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Renascer das cinzas: Pedrógão Grande convida ao turismo

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Ajudar as vítimas do grande incêndio de Pedrógão Grande e concelhos vizinhos passa também pelo turismo. Visitar a região afetada é um forma de dar alento e de contribuir para dias melhores

Antes do fatídico incêndio que afetou Castanheira de Pêra, mas também Penela, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Góis, Pampilhosa da Serra e Sertã, onde terão ardido à volta de 50 mil hectares, era o verde que marcava a paisagem. Os rios corriam puros e límpidos entre a serras, as praias fluviais faziam a frescura de dias bem passados. Com as chamas, tudo mudou. O cinzento e o negro assumiram as cores da paisagem, o renascer das cinzas tornou-se mais difícil e complicado, perante tamanha tragédia. Não é, no entanto, razão para voltar as costas a uma das zonas mais bonitas de Portugal. Ainda no rescaldo das chamas, Valdemar Alves, presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, alertou na TSF que “o turismo é importante para as zonas afetadas pelo incêndios. Até para sarar feridas”. E aproveitou para pedir “A solidariedade que peço às pessoas que vinham de férias para não desistirem. Venham. Não é aquela paisagem linda, bonita e saudável que tínhamos, mas não desistam. Venham já no próximo fim de semana, venham percorrer o terreno e falar com as pessoas. Venham ajudar-nos. Não temos a beleza e paisagem da floresta verde. Venham ver renascer das cinzas essa floresta”. Aceite este desafio e parta à descoberta desta região. Afinal de contas, também é uma forma de ajudar.

Centro de Interpretação Turística


O Centro de Interpretação Turística de Pedrógão Grande pode e deve ser o ponto de partida para qualquer visita. Num dos pisos há uma zona expositiva dedicada às Aldeias do Xisto. uma loja de venda de artesanato e instalações interativas que retratam de uma forma criativa e inovadora, conteúdos turísticos sobre a Região de Turismo do Centro, Rede de Aldeias de Xisto e, em particular, sobre a vila de Pedrógão Grande. Está aberto todos os dias das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.
Valbom, Pedrógão Grande. Tel. 236 480 150

Praia Fluvial das Rocas
Um dos símbolos da região, este complexo de lazer com um lago e com quase um quilómetro de extensão, bem no coração de Castanheira de Pêra. A Praia das Rocas tem uma ilha no centro da Praia (€10), uma piscina de ondas com 2100 m2 (a maior do país), uma albufeira e uma ponte secular. As palmeiras dão um ar tropical e contrastam com as paisagens da Serra da Lousã. Permite ainda passeios em barco a remos ou numa gaivota, atividades como escalada ou rapel e ainda pernoitar num dos 6 bungalows (a partir de: €60) perfilados na margem da albufeira, com vista privilegiada sobre o enorme espelho de água.
Praia das Rocas/Parque Azul, Castanheira de Pêra. Tel. 236 438 104

Praia Fluvial do Mosteiro
A Praia Fluvial do Mosteiro está rodeada de pequenas e grandes hortas, propriedade dos habitantes da aldeia, que lhe dão um enquadramento rural. As águas são as da ribeira de Pera, e nas margens há grandes espaços verdes e uma pequena cascata com um riacho. Conta ainda com duas infraestruturas que retratam o passado da história e do património cultural do concelho. É um lagar de azeite, recuperado e que funciona como apoio de praia e um moinho de rodízio, recuperado no âmbito do Projeto de Promoção e Requalificação dos Ecossistemas Ribeirinhos de Pedrógão Grande.
Mosteiro, Pedrógão Grande

Onde dormir:

Hotel da Montanha
O verde dos pinheiros acentua o azul das águas calmas da Barragem do Cabril, presente das varandas dos quartos à enorme e acolhedora piscina do jardim. Como o nome deixa antever, aproveita a localização, no topo do monte da Senhora da Confiança, para proporcionar um convívio pleno e sereno com a Natureza e com o ambiente. O Hotel da Montanha tem 73 quartos (a partir de: €84) de dimensões generosas e vistas desafogadas e ainda um panorâmico restaurante, adornado com uma lareira, que se adivinha companhia perfeita nos dias mais frios. Aproveite as atividades de desporto de natureza organizadas pelo hotel.
Monte Senhora da Confiança, Pedrógão Pequeno. Tel.: 236 480 000

Quinta do Sobral


A Quinta do Sobral fica numa grande propriedade rodeada de vinhas e pomares, este turismo rural composto por uma casa principal com quatro quartos e duas outras mais afastadas que podem ser alugadas na totalidade e que são perfeitas para famílias. Decorada com um estilo tradicional português, aproveita os jardins para passeios tranquilos e a piscina para retemperadores mergulhos. Pode ainda partir à descoberta dos trilhos de BTT que passam ao lado da quinta, fazer passeios pedestres ou aproveitar as zonas de escalada, muito perto, nas Fragas de S. Simão e nas Fragas do Cercal, com cerca de 40 vias de escalada. A partir de €65.
Ribeira de São Pedro, Figueiró dos Vinhos. Tel.: 960 232 988

Villa Pampilhosa Hotel


Da varanda dos quartos do Villa Pampilhosa Hotel avista-se a serra com o rio Unhais a serpentear as encostas, num cenário de rara beleza e equilíbrio. Com 52 quartos espaçosos, decorados com requinte e simplicidade, complementa a oferta com um simpático SPA e uma piscina interior climatizada, perfeita para ir a banhos em qualquer altura do ano. A localização privilegiada, no Centro de Portugal, faz deste hotel o ponto de partida perfeito para descobrir a maravilhosa Rota das Aldeias de Xisto, a gastronomia, os sabores e os saberes serranos. A partir de: €60.
Rua Arlindo de Almeida Esteves, 8-E, Pampilhosa da Serra. Tel. 235 590 010

Convento da Sertã Hotel



Já é uma referência no Centro de Portugal. O elegante Vila da Sertã Hotel, nascido da reconstrução de um antigo convento, apresenta-se imaculado, calmo e confortável, junto ao rio que atravessa a localidade. Aproveitou as antigas celas para construir parte dos 25 quartos da unidade, juntando-lhe modernidade e elegância. Aproveite a piscina exterior e os jardins e a oferta gastronómica das proximidades, bem como o exclusivo SPA, com tratamentos e massagens de exceção. Descubra o claustro para conhecer a história do Convento de Santo António. A partir de: €70. Alameda da Carvalha, Sertã. Tel. 274 608 493

Onde comer:

Varanda do Casal
A vista sobre a aldeia Casal de São Simão deslumbra todos os visitantes. Uma “Varanda” sobre o “Casal” que não se limita a aproveitar a paisagem, mas ainda oferece uma carta que quase sempre traz de volta os clientes. Se um dos elementos essenciais na gastronomia é o pão, no Varanda do Casal, o alimento é tratado como uma estrela. Feito manualmente em forno de lenha, o mesmo que serve para cozinhar os doces como a tigelada e a torta de laranja. Do mesmo forno saem os pratos, muitos e variados: maranhos, cabrito, borrego, bucho e tiborna de bacalhau. Os vinhos acompanham o festival de sabores que acontece a cada visita. Preço médio: €20.
Casal de São Simão, Figueiró dos Vinhos. Tel. 236 628 304

O Buke


A criatividade do jovem chefe Flávio Silva tornou-se numa das principais razões para enfrentar o caminho e descobrir a Pampilhosa da Serra. Cheio de talento e determinação, conseguiu colocar a sala do restaurante no centro das atenções gastronómicas na região. Delicado, criativo e ao mesmo tempo apegado às raízes, surpreende a cada proposta. O bacalhau com puré de batata doce, puré de brócolos, folha de sal, presunto e azeite desidratado é, para já, o símbolo maior desta criatividade, levada á mesa no restaurante O Buke. Descubra ainda a tigelada, que leva no prato toda a Beira Serra, e os chocolates de autor. Preço médio: €20.
Villa Pampilhosa Hotel, Rua Arlindo de Almeida Esteves, Lote 8-E, Pampilhosa da Serra. Tel. 235 590 010

Ponte Velha
A localização é fenomenal, virado para um verdejante jardim, com a ribeira a correr ao lado. Das enormes e envidraçadas janelas do restaurante Ponte Velha, a vista é fantástica, compondo um cenário perfeito para aproveitar alguns clássicos da gastronomia da região, servidos sempre com esmerada apresentação. É daqui a famosa sopa de peixe várias vezes premiada e motivo de romaria, bem com os maranhos e o bucho, feitos como impera a tradição. O especial detalhe prestado à qualidade dos ingredientes, bem como a carta de vinhos muito bem recheada, são motivos de sobra para fazerem deste restaurante uma referência regional. Preço médio: €20.
Alameda da Carvalha, Sertã. Tel. 274 600 160

Casa Ti’Augusta


A Aldeia de Figueira vive agora à volta deste espaço tradicional, que começou por ser uma pequena loja de recordações da Rota das Aldeias de Xisto e hoje é um dos mais afamados restaurantes desta região. O restaurante Casa Ti'Augusta só serve de sexta-feira a domingo, mas abre a porta a quem reserve previamente. Decorado a preceito, com mesas em madeira e paredes de xisto, serve a tradição de forma moderna, mas sem adulterar os sabores. O plangaio com couves a monte é prato obrigatório, bem como o naco de cabra em massa folhada, uma evolução da famosa chanfana, mas feito com carne de cabra e compota de frutos vermelhos. Preço médio: €20.
Aldeia da Figueira. Tel. 965 099 711

Adega dos Apalaches
Nas traseiras de uma casa que vista da rua parece particular ergue-se esta adega, desenhada para não deixar morrer a tradição. O nome vem da presença em tempos imemoriais dos Apalaches na região, as propostas da carta, do saber de gerações. Não há apresentações cuidadas nem pratos compostos. As panelas, os tachos e os tabuleiros são levados à mesa sem cerimónia, apenas plenos de aromas e sabores. Todos os dias há um prato diferente, habitualmente feito no forno a lenha. Durante o fim de semana, à noite, o restaurante Adega dos Apalaches serve um variado rodízio de petiscos e produtos da Beira, perfeitos para partilhar. Preço médio: €20.
Rua Senhora das Neves, Roqueiro. Tel. 272 654 257

Texto publicado no Expresso Diário de 6/07/2017)

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