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Carvalhas Memories: A viagem de um vinho singular desde o século XIX até aos dias de hoje

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Anabela Rosas Trindade

Um vinho com quase 150 anos - raro e especial - celebra a longa história mas também o futuro da Real Companhia Velha.

Quando em 1867 decorriam as vindimas na Quinta das Carvalhas, já na altura uma importante propriedade duriense, dificilmente se imaginaria que o néctar decorrente deste trabalho resultaria num vinho lançado passados quase 150 anos.

Um néctar antigo mas que ainda assim representa apenas cerca de metade da vida útil desta que é a mais antiga empresa portuguesa, a celebrar este ano 260 anos – A Real Companhia Velha.

O Carvalhas Memories, oriundo da colheita de 1867, é conjugado com uma pequena quantidade da colheita de 1900, que lhe concede vigor e frescura. Lançado numa edição limitada a 260 garrafas numeradas, cada uma custa €2750.

A Quinta das Carvalhas é uma das mais emblemáticas do Douro, com as primeiras referências conhecidas a remontarem a 1759. Ao longo dos últimos anos diversos espaços e muros desta propriedade com cerca de 600 hectares, 120 de vinha, têm sido reabilitados, o último dos quais uma ruína onde agora é possível fazer provas e degustações, no meio da vinha e com uma incrível panorâmica sobre o Douro.
A quinta dispõe de mata, olival e ainda uma estrada privada panorâmica com acesso ao cume da montanha onde se localiza a famosa Casa Redonda. A propriedade – bem como o terroir duriense e o porquê destes vinhos únicos e inimitáveis pode ser conhecida em várias modalidades de visita (a partir de €8) mas aconselha-se vivamente a visita vintage (€20) conduzida por um dos engenheiros agrónomos da empresa, Álvaro Martinho grande conhecedor da região e das suas peculiaridades.

Viagem no tempo

É preciso recuar até meados do séc. XIX para chegar à origem deste néctar que há mais de cem anos envelhece tranquilamente nas caves da Real Companhia Velha, desde que era ainda propriedade do proeminente Miguel de Sousa Guedes.

Foram necessários 149 anos de estágio e três gerações da família Silva Reis, proprietária da empresa desde a década de 70 – do século XX - , para dar origem ao Carvalhas Memories, um vinho único com selo de autenticidade de uma empresa cujo percurso secular se confunde com a própria história do vinho do Porto.

Fundada por Alvará Régio de D. José I, El-Rei de Portugal a 10 de setembro de 1756 (a mesma data da demarcação da Região do Vinho do Porto), à Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro ou Real Companhia Velha, foi confiada a missão de estabelecer a Região Demarcada do Douro – a primeira demarcação do mundo – com o propósito de organizar o sector do Vinho do Porto e conceber a regulamentação que viria a controlar a produção e o comércio desta emblemática bebida.

Quinta do Síbio: Regresso à vida com três brancos e um tinto

Mas porque tem os olhos postos no futuro, no ano em que celebra 260 anos a Real Companhia Velha lança quatro novos vinhos, com origem na Quinta do Síbio, uma das cinco grandes propriedades da Real Companhia Velha – juntamente com a Quinta das Carvalhas, a Quinta dos Aciprestes; a Quinta de Cidrô e a Quinta do Casal da Granja. Uma propriedade de difícil acesso, tão complicado cuja terra e localização privilegiadas não foram cultivados durante décadas. Agora, desde 2000, as vinhas, de castas tradicionais durienses, voltam a marcar a paisagem ao longo de 100 hectares de vinha, entre o vale do Roncão e o planalto de Alijó.
Deste local único nascem quatro novos vinhos que acabam de chegar ao mercado:
Quinta do Síbio Samarrinho branco’ (2015), ‘Quinta do Síbio Field Blend branco’ (2015), ‘Quinta do Síbio Ananico branco’ (2015) e o ‘Síbio tinto’ (2014), este último em edição numerada e, a partir da colheita de 2016, certificado como biológico.

O Quinta do Síbio Field Blend branco 2015 é um DOC Douro que invoca a tradição da região, onde as Vinhas Velhas apresentam uma invulgar mistura de castas. Com o Viosinho como casta dominante, destacam-se ainda o Gouveio, o Rabigato o Fernão Pires e o Arinto. Custa €15.

Outro DOC Douro branco, o Quinta do Síbio Samarrinho branco 2015, é um exemplo de inovação e experimentação na Real Companhia Velha: resulta da colheita de 2013 da casta Samarrinho que deu origem ao primeiro vinho feito no mundo, com esta casta inulgar. Custa €17.

O Quinta do Síbio Ananico branco 2015 recupera o nome da parcela que dá origem a este invulgar vinho branco que estagiou em cubas 100% inox e se apresenta muito fresco e complexo, com notas frutadas e florais. Custa €15.

Com uma edição numerada limitada a 6600 garrafas, o Síbio tinto 2014 é um vinho de produção biológica, em que o terroir se expressa no seu estado mais autêntico. A viticultura de precisão alia-se a uma enologia de excelência para apresentar este blend de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Francisca e Sousão, originárias de parcelas selecionadas. Um poderoso, mas elegante DOC Douro que estagiou durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Custa €50.

A Quinta do Síbio conta uma história rica que remontará ao período da delimitação da Região Demarcada do Douro, tendo a propriedade permanecido nas mãos da mesma família até 1934, ano em que foi adquirida pela Real Companhia Velha. Com a vinha plantada em socalcos, suportados por muros tradicionais de xisto, é uma das propriedades que melhor ilustra a história duriense no que respeita à cultura e tradição, sendo possuidora de um enorme potencial vitivinícola e de uma magnífica paisagem sobre o rio Douro.

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