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Refeitório do Senhor Abel: pizzas e cocktails de autor em Marvila

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Refeitório do Senhor Abe

by-artur.com

Assuma-se: o mediático chefe Chakall foi um visionário e mudou-se para Marvila no início de 2016 com o restaurante argentino (e social club, como o próprio faz questão de lembrar) El Bulo.

Durante um ano namorou o espaço da porta ao lado, que em tempos funcionou como sede da Sociedade Comercial Abel Pereira da Silva, um dos maiores comerciantes de Lisboa, dono de uma cadeia de mercearias de bairro espalhadas pela cidade. No edifício, que entretanto esteve ao abandono quase 30 anos, funcionavam uma taberna, os escritórios e o refeitório da sociedade. Dois pisos de traça antiga industrial, grandes janelas rasgadas para a rua e um é direito daqueles que já não se fazem. Dizer-se que a sede do “Senhor Abel” é um dos marcos da paisagem do bairro não será exagero, acrescentar-se que era preciso que lá renascesse algum negócio que honrasse a antiga atividade, também não!

Chakall viu potencial onde outros terão visto um “armazém em mau estado” e decidiu que ali faria nascer o seu próximo projeto. Pensou numa cevicheria, mas rapidamente percebeu que não faria sentido replicar a ementa do El Bulo, logo ao lado, mas tinha na ideia que este novo espaço, ainda meio sem destino certo, mantivesse o espírito despretensioso da casa vizinha. Teria de ser um espaço de convívio com boa comida e boa bebida a acompanhar e que unisse ambos os conceitos. No caso foi Fernando Pessoa, mas já lá vamos.

Da parceria com Miguel Tojal do “Ás de Copos” e Roberto Mezzepelle, campeão europeu de pizza acrobática, nasceu o restaurante Refeitório do Senhor Abel, um italiano genuíno como haverá poucos na cidade, e o Heterónimo BAAR, que tem atrás do balcão o autor do “Melhor cocktail de 2017”. Fernando Pessoa, dizíamos, foi o elo que uniu os dois conceitos, separados apenas por uma porta de correr, e explica aliás o acrónimo BAAR, que corresponde, respetivamente, às iniciais dos quatro heterónimos do escritor. Não há registos de Pessoa ter passado oficialmente por Marvila, mas sabe-se que era frequentador assíduo de uma das tabernas do Senhor Abel na Baixa de Lisboa. Foi ele, o próprio, que inspirou a ideia de uma tasca literária, onde a carta, criada por Sandro Pimenta, percorre uma lista vasta de cocktails de autor, mantendo sempre espaço aberto a improvisos do momento.

A ideia é começar a refeição por aqui e, sempre que possível, regressar depois de a terminar. Do outro lado da sala, Roberto paira entre o forno das pizzas e os sacos industriais de farinha, os cestos de tomate fresco e os vasos de aromáticas. Para além das pizzas, que são o centro da carta do restaurante Refeitório do Senhor Abel (Praça David Leandro da Silva, 5, Lisboa. Tel. 218 688 023), há pratos de mozzarella fresca, como é o caso da Burrata com trufas pretas e verdes grelhadas (€10,50) e uma secção de saladas, onde se incluem os carpaccios - o de boi, com azeite, rúcula, lima e parmesão (€12,50), é imperdível. Em casa italiana à séria, a focaccia é obrigatória à mesa, mas já deixa pouco espaço para o "primo piato", que é como quem diz a pizza. Neste departamento e em caso de dúvida será sempre boa ideia deixar-se ficar nas mãos do chefe: há quatros tipos de massa à escolha (sete cereais; massa preta de carvão vegetal; massa de curcuma e massa de cânhamo). Ficou-nos na memória a Príncipe, com molho de tomate, mozzarella, anchovas, azeitonas, cebola e oregãos (€10,50). Termina-se, claro, com o Tiramisù (€6,5), e segue-se para o BAAR, onde Sandro tem à espera um muito necessário digestivo.

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