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Tradições Gastronómicas: Uma Casa Portuguesa com certeza!

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Onde não falta pão e vinho sobre a mesa… nem os bons sabores de Portugal. Por: José Borralho, presidente da APTECE

A verdadeira história começa há 16 anos. Nascida em Esmoriz, filha de pai diplomata que fez carreira por estas terras, Maria da Silva fez da Cidade do México a sua morada e nela fundou um restaurante português - A Casa Portuguesa -, onde a par de algumas iguarias locais, como é natural, Maria apresenta um menu português… mas não só, porque nem só de comida vive a gastronomia. Experimentar a Casa Portuguesa é experimentar um pouco de Portugal, nesta zona de referência do alegre bairro de Polanco, cuja vista privilegiada lembra um qualquer jardim português, mas é apenas o Parque Lincoln. A Casa Portuguesa merece-me destaque esta semana, não apenas pela qualidade e diferenciação do seu menu, onde está presente a gastronomia portuguesa, mas por toda uma cultura portuguesa que Maria decidiu preservar e tenta transmitir a quem a visita.

O símbolo da Casa Portuguesa é, como em muitos restaurantes que encontramos em Portugal, o Galo de Barcelos e as suas cores o verde e o vermelho, naturalmente. Mas a sua utilização no caso particular não é feito em vão.

As histórias e as tradições só são preservadas se contadas e é por isso que na primeira página do menu que a Casa Portuguesa apresenta é explicado o significado e a história do Galo de Barcelos, o que logo marca a imagem de Portugal, gente de fé, justiça e boa vontade. Na página seguinte o poema de Reinaldo Ferreira, imortalizado na voz de Amália no fado “Casa Portuguesa”.

Diz o poema “Numa casa portuguesa fica bem pão e vinho sobre a mesa. E se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa com a gente. Fica bem essa franqueza. Fica bem, que o povo nunca desmente. Alegria da pobreza está nesta mesma riqueza de dar e ficar contente”… a maioria dos leitores já neste momento pensa que “lá estamos nós com o fado” e a Amália, desengane-se se pensa que neste belo exemplo que encontrei na Cidade do México, o cenário é triste e revela um Portugal triste e pessimista, perceção que encontrei na maioria dos mexicanos com que falei.

Neste espaço onde predominam réplicas fiéis dos azulejos portugueses, onde não faltam vários galos de Barcelos, há também um orgulho presente na jaleca de Maria e na indumentária dos seus empregados, todos eles locais, afirmando a identidade de Portugal. No menu são muitas as variedade nacionais encontradas: Pastéis de bacalhau, Ameijoas à "Bulhão Pato”, Polvo à portuguesa, Caldo verde, Sopa da pedra, Bacalhau de várias formas e feitios, incluindo à Brás e à Gomes de Sá, Leitão à moda da Bairrada, Cabrito no forno, Bife à portuguesa, Francesinha, Feijoada, Sardinhada, Cataplana, Arroz de pato e até o pão e o Pastel de Nata, feito pelo irmão de Maria que possui padaria e pastelaria na porta ao lado.

Foi neste espaço, onde nem o fado escapa, ou seja o desfado, que muitos criticam por ser um adultério do fado que o Pedro da Silva Martins tão bem escreveu e a Ana Moura tão bem interpreta e onde tal como A Casa Portuguesa faz inova algo na tradição, consegue contornar a ausência de produtos portugueses neste mercado e também, com produtos locais, tenta chegar aos mais parecidos sabores que temos em Portugal.

Foi neste magnifico espaço que, durante dois dias, vi repleto, fosse às 10h00 para o pequeno almoço, fosse às 13h30 para um almoço ou às 20h00 para um jantar, que Maria da Silva nos recebeu e aos empresários portugueses que estiveram presentes na Alimentaria México, assim como aos jornalistas e potenciais importadores presentes que tiveram o prazer de provar os nossos sabores e os nossos produtos.

O menu não poderia ser mais português, amêijoa à bulhão pato, executada na perfeição, saladinha de feijão frade e polvo, um caldo verde que fazia lembrar os bons sabores minhotos, um bacalhau (salgado seco) confeccionado num estilo caldeirada e com um sabor divinal, um arroz de pato que não ficava atrás do que se come em Braga e a que não faltou para terminar o belo pastel de nata e um bom licor.

Vieram complementar este menu um conjunto de produtos vindos diretamente de Portugal: um Alvarinho pouco comum de 2013 e um espumante da Quinta da Lixa; colheita seleccionada arinto e Mesa do Presidente e Miranda rosé das Caves Campelo; empadas várias da Beira Salgados; azeitonas e amêndoas da Casa Agrícola Rui Batel; azeitonas com fruta da Gutioli; paio da Maria Dias; queijos da Queijaria Almeida e outros queijos, vinhos e licor de cereja de vários produtores representados pelo Clube de produtores do Fundão.

Produtos e sabores que deixam saudade, essa palavra tão portuguesa, à Maria, mas sobretudo a incompreensão de como Portugal não consegue colocar mais produtos por estas bandas, em especial o seu azeite que como a própria diz “é o que mais falta faz para trazer maior qualidade e sabor aos seus pratos”… ou o vinho verde, cuja experiência me diz que nenhum povo o consegue nega.

Esta é uma atividade que na APTECE temos vindo a fazer, com um único objetivo: posicionar Portugal no Mundo como um exemplo de gastronomia rica e que se divide em dois sub-objetivos: motivar agentes importadores e distribuidores para darem atenção à qualidade dos nossos produtos apoiando a sua internacionalização e mostrar o potencial, a diversidade e o bem saber fazer que Portugal possui e conquistar seguidores do pais e turistas que motivados por esta autenticidade têm curiosidade por um país ainda por muitos desconhecido, na sua essência, na sua modernidade, na sua capacidade de se reinventar e onde tudo existe, mas nem tudo é triste, nem tudo é fado, mas como canta a Ana Moura “Quer o destino que eu não creia no destino e o meu fado é nem ter fado nenhum”, por isso desculpe-me o poeta mas “tudo isto existe, nada disto é triste e há que mudar o nosso fado”.

José Borralho, presidente da APTECE

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*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.