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Quinta de São Filipe: Arrábida em família

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Visitámos as duas casas da Quinta de São Filipe, perto de Setúbal, e percebemos porque este é um dos melhores alojamentos da região para passar uns dias tranquilos entre a serra e o mar.

O portão da quinta abre-se e logo me esqueço da cidade que ficou para trás, do trânsito, da azáfama de todos os dias. A cidade é Setúbal e a quinta é a de São Filipe, um refúgio entre a urbe, a serra e o mar. A localização é ímpar e a vista panorâmica é claramente uma das mais-valias deste espaço. Do alto da colina, situada no princípio da Serra da Arrábida, avista-se Setúbal e o seu forte de São Filipe, a Península de Troia (em dias limpos chega-se a ver Sines), o porto, as praias, os barcos, a serra, o mar. Sou recebido pelo proprietário, o empresário António Sequeira Lopes, de uma forma invulgarmente simpática e prestável. Diz-se por aí, e eu não sou exceção, que a forma como somos atendidos faz metade de uma experiência num hotel (ou restaurante, ou qualquer outra área) e o António não faz a coisa por menos. O tratamento não é “só para jornalista ver”, conforme pude confirmar nos sítios da internet da especialidade - cada vez mais um barómetro na altura da escolha de um alojamento - repletos de comentários positivos de utilizadores de todo o mundo.

O hóspede é tratado como sendo parte da sua família, apresenta os filhos (que o auxiliam nas “lides da casa”) e mostra-se prestável em todas as situações, sempre de uma forma acertadamente contida, não intrusiva, como muitas vezes sucede. António faz da quinta a sua casa também, uma quinta que pertence à família há cinco gerações. Transformou uma casa de férias raramente ocupada e já degradada, num pequeno alojamento de charme e parece ter sido bem-sucedido, já que as marcações têm sido muitas e durante todo o ano. Um dos segredos para o sucesso é precisamente a empatia criada com o cliente. Os “mimos” - quem não gosta? – começam nos bombons e uma garrafa de vinho branco da região à chegada, passando pelas mantas no sofá para as noites mais frias, as velas e lamparinas acesas no terraço e o frigorífico recheado de comes e bebes para a estada. Aqui não há luxos, mas há o essencial, com uma louvável primazia pelos produtos regionais. Não me fiz de rogado e aceitei cada um dos “mimos” de bom grado, já instalado na Casa dos Frescos. Esta é uma das duas casas da quinta para alugar e é a maior, com dois quartos, uma cozinha, uma sala e uma casa-de-banho, ideal, portanto, para famílias com um ou dois filhos ou até dois casais.

Apesar de centenária, a casa foi remodelada e o conforto não foi descurado. O mobiliário é clássico, mas funcional. Na cozinha não faltam utensílios para cozinhar e na sala há uma televisão com canais internacionais, para além de um aparelho de internet móvel, para nos lembrar que há mais mundo para além deste. Para além da Casa dos Frescos (referente às pinturas do teto), a Quinta de São Filipe tem uma casa mais pequena, chamada simplesmente Casa de Campo, com um quarto apenas, a pensar nos casais. Os preços começam nos €85 por casa e implicam uma estadia mínima de duas noites.

O jardim e o Baltazar

Depois de instalado, tempo de conhecer outras áreas da quinta. Logo percebi que o “núcleo habitacional” tem várias outras pequenas casas, algumas de serviço, outras (como o lagar) ainda à espera de renovação, já prevista segundo o proprietário. As “ruas” da quinta têm todas um nome, como a Rua Maria Manuela ou a Travessa de Nossa Senhora do Carmo, que dão um ar pitoresco à propriedade. Entrei no moinho – a estrutura mais alta da quinta – e surpreendi-me ao constatar que serve sobretudo como sala de jogos. A vista do topo é soberba e dali se percebe a dimensão considerável da quinta e o quanto ainda há para recuperar e oferecer para os hóspedes usufruírem. Do alto do moinho, avistei o jardim e a horta e decidi explorá-los.

Desci a escadaria e depressa adiei os planos. Fui conhecer o amigável burro Baltazar, o pacato vigilante da quinta, e também as cabras, que fazem certamente as delícias dos mais novos. Junto ao Jardim Penedo da Saudade há ainda um pombal e uma coelheira, cujos habitantes foram despejados para dar lugar a dois novos quartos num futuro próximo. Original sem dúvida. Desci finalmente até ao jardim principal, um conjunto de espaços verdes e hortas, com pequenos recantos românticos, múltiplos apontamentos artísticos, vários bancos para se ler um livro e algumas fontes coloridas. Alguns dos espaços não estão ainda totalmente restaurados e, com algum investimento, este grande jardim poderia ser mais uma razão para nem sair da propriedade durante a estada, oferecendo alguns dias de puro recato.

Estes pareceres foram interrompidos pela chegada da hora de jantar marcada, previamente estabelecida com o António. O jantar, não incluído no preço por noite, é combinado no dia anterior ou no próprio dia de manhã, escolhendo-se o que se pretende de um menu à carta, composto por entrada, prato principal, sobremesa e bebida. No meu cardápio estavam ovos revoltados à espanhola (€10), tagine com frango (€35 para duas pessoas), torta de laranja (€2.50) e um espumante (€18). É difícil avaliar a qualidade do conteúdo (que foi satisfatória) quando o “embrulho” janota do produto nos rouba toda a atenção. O hóspede pode contar com uma mesa impecavelmente montada no terraço da casa, com louça de manifesto bom gosto, flores, lamparinas e velas acesas ao redor da mesa e uma vista arrebatadora do pôr-do-sol. Antes de desfrutar da refeição (no meu caso uma fumegante tagine de frango – um prato tradicional marroquino), experimente pôr a tocar um dos discos de música clássica que estão na sala de estar e abra a janela mesmo atrás da mesa do terraço. Está montado o cenário para um final de tarde diferente. A noite cai e o café e o digestivo são servidos no moinho, entretanto engalanado com dezenas de velas. Outrora era o local onde os homens da família se encontravam para as noites de tertúlia. Hoje, apesar do fim mais “comercial”, ainda preserva essa aura intimista.

Pequeno almoço com vista para o mar

Após uma revigorante noite de sono, o amanhecer surge com o cheiro a pão quente, pendurado na porta da casa. Reúno alguns dos produtos que preenchem o frigorífico e ponho a mesa lá fora. Não sei escolher qual a melhor vista, se a de ontem à noite, marcada pela luz difusa e azulada, se esta da manhã, com uma luz amarela que brilha com uma intensidade inesperada. O pequeno-almoço (€7.50) é seguramente uma das bandeiras da Quinta de São Filipe, composto por frutas diversas, doces regionais e sumo de laranja acabado de fazer (pelo visitante é certo).

Depois do banquete matinal, despeço-me do António e atravesso os portões da quinta com a certeza que este é um verdadeiro achado tão perto da cidade. A ocupação quase sempre lotada, as opiniões maioritariamente positivas e os planos de expansão parecem-me dar razão. O futuro tratará de apurar verdades. Para já preciso decidir para onde sigo. Cidade, serra ou praia? Parto com a satisfação de quem sabe que as três estão a apenas dez minutos de distância.

Quinta de São Filipe
CCI 3112
2900-300 Setúbal
Tel.: 925001780
Email.: quinta.sao.filipe@gmail.com

 

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*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.