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Opinião

"Viagem à volta de ouriços, medronho e urtigas"

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Ouriço-do-mar/Endògenos

Jorge Simão

A opinião de Nuno Nobre, Consultor de Turismo e Gastronomia na Nuno Nobre Consultoria Lda, e um dos mentores e dinamizadores do projeto Endògenos.

Nuno Nobre

Nuno Nobre

Consultor de Turismo e Gastronomia na Nuno Nobre Consultoria Lda

A gastronomia é hoje um dos fatores chave de atração tanto para definir a competitividade dos destinos turísticos como para a promoção dos mesmos. Comer e beber faz parte da história cultural, social, ambiental e económica dos povos e seus habitantes e reflete um determinado estilo de vida nas diferentes zonas geográficas, reforçando a tradição nas áreas rurais e a modernidade nas urbanas, ancorado sempre na sua própria, identidade, cultura e tradição. Esta realidade implica uma permanente necessidade de inovar nos produtos e serviços para aumentar o seu valor acrescentado e conseguir alguma diferenciação de um determinado lugar em relação a outro. A comida local e regional, incluindo os vinhos, representa um património singular dos destinos e contribui para a competitividade geográfica dos territórios.

A gastronomia peruana continua a conquistar prémios no exterior, como exemplo. Pela quinta vez consecutiva, Perú foi eleito o melhor destino culinário do mundo nos World Travel Awards (WTA) 2016, considerados os Óscares do Turismo. A sua cozinha tradicional e contemporânea tem se destacado nos últimos anos em países como França, Japão, Itália, México entre outros, o que representa um impulso considerável do turismo gastronómico do país. A população peruana é de 31 milhões de pessoas, vivendo um terço na capital, Lima, tantos quanto em Portugal inteiro. Territórios distintos, lado a lado na riqueza de produtos endógenos, neste âmbito Portugal não fica atrás e destaca-se.

O Endògenos, projeto fundado em 2013, promove e valoriza os produtos endógenos portugueses e as suas origens, fomentando o turismo gastronómico. Este projeto leva os seus seguidores a passar por experiências multiculturais repletas de identidade, histórias, tradições e sabores peculiares esquecidos por muitos, nostálgicos para outros. Os seus mentores produzem jantares e viagens enogastronómicas apelando à curiosidade de todos que nelas participam, por exemplo, sobre a alimentação e reprodução de ouriços-do-mar e porque outrora Ericeira se chamava Ouriceira, como se cozinha medronho e qual a razão do aumento exponencial de cultivo ordenado de medronheiro na região centro qualificando-o como um fruto, ou porque será que a urtiga fresca faz comichão e confeccionada é uma erva daninha com tantos benefícios, ou qual a razão das algas serem um alimento de futuro, ou até porque o galo capão de Freamunde é capado, entre tantas outras descobertas e histórias.

Desde 2013, o Endògenos contribui para o aumento do turismo gastronómico e este ano reforça a sua atividade. Continuará a ser um espaço agregador aberto a todos, desafiando produtores, cozinheiros, investigadores, universidades e outros agentes de turismo e gastronomia a promover e valorizar a Bolota, Lampreia, Urtiga, Alperce, Carne de caça, Tremoço, Ouriço-do-mar, Medronho, Grão de Bico Preto, Zimbro, Javali, Peixe Aranha, Boga, Peixes do rio, entre outros produtos endógenos para comer e viajar por Portugal.

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