Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Vida

Porto Santo: A ilha dourada para além da praia...

  • 333

São nove quilómetros de areia branca, embelezada, ao longe, pela falésia... As águas calmas, quentes e cristalinas, tornam a praia de Porto Santo quase obrigatória. Mas, na chamada "ilha dourada" existe muito mais para descobrir.

São nove quilómetros de praia de areia fina e branca, mar cristalino e vista deslumbrante, ainda pouco mexida pela mão humana. O cartão postal do Porto Santo, no arquipélago da Madeira, cativa, sobretudo, pela paisagem dourada e clima ameno todo o ano, que se estende a uma temperatura média da água do mar de 25 graus e que, por isso mesmo, é muito propenso ao dolce far niente. No entanto, e porque não fazer nada também cansa, há muito mais para descobrir e experimentar nos 42 quilómetros quadrados da ilha.

Se chegar ao Porto Santo a partir do Funchal, e é provável que seja esse o ponto de partida, a viagem pode ser feita no Lobo Marinho, um navio de cruzeiro com 112 metros que em pouco mais de duas horas cumpre o trajeto entre as duas cidades (preços a partir de €50). A bordo não falta entretenimento para ocupar o tempo de viagem, e aqui pode optar por ficar na esplanada a apanhar sol e, porque não, passar pelas brasas (a brisa pode dificultar a ação) ou, em alternativa, vestir a pele de explorador e ir conhecer os cantos ao barco. Entre o restaurante, os bares, a sala de cinema e a loja de recordações esgota-se o tempo sem grande esforço. Se viajar em família, deixe os mais novos entregues ao salão de jogos ou no parque infantil.

Atracado o barco, estique e alongue bem as pernas, troque os chinelos pelos ténis de caminhada e prepare-se… para subir. Subir ao Pico do Castelo é uma das experiências imperdíveis na ilha e oferece duas opções de percurso: um de 3,2 quilómetros e outro de 4,6 quilómetros, que levam respetivamente 1h30 ou 2h15 a andar. O trilho inicia-se no sítio do Moledo e sobe por um caminho florestal que passa pela base do Pico do Facho, onde é possível observar vestígios da antiga área agrícola, o trabalho de construção dos muros emparelhados e contemplar a magnífica obra humana de reflorestação da ilha. A subida culmina, precisamente no Miradouro do Canhão, de onde se avista ao fundo toda a extensão da ilha e a cidade de Vila Baleira, com as ilhas Desertas e a Madeira em pano de fundo (preço sob consulta).

Depois de calcorrear a ilha, a merecida pausa deverá bater algures pela hora de almoço, pelo que não hesite em cortar caminho em direção ao Restaurante Ponta da Calheta, onde terá à espera peixe e marisco frescos da costa atlântica, uma tradicional feijoada de polvo (o ideal para repor energia depois do esforço da subida) e uma vista de mar difícil de igualar. A mesma panorâmica que encontrará nos campos do Porto Santo Golfe, desenhados pelo mítico Severiano Ballesteros, onde uma aula de 50 minutos custa €45 e a utilização livre a partir €75, com nove buracos.

E porque uma refeição desta magnitude, partindo do princípio que optou pela sugestão que envolve feijão e polvo, pode resultar em moleza involuntária, daquela chata que lá vai vacilando entre bocejos e olhos pesados, o melhor é estender-se e aproveitar para tratar da saúde. São já conhecidas as propriedades curativas da areia do Porto Santo no tratamento de doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. A ciência, aliás, encarregou-se de provar que a sua composição rica em carbono, magnésio, enxofre e estrôncio atua como anti-inflamatório natural quando aplicada diretamente sobre a pele.

No fundo, é fazer aquilo que todos já teriam feito pelo menos uma vez na vida (enterrar um primo na areia ou rebolar nela depois de um banho de mar) mas com orientação profissional. A Psamoterapia, nome complicado para um processo relativamente simples, pode ser encontrada no SPA do Vila Baleira Resort, onde o “paciente” é convidado a mergulhar, durante cerca de meia hora, numa cama de areia aquecida a 40 graus. Durante o processo, a areia dissolve-se na pele libertando os minerais essenciais através do contacto com o suor (€90 por sessão).

Chegado o final da tarde, a sensação de missão cumprida deve vir acompanhada de um docinho regional. Não, não falamos do famoso bolo do caco nem das queijadas da Madeira, antes de uma sugestão que ganhou fama fora do circuito gastronómico tradicional e que é uma das atividades obrigatórias no Porto Santo: as Lambecas, um gelado de máquina servido em cone de bolacha. O negócio tem mais de meio século e orgulha-se de ir renovando sabores à vontade do freguês, tendo já 16 à escolha. “Vai uma lambeca?”, é assim que se diz por lá.

O Boa Cama Boa Mesa viajou até ao arquipélago da Madeira com o apoio da Associação de Promoção da Madeira.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook, no Instagram e no Twitter!