portugal pelo Marquês de Pombal e que ganharam raízes em Oeiras. Mas, antes dos doces, apresentem-se as principais apostas do restaurante Sociedade da Parede para a época quente.

E, como esplanar é o verbo a conjugar, o melhor é conhecer a oferta de petiscos servidos a partir das 15h30. As Pipocas do Mar, uma cortesia da casa, são obrigatórias, até porque aceleram a escolha das bebidas (existem cocktails do dia, cerveja artesanal e vinhos de pequenos produtores). Trata-se de peles de bacalhau fritas e muito crocantes, com intenso sabor a mar salgado. Depois, em regime de partilha, avance para o Camarão tigre ao alhinho (€14/seis unidades), para as inusitadas, mas muito saborosas Migas de mexilhões em Sociedade (€6), para a Moelinha de galinha (€4) e para o Ninho de codorniz, em que a alheira de Mirandela é casada com um pequeno ovo cozido.

Nas entradas clássicas, que contas feitas, também podem ser olhadas e provadas como petiscos, a carta do Sociedade da Parede destacam-se os Cogumelos salteados (€5,50), que são confecionados com vinho generoso de Carcavelos (Villa d’Oeiras), escolha que merece aplauso pela ligação sempre bem-vinda entre cozinha e território, e o Polvo crocante (€10,50), oriundo de Cascais, aqui apresentado em pedaços gulosos. Outras opções, quase obrigatórias, são os Croquetes da Sociedade (€2,90/duas unidades) e as Chamuças Goesas (€2,90/duas unidades), que celebram a ascendência do chefe Carlos Malato, que a propósito promete para os dias frios, uma ementa muito apoiada em clássicos dos vários países de língua ou forte influência portuguesa. Nos dias mais quentes refresque-se com o Gaspacho Algarvio ou com o Creme de tomate à Sociedade (€3), servido com gema de ovo e manjericão.

“Do Mar” ou “Do Campo”, a emente desenhada por Carlos Malato revela o gosto pelos pratos de bacalhau “genuíno da Noruega, de qualidade superior, disponível em quantidade limitada, selecionado e preparado de forma artesanal e curado durante nove meses, apenas com sal”: Bacalhau à Brás da Armada (€12,50), Lombo de bacalhau confitado e com feijão-frade e broa de milho (€15) e Espetadas de cachaço de bacalhau (€14), que se a grelha ajudar, apresenta a parte mais suculenta e saborosa do fiel amigo. Mais terrenos, conte com Tártaro de novilho, Pato confitado, com redução de cerveja e arroz de forno (€12,50) e o clássico e famoso Bife à Sociedade (€16), esse sim, o único e grande elemento secreto desta casa, graças ao molho, cuja receita está guardada a sete chaves. Como “Sociedade” moderna e com desejo de todos servir, a carta de almoços e jantares também apresenta várias opções “Verdes da Quinta”, do Hambúrguer vegetariano (€8) à Salada de Quinoa (€9).

Para o final guardam-se as sobremesas, um território de paixão extra para o chefe do Sociedade da Parede, e que justificam a utilização do chavão: sobremesas tentadoras! Leite-creme Bento da Maia, que reflete a receita original, datada de 1903, Ovos-moles de Aveiro, a partir da receita tradicional, mas servidos num shot, Arroz Doce, Torta de laranja e Pera Bêbada (€4), em Moscatel, servida com gelado de baunilha. O restaurante Sociedade da Parede (Rua Marquês de Pombal, 319, Parede. Tel. 212491972).

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