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Santos Populares: Arraiais “fora da caixa” para celebrar a tradição

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Não vamos cometer a imprudência de chamar à lista que segue uma “alternativa” aos Santos Populares porque isso implicaria um desrespeito tremendo pela noite mais festiva de Lisboa. Há quem adore, quem goste só de ir espreitar o movimento, outros que preferem juntar amigos na varanda e tratar do assunto ali mesmo e ainda quem deteste veementemente a noite de Santo António. E vale tudo, até dizer mal. Só não vale fazer de conta que não existe.

De 12 para 13 de junho as ruas da cidade vestem-se de grinaldas, luzinhas coloridas, palcos improvisados, pés de dança ao som da concertina, fogareiros bem carregados e um cheiro a sardinha que, muito provavelmente, só desaparecerá lá para meados de setembro.
Sobre os arraiais de Lisboa, pouco há a acrescentar, a não ser que são perto de 100 e se encontram facilmente ao virar de cada esquina durante todo o mês de junho. O que propomos este ano é um programa de experiências populares que juntam gastronomia fina com comida de tacho, flutes de champanhe para intercalar com a sangria, concertos pimba com arranjos de jazz, bailes africanos para acompanhar a sardinha no pão e até um churrasco vegano. Vá sem medo, é só uma vez por ano.



Bisca dos 3: Baralha e voltar a dar na Mouraria
O que é que acontece quando se juntam dois chefes de renome e um gastrónomo profissional em sede de Santos Populares? Acontece a Bisca dos 3, um projeto pop-up em parceria com a Associação Renovar a Mouraria que entre os dias 7 e 12 de Junho traz ao Largo da Rosa uma ementa de luxo desenhada para acompanhar o arraial. Nuno Nobre, Luís Rodrigues (Rib Beef & Wine Lisboa) e Vasco Lello (Café Príncipe Real, Memmo Príncipe Real Hotel) cruzam receitas e inspirações e trazem para a rua a original trifana de porco, com cachaço, barriga e bacon, a sandes mística de queijo e presunto de vaca, meia desfeita de bacalhau assado na brasa, os passarinhos fritos, a sandes de frango à Bairrada e a famosa punheta de bacalhau. Para acrescentar, porque não podem faltar alguns clássicos do costume, há moelas, mão de vaca e sopa da pedra para acalmar espíritos mais famintos. Termina-se à maneira com uma mousse de chocolate com cheirinho. A entrada é livre.



Deixar o Pimba em Paz no Arraial do Capitólio
Arraial que se se diga arraial, tem sempre espaço para um pezinho de dança ao som do melhor pimba nacional. Ora o pimba, que de ano para ano cresce em espólio, artistas, sonoridades e rimas provocadoras, tem por costume musical seguir sempre a mesma meia dúzia de acordes, numa tradição que se quer igual na forma e variável no conteúdo. Manuela Azevedo e Bruno Nogueira deram nova vida ao estilo musical com a formação do conjunto Deixem o Pimba em Paz, com o qual revisitam os clássicos populares com novos arranjos e batidas improváveis. São eles, os que querem manter viva a tradição, que sobem a palco na primeira edição do Arraial do Capitólio, no Cineteatro Capitólio - Teatro Raul Solnado, na noite de 12 de Junho, para um concerto imprevisível que acompanha um jantar de sardinhas, caldo verde e bifanas. O aquecimento está entregue a Susana Vinagre e aos clássicos pimba do costume e a festa continua madrugada fora ao som do DJ Fernando Alvim. O bilhete custa €20 e passa a €30 com jantar sentado.

O Terraço é lindo! no Torel Palace
É uma espécie de santos itinerantes entre as salas de um palacete e um dos jardins privados mais bonitos da cidade para quem quer mais do que sardinhas e caldo verde em noite de festa. O Terraço é lindo! acontece no Terraço 23, no Torel Palace, um dos miradouros mais “instagramáveis” de Lisboa e que na noite de Santo António se veste de cores e ritmos tropicais para uma festa alternativa não só pela oferta gastronómica mas também pelo ambiente exótico. A ideia é ir andando pelas salas do hotel e aproveitar para picar um bocadinho de tudo o que vai encontrar, desde ostras e champanhe, porco no espeto, sardinhas, claro está, e as famosas bolas de Berlim com rabo de boi, um dos pratos de assinatura de Bernardo Agrela no Cave 23 e que em noite de festa estão à disposição a troco de €1. A entrada custa €10 convertíveis em comida e bebida no interior e acesso ao Afro-baile que se estende noite dentro.

Porco no espeto à porta da Comida Independente
Sardinhas não há, mas há um porco alentejano no espeto vindo diretamente da Serra de Alcoutim para a porta da Comida Independente, a nova mercearia lisboeta que dá a conhecer a origem e as caras dos produtores que contribuem para o recheio da casa. Em noite de Santo António é a vez de Rui Jerónimo, produtor do Zambujal apresentar o seu porco feliz, criado na planície, em gulosas bifanas que começam a rodar pelas 13h, a hora marcada para o arranque do arraial na Rua Cais do Tojo. Juntam-se ao cardápio os queijos e enchidos favoritos da mercearia (o chouriço está garantido), rega-se tudo com cerveja artesanal e vinho português e está feita a festa. O acesso é livre, só paga o que consumir.


Santos Veganos na Mouraria
O assunto não deixa de criar discórdia entre aqueles que defendem que a tradição dos Santos Populares é sinónimo de sardinha assada, chouriço, entremeada e febras na brasa e que tudo o resto, tudo aquilo que se apresente como “alternativa” ao costume não deve merecer a designação de arraial popular. Por aqui discordamos e acreditamos que o mundo pula e avança sempre que alguém ousa fazer diferente. É o caso do The Food Temple, o restaurante vegano da Mouraria, que este ano se lança em mais uma edição de Santos Veganos. Escondido no beco do jasmim, com umas escadinhas que têm tanto de pitorescas como de perigosas para quem já vai bem aviado nas imperiais, serve-se a partir das 18h00 de dia 12 um barbecue que dispensa proteína animal e que acompanha uma longa lista de cervejas artesanais com selo português e uma sangria com receita secreta da casa. Para quem ainda não se sente preparado para abdicar do produto tradicional dos arraiais populares, fica o convite de se juntar à festa (porque festa é sempre festa) e em caso de persistência dos sintomas de privação, pode sempre descer a rua e tratar da fome num dos bailaricos que tomam conta do bairro até ao final do mês.

Sardinhas Achadas em Arroios
Era, desde 2011, o arraial mais “cool” da Costa do Castelo mas este ano não se vai realizar no sítio do costume por imposição da Junta de Freguesia, que alega o barulho e a chatice que o próprio provoca aos turistas que invadem, perdão, pernoitam no bairro como motivo de força maior para mandar acabar com a festa. Agora que já se recompôs do choque de saber que as escadinhas da Achada vão deixar de ser o ponto de encontro em noite de santos, saiba que as Sardinhas Achadas vão continuar, agora no Campo Mártires da Pátria, entre 8 e 13 de junho. Há sardinha no pão, cerveja e vinho a copo e o programa cultural do costume sessões de cinema e documentários, concertos e performances. A festa começa pelas 19h00 e a entrada é gratuita.

Este artigo foi publicado na edição do Expresso Diário de dia 7 de junho 2018.

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