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Trufas de queijo de cabra e risotto? Sim, na Herdade da Urgueira

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De Castelo Branco a Vila Velha de Ródão são 30 minutos de distância e há quem os faça de propósito pelo carré de borrego que é servido no restaurante da Herdade da Urgueira. O autor, o chefe João Mateus, faz questão de apresentá-lo - o borrego - com um orgulho tremendo e é certeiro quando diz que é a especialidade da casa e o motivos das romarias à pequena aldeia de Perais, em Vila Velha de Ródão.

Assumiu o comando da cozinha do restaurante em 2016, desde o primeiro dia em que abriu ao público. Tinha o posto prometido pelo proprietário, Carlos Lourenço, ainda a Herdade da Urgueira era um projeto em papel, um sonho antigo de um empresário que começou por ser agricultor e que hoje se dedica, para além da gestão do olivoturismo, à produção de azeite, azeitonas e queijos.
São eles, aliás, que inauguram a mesa do restaurante, numa espécie de montra regional para dar a conhecer os produtos locais. Depois, coube a João Mateus transformar a matéria-prima numa ementa que se apresenta surpreendentemente rica pela variedade de sabores, sempre com respeito pelo receituário da terra. Admite que gerir um restaurante fora do circuito das grandes cidades não foi fácil no início e foi graças ao boca a boca que de repente passou a ter casa cheia quase todos os dias da semana - os fins de semana são uma alegria, com as paredes móveis da sala a abrirem-se para receber as enchentes.

Para entreter e para guardar na memória, as trufas de queijo de cabra com risotto cremoso são obrigatórias. Trata-se de uma espécie de casamento feliz entre um croquete redondo e um supli italiano, aqui apresentado numa versão bastante mais generosa e crocante. A seguir, e que não haja sequer discussão sobre o assunto, continua-se o repasto com o carré de borrego (€18), feito como manda a tradição mas com uma apresentação mais apurada.
Apesar de o mar não estar perto, está garantido na carta um bacalhau fresco confitado baixa temperatura com o azeite da casa (€14). Teria sido mais fácil optar pelo tradicional salgado, mas não tinha o mesmo impacto. Para isso, João Mateus encontrou um fornecedor seguro, dos que nunca falham, e que garante as entregas diárias a tempo e horas.
A refeição termina invariavelmente com a panacota com frutos vermelhos (€4) que está longe de ser parecida com qualquer outra pelo simples facto de que à mistura são adicionadas duas colheres do queijo cardo. Em alternativa aos doces, há tábuas de queijo apresentadas como sobremesa. Tudo da marca Lourenço, a da casa, como faz sentido.
No fim tentámos convencer João Mateus a alargar o ramo de negócio aos congelados com as trufas de queijo e risotto. A pessoa encomendava meia dúzia, levava para casa e fazia um brilharete nos jantares de família com uma entrada inusitada. Mas ainda não foi desta. Em compensação, e porque o chefe é muito boa pessoa, trouxemos um farnel com quatro exemplares… que devoramos em cinco minutos.

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