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Enoturismo: Na rota das novas adegas portuguesas

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Edifícios modernos, tecnológicos e impressionantes são a realidade de algumas das novas adegas nacionais. Espaço de descoberta de vinhos, mas também de sabores, saberes e até com arte à mistura.

Há novas formas de ver o vinho. Além das garrafas, onde se aposta cada vez mais nos rótulos apelativos, e, claro na qualidade dos néctares engarrafados, também as adegas e os espaços de enoturismo estão a mudar. Investe-se em edifícios impactantes, ecológicos, cheios da mais alta tecnologia e até com a arte se faz um blend que está a transformar o turismo enófilo e a afirma-lo no panorama internacional. A propósito do lançamento do guia “Enoturismo | Wine Tourism by Boa Cama Boa Mesa | Expresso 2016”, na semana passada, espreite a seguir oito espaços que demonstram a vitalidade, o arrojo e a vanguarda do enoturismo em Portugal.

Fiuza
O restyling da adega, transformada em arte pelo graffiti dos artistas portugueses Francisco Camilo e Ivo SMILE, ao longo de 10 meses, simboliza a irreverência da marca. E, de facto, cruzar vinhos com arte urbana poderia não ser uma escolha óbvia mas, aparentemente resultou. As paredes pintadas são o culminar de um longo percurso, iniciado em 1986 quando o produtor de vinhos Joaquim Mascarenhas Fiuza e o enólogo australiano Peter Bright aliaram a visão de ambos num projeto comum. A adega faz parte do património histórico da cidade, mas entre paredes, usa-se a mais moderna das tecnologias disponíveis.
Travessa do Vareta, 11, Almeirim. Tel. 243 597 491

Quinta do Quetzal
O novo edifício, parcialmente revestido a xisto, que acolhe um restaurante, uma loja e um magnífico centro de arte, com exposições de notáveis artistas internacionais, tem poucas semanas de existência. Esta nova área junta-se à moderna adega existente, que, apesar de recente, preserva tradições ancestrais, como o uso da gravidade. As caves, subterrâneas, são arrefecidas de forma natural. Aberto a todos (as visitas às vinhas são gratuitas), este sonho tornado realidade pela família de Bruin organiza, por marcação, de quarta feira a sábado, visitas guiadas à vinha e à adega, com diversas provas de vinho (€12 / €25), e, claro, visitas ao centro de arte.
Quetzal, Vidigueira. Tel. 284 441 618

Herdade do Freixo
Mal se nota na paisagem a adega, não fosse filosofia desta casa a preservação da paisagem e da Natureza. É inovadora, a nível europeu, e verdadeiramente surpreendente em termos de arquitetura, impactante e moderna. Construída em profundidade, com três pisos abaixo da vinha, foi igualmente pensada para contribuir para a redução das amplitudes térmicas durante o ano, promovendo a manutenção de uma temperatura estável, ideal para a adequada evolução dos vinhos. Recentemente à disposição do público, há programas simples de visita à adega (€3,50), com prova de vinhos, em que, a pedido, podem ser incluídos queijos e enchidos regionais (€5).
Herdade do Freixo, Freixo. Tel. 266 094 830

Quinta da Roêda
O moderno centro de visitas, outrora o estábulo da propriedade, renovada em 2015, acolhe a sala de provas, um amplo terraço com vista sobre as vinhas e o rio e há ainda lagares para pisa a pé exclusiva para visitantes que podem assim usufruir de mais uma experiência do Douro. Daqui vai sair a saber mais sobre a história da região e do vinho do Porto e pode também divertir-se, adivinhando, através da folha e das várias características da vinha, de que casta é cada uma das plantas identificadas numa pequena extensão de terreno. Visitar a Roêda custa a partir €7 (visita livre e prova de três vinhos), mas pode ir, mediante reserva, até €22 (visita guiada à vinha, explicação detalhada de todos os processos e pisa em lagar).
Pinhão, Alijó. Tel. 220 109 830

Ribafreixo Wines
É o resultado de uma amizade e de um cruzar de sonhos de dois amigos, que, de raiz, aproveitaram para edificar uma das mais modernas adegas da região. Começaram por plantar as castas portuguesas Antão Vaz, Alvarinho, Verdelho, incluindo depois a Chenin Blanc, única no país. Todos os vinhos são vegan fiendly, usando no processo de clarificação apenas componentes de origem vegetal. A aposta no enoturismo é reforçada pelo Restaurante da Adega, onde, com uma vista panorâmica sobre as vinhas, podem ser provados os vinhos depois de feitas visitas guiadas às vinhas e à adega. A modalidade “Ribafreixo Wines Simples” inclui visita guiada sem degustação de vinhos (€2,50), a “Básico”, uma prova de três vinhos (7,50), e a “Premium” (€25) apresenta seis vinhos (€15). No “Pacote VIP” são provadas todas as referências comercializadas.
Adega Moinho Branco, Vidigueira. Tel. 284 436 240

Alves de Sousa – Quinta da Gaivosa
Tradicional e contemporânea, conjuga a casa tradicional com uma adega moderna e de arquitetura ousada. No Baixo Corgo, coabita o trabalho de produção com a sala de provas e um terraço panorâmico. Lagares, laboratório e engarrafamento, a adega onde repousam as barricas, debaixo de terra, mas também a claridade ampla das vinhas, algumas com mais de 60 anos, integram a visita, com prova de vinhos (€25). Sempre que possível, o percurso é conduzido pelas histórias do proprietário, Domingos Alves de Sousa. Deixe-se encantar com a magnífica e inspiradora vista a partir do terraço no topo do edifício.
Quinta da Gaivosa, Pousada da Cumieira, 2214, Santa Marta de Penaguião. Tel. 254 822 111

Torre de Palma Wine Hotel
A sua torre fortificada evoca a época medieval, ainda que a sua última função tenha sido a de cooperativa agrícola. Acima de tudo, a prioridade foi resgatar as produções de vinho, azeite e cavalos iniciadas pelos romanos, que ali edificaram importante povoado e cujas ruínas podem ser visitadas por €2. Recentemente foi inaugurada a adega, que, além de lagares de pedra e zona de vinificação, conta com sala de barricas e sala de provas. A visita à adega, com prova de vinhos (a partir de €12,50), ou o menu de degustação vínico (desde €60) são alguns dos programas de enoturismo, que também incluem vindimas e visitas a produtores locais.
Herdade de Torre de Palma, Vaiamonte, Monforte. Tel. 245 038 890

Quinta do Bomfim
A história e a tecnologia andam de mãos dadas nesta emblemática quinta que é a única das 27 propriedades da família Syminton aberta ao público. Com instalações modernas e confortáveis, recuperadas a partir dos antigos edifícios e de portas abertas desde maio deste ano. Aprecie as fotografias raras do início do século XIX, as peças, ferramentas e instrumentos utilizados na viticultura e vinificação, e os documentos antigos fazem parte do espólio da casa. Depois, dirija-se à adega, datada de 1896, onde pode ficar a conhecer tudo sobre o processo de vinificação particular do vinho do Porto. Sempre com marcação prévia, a visita custa €7,5 sem prova; €10 com prova de três vinhos e pode ir até aos €35 com upgrade de vinhos. Piqueniques no terraço custam €25 por pessoa.
Pinhão, Alijó. Tel. 223 776 300

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