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Opinião

"Mudanças e referências"

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Artigo de opinião de Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Conselho de Administração da IMPRESA, a propósito do lançamento do novo site Boa Cama Boa Mesa / Expresso.

Francisco Pinto Balsemão

Francisco Pinto Balsemão

Presidente do Conselho de Administração da IMPRESA

Desde os tempos em que, anos 60, organizei, para publicação no Diário Popular, onde então trabalhava, uma Mesa Redonda sobre Turismo, e a Censura cortou várias intervenções dos participantes (porque o turismo era algo que vinha do estrangeiro e devia ser olhado com desconfiança), até hoje, 50 anos depois, o fenómeno turístico teve uma evolução extraordinária.

A fase que atualmente vivemos baseia-se em boa parte na Internet.

Do arrendamento de casas particulares (air bnb) à utilização de transportes privados (Uber), passando pela influência das recomendações ou críticas dos utentes (TripAdvisor), ou pelos voos low cost, muita coisa mudou no modo de escolher destinos, de viajar, de estar e usufruir dos locais escolhidos.

Há, no entanto, realidades que são duráveis, para não dizer eternas no turismo. Os grandes monumentos, do Taj Mahal ao Machu Picchu, de Angkor Wat a Luxor e mesmo da Torre Eiffel à Estátua da Liberdade, não mudam, mantêm o intacto o seu poder de atração. Como também não se alterou a a sedução das cidades eternas, Roma, claro, mas também Nova Iorque, Rio de Janeiro, Paris, Londres, Veneza, Buenos Aires ou mesmo Lisboa. E não mudam os principais museus, do Met à Tate, do Prado ao Louvre. E também não mudam grandes empresas de transporte de alto nível, como as companhias áreas asiáticas, as companhias de paquetes de luxo, o Orient Express para andar de comboio, a Abercrombie & Kent como agência de viagens, a Camper & Nicholsons para alugar iates.

A informação sobre destinos, monumentos, campings, praias, montanhas, desertos, lagos, templos, museus, etc., etc. é cada vez mais profusa, mas também em muitos casos mais confusa, porque toda a gente, hoje, tem direito a ter opinião e nem sempre estará habilitado a tê-la.

Por isso, o acesso cada vez mais fácil a informação, cada vez mais heterogénea, precisa de ser temperado com o recurso, também aqui, a referências que, sabendo evoluir e aproveitar a revolução digital, mantenham a seriedade e qualidade da informação que prestam. O Guia Michelin é sem dúvida uma delas, como o serão o Lonely Planet ou o Eyewitness.

Salvaguardadas as devidas distâncias, também o Guia Boa Cama Boa Mesa tem dado provas de poder ser uma referência cada vez mais útil e necessária, ao nível de Portugal, de modo a, separar bem o trigo do joio, proporcionar diferentes opções e bons conselhos e, assim, se institucionalizar, no sentido nobre e positivo da palavra.

A digitalização torna o Boa Cama Boa Mesa mais acessível e, portanto, ainda mais indispensável.