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Um quarto grátis e as outras constantes surpresas do portuense Zero Box Lodge

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©João Tuna

Às vezes há detalhes que fazem a diferença. que cortam com o habitual, marcando a diferença. O que dizer quando todo um espaço é dedicado a sublinhar o pormenor para proporcionar uma experiência diferente e até conceptual?
No Zero Box Lodge, onde os detalhes não fazem a diferença, são a diferença, assume-se logo à partida que este é “not your regular hotel” - não é, pois, um hotel convencional…
Abrir o quarto com uma welcome drink, dançar com leds enquanto sobe, chegar ao seu quarto em forma de caixa de madeira, qual ninho contemporâneo - apenas - para dormir, mergulhar num tanque, beber um copo dentro de um cofre forte, rodeado de milhões de dólares ou alimentar-se numa mesa corrida acompanhado de outros desconhecidos comensais…
Estes são apenas algumas das inusitadas experiências proporcionadas por um novo espaço que, mais do que marcar a diferença, tem a criatividade no seu adn.

De mal a melhor
Comecemos pelo piso térreo. Nesta rua central mas de algum modo resguardada do Porto, entre Santa Catarina e Sá da Bandeira, um edifício de cinco pisos que já foi um banco conserva muitos detalhes, sem preservar qualquer traço da rigidez de uma instituição bancária.
Logo no piso térreo pode ficar a conhecer esta herança, bem explícita no Big Bad Bank, o bar, aberto à cidade, bem recheado de cocktails de autor, com assinatura de João Silva, também da Pensão Amor, um dos espaços do grupo que tem no Zero o seu primeiro projeto portuense.

Punch bag (€9); Perfect Heist (€8); e Go Big or Go Home (€11) são algumas das hipóteses, que pode bebericar ao balcão, no alcatifado antigo cofre forte ou ainda rodeado de livros, na biblioteca que quer oferecer autores portugueses em todas as línguas dos seus visitantes - neste momento com uma seleção de obras de Gonçalo M. Tavares.

Aproveite para se inspirar e pensar numa ideia criativa que pode trocar por uma noite grátis no Free Room. O quarto, conceptual, logo à entrada, simula o formato caixas de madeira que vai encontrar em cada um dos 78 quartos, e pode aqui dormir gratuitamente oferecendo, em troca da sua estadia, uma abordagem artística, instalação ou contributo cultural, intervencionando aquele espaço.

Se preferir um quarto pago, saiba que nem assim a experiência será convencional. Algures entre as caixas de madeira, usadas nos países nórdicos para dormir no inverno nas partes mais quentes das casas e o conceito de hotel cápsula japonês, cada um dos 78 quartos (desde €50), todos iguais - há apenas quatro alternativas para quem sofrer de claustrofobia que são uma variação às boxes- é construído em madeira, sem janelas, e oferece as melhores condições para um sono perfeito, apurando temperatura, luz e som, num descanso possível a qualquer hora do dia.
Sem televisão ou grandes distrações além de uma boa ligação de internet, são espaços feitos para repousar.


Abra a porta com a sua cerveja fresquinha. Sim, a chave do quarto é uma garrafa de cerveja. E bebe-se. Na viagem, aprecie a dança de leds que torna mais interessante o percurso do elevador ao longo dos seis pisos.

E se no térreo dominam os tons escuros de uma abordagem mais noturna - aliás o restaurante O Carniceiro - já lá vamos - só abre ao jantar - no último piso tudo é luz e cor.

A espaçosa sala do City Club que faz as vezes de sala de pequenos almoços, é inundada de luz e música - oferecida pela juke box com uma centena de cds de músicos portuenses. Aqui também pode fazer uma refeição ligeira, com carta própria, ao longo do dia, e beber um copo. É também aqui que vive a pequena sala de cinema do espaço, para 12 espectadores que podem relaxar em pufs. Se subir mais um piso encontra o terraço. É onde ficam as ‘piscinas’ do hotel: dois tanques para refrescar enquanto aprecia as vistas a partir deste rooftop central, dotados de sistema de música para ouvir debaixo de água e ideais para quando o tempo aquecer.

Para além da carne
Numa provocação, pensando nos conceitos que abundam hoje em dia em torno da carne, mas também com pratos vegetarianos e vegan, O Carniceiro é, naturalmente, um restaurante em que esta proteína impera. Em diversos cortes - que variam e se explicam num quadro luminoso escrito à mão - as carnes assam numa grelha desenhada especificamente para este espaço, que, aliás, é o elemento central na confeção de diversos outros pratos desta carta eclética. Pode apenas petiscar ou assumir uma postura mais ‘carnívora’.

Integrado no piso térreo do Zero Box Lodge (Rua do Ateneu Comercial do Porto, 13. Tel. 227662342 ) tem na ementa, desenhada pelo chefe Hugo Dias de Castro, sabores de inspiração tradicional vestidos de forma contemporânea.
Logo no couvert (€3,5) destaca-se a Manteiga de Algas e o molho “à Portuguesa”; Tosta de Toucinho, polvo e ‘ajo blanco’ (€6,5); Corneto de maturada, mostarda e cebolas (€5); Tutano na brasa, savora e agrião (€6); À Brás de cogumelos e espargos (€5); Rabos de porco, mole de amêndoas e couve-flor (€5), a par das carnes selecionadas provenientes do baixo Mondego, Arouca e Barroso, para grelar na brasa.
Nas sobremesas, sobressai o Magnumm de amêndoas e a Espuma de Requeijão acompanhada de Gelado de Açafrão e Cardamomo.

Ah! Falta ainda referir a sauna: ao contrário dos quartos é um espaço dotado de amplas janelas e... televisão.

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