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Opinião

"FUCP: Frente Unida da Cozinha Portuguesa"

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Prato de João Rodrigues

paulo barata

Em Portugal, com o apoio das marcas nacionais, não será certamente difícil criar uma “Frente Unida da Cozinha Portuguesa”. Ou será?

Até hoje, apenas o futebol conseguiu a proeza de unir todos os portugueses. Nem o bacalhau é tão consensual… Faz parte do nosso ADN não unir esforços em nome de um qualquer desígnio. Faz parte do nosso ADN estar sempre à espera que algo (quase) divino nos una a todos. Assim, ninguém terá que ceder ou baixar o estatuto que considera ter. Mais ainda com os novos tempos que, a todo o momento, nos arrastam para exercícios de narcisismo. Serve este pobre enquadramento para perguntar o que terá de acontecer para que seja criada uma Frente Unida da Cozinha Portuguesa (o nome é indiferente e apenas serve para não usar a palavra “movimento”)? Precisaremos de um decreto governativo? Do Alto Patrocínio de Sua Excelência, o Presidente da República?

Em Portugal temos tudo! Temos os melhores produtos, temos História, temos excelentes cozinheiros e chefes de mão cheia. Somos criativos e inovadores. Só não somos unidos. E mais. Ainda sofremos de diversos complexos de inferioridade e de preconceitos diversos. Não haja dúvidas: a cozinha portuguesa é a melhor do mundo! Esqueçam-se os chavões “tradicional”, “contemporânea” ou “autor”. Nós somos bons e podemos ser melhores. Só precisamos de unir toda esta fileira para que a cozinha portuguesa ganhe o destaque que merece no mediático mundo da gastronomia planetária.

“Como passamos uma ideia do que é a cozinha portuguesa?” Esta foi uma das questões deixadas pelo chefe João Rodrigues, na primeira edição do Estrella Damm Gastronomy Congress, que decorreu recentemente em Lisboa. Antes dessa ou para que essa ideia se afirme, questão inicial é: “Como se consegue unir todo o setor?”

Independentemente das excelentes apresentações, o referido congresso foi uma “ótima desculpa” para que chefes e cozinheiros pudessem estar juntos, trocar ideias e experiências, e falar das dificuldades e das vitórias recentes. Nos próximos dias, Lisboa também recebe mais uma edição do Congresso dos Cozinheiros, outro espaço que ajuda a reforçar a ligação entre os atores da gastronomia nacional. É este o espírito que, obrigatoriamente, vai conduzir à criação da “Frente Unida da Cozinha Portuguesa”, a única forma de mostrar ao mundo que somos bons, muito bons, mesmo! Existem muitas outras iniciativas, umas mais técnicas, outras mais teóricas, mas o que falta é um evento agregador, que deixe grupos, interesses e egos à porta e que coloque todos os agentes do setor a discutir a forma de passar para o mundo a identidade da cozinha portuguesa.

O congresso organizado e patrocinado pela Estrella Damm é um pequeno exemplo. Existem muitos pelo mundo fora. Em Portugal, com o apoio das marcas nacionais, não será certamente difícil criar uma “Frente Unida da Cozinha Portuguesa”. Ou será?