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Serra da Estrela: muito mais para descobrir para além da neve...

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Siga o roteiro Boa Cama Boa Mesa para descobrir a Serra da Estrela... com ou sem neve.

As previsões meteorológicas anunciam uma descida drástica das temperaturas já a partir de sábado. Nas terras altas, que é como quem diz acima dos 1000 metros de altitude, as mínimas podem cair para valores negativos e é esperada a queda de neve na Serra da Estrela. Apesar de haver indicações de que as estradas estarão circuláveis, é possível que à medida que vai subindo se aperceba do contrário - desde os tempos de Anthímio de Azevedo que deixou de haver “certezas absolutas” em relação à meteorologia. Se não conseguir chegar à Torre e/ou à Estância de Ski (onde poderá alugar material de neve para todos os gostos, desde trenós, boias, esquis e outros do género), há muito com que se entreter nas redondezas. Siga o roteiro Boa Cama Boa Mesa e aproveite para conhecer a tradição serrana.

Do lado da Covilhã
Ir à Serra sem aprofundar conhecimentos sobre o ex-líbris gastronómico da região é considerado um desrespeito à tradição. O Museu do Queijo, em Peraboa, na Covilhã, permite conhecer o processo de fabrico de um dos melhores queijos do mundo - sem modéstia alguma, que fazemos parte daquele grupo que defende não haver nada que supere uma sandes de presunto e queijo da Serra. Nada, mesmo. Através de um percurso multimédia conheça a arte e o engenho envolvidos no fabrico artesanal do queijo da Serra, bem como as técnicas e os utensílios utilizados ao longo dos tempos para o confecionar. No Museu é ainda possível conhecer as características do queijo de ovelha Kosher, produzido em Peraboa, segundo os preceitos da religião judaica. A Casa dos Mestres, o pequeno restaurante associado ao museu, é de paragem obrigatória para poder, finalmente, comprovar as inúmeras valências gastronómicas do Queijo da Serra, seja ao natural, em fatias gulosas, como em pratos regionais que servem de montra ao receituário tradicional serrano.

Já na subida para as Penhas da Saúde, junto ao Luna Chalés da Montanha, onde encontra bungalows panorâmicos de madeira para passar uns dias na neve num cenário que podia bem ser na Suíça, encontra um dos grandes bastiões da gastronomia serrana.

No restaurante Varanda da Estrela, a ocupar uma casa típica de pedra (geralmente escondida pela neve), as especialidades são mais que muitas e a escolha é difícil. Comida de conforto, que aquece corpo e alma e dá sustento contra o frio, como é o caso das feijocas serranas (€9), o javali com castanhas e cogumelos (€12,50) e o famoso arroz de zimbro do Ti Manel (€11). Depois, se o tempo e a digestão permitirem, faça mais uns quilómetros a subir até aos 1500 metros de altitude até encontrar o Lago do Viriato, um daqueles segredos bem guardados da Serra e que vale a pena ser visto com e sem neve.

Com passagem por Manteigas
Ao dizermos que a Serra da Estrela é um dos recursos naturais mais valioso do país é só atestarmos uma verdade científica. As Penhas Douradas são, em rigor, consideradas o lugar mais saudável de Portugal pela frescura e pureza do seu ar. Quem o diz não somos nós, é um facto comprovado desde 1880, ano em que Sousa Martins liderou uma expedição científica à Serra da Estrela para avaliar - outro facto curioso - as condições para a criação da primeira estância de neve do país. Nesse mesmo local, a 1200 metros de altitude, aproveitando as ruínas de um antigo hotel sanatório, nasceu, em 2006, a Casa das Penhas Douradas Design Hotel & Spa, pelas mãos de um casal da cidade apaixonado pela serra e que, pelo caminho, recuperou uma antiga fábrica de lanifícios em Manteigas, dando vida à Burel Factory, uma das maiores produtoras nacionais de burel (vulgarmente conhecida como a matéria-prima dos capotes de pastor), extraída a partir da lã das ovelhas bordaleiras e que é, aliás, uma das imagens de marca da decoração do hotel.

A descida (ou subida, dependendo do ponto de partida) obriga a dominar uma estrada florestal capaz de dar cabo dos nervos a qualquer condutor. Com uma inclinação que nos parece desafiar todas as leis da Física é, de facto e infelizmente, o acesso mais rápido entre a vila e o hotel. Aconselhamos, por isso, o trajeto ascendente que parte de Manteigas, com um pequeno desvio para ver o Vale Glaciar do Zêzere, o único em Portugal e que se estende por um comprimento de cerca de 13 quilómetros desde da nascente do Zêzere até à vila. Ainda em Manteigas, uma sugestão insólita: a visita ao Viveiro de Trutas onde encontra meia dúzia de tanques com exemplares que podem chegar aos 2 kg e até um espaço dedicado à truta albina, uma raridade que só se encontra aqui. Depois de tantas curvas e contracurvas, vai precisar de um fim de tarde descansado, idealmente a fazer o mínimo possível. Aproveite o lanchinho oferecido diariamente pelo hotel, termine com um gin tónico na sala da lareira e siga, depois, para a piscina interior aquecida com vista panorâmica da Serra.

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