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Restaurante A Pastorinha: Clássico renovado entre notas de piano

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Descartadas as ligações religiosas, a explicação para a designação do restaurante A Pastorinha só pode vir... do futebol?! Isso... Era a alcunha de um antigo craque do Estoril que, de tanto se esforçar em campo, parecia “comer a relva”, conta quem sabe.

Esse jogador acabou por abrir um restaurante com o nome A Pastorinha, no Monte Estoril. Nos anos 80, instala-se junto à praia de Carcavelos. Em 2000 é ampliado e, seis anos depois, sofre um incêndio, sendo depois reconstruído. Desde março de 2017 que pertence ao Grupo SANA, que o continua a potenciar. Ficaram para trás os candeeiros e teto antigos e amesendação pesada. Absorveu a leveza do oceano, que preenche toda a vidraça. No lado de fora, uma esplanada agradável para os dias mais quentes.

Na segunda metade do século XX, uma série de restaurantes de luxo na marginal, como o Mónaco e A Pastorinha, entram no roteiro das elites. Mesmo sem pista de dança, A Pastorinha cativava com o seu piano - que ainda anima os serões e os almoços de fim de semana -, e o simpático e atencioso serviço à inglesa, com o prato montado à frente do cliente e um carrinho a exibir o peixe do dia e as sobremesas. Há até um serviço de Voiturier, para não ter de se preocupar com o estacionamento.

Inicie a refeição com pão torrado com manteiga, paté de marisco (€7,50), queijo de Azeitão ou queijo de cabra fresco com azeite e orégãos (€6,50). Prossiga com a frescura das ostras ao natural (€3/unidade), as amêijoas à Bulhão Pato (€19) ou o camarão ao alho (€16). Foi reforçada a aposta nos mariscos vivos, como o camarão de Espinho, o lavagante (€105/kg) e a lagosta (€130/kg). À época, encontra cavacos (€150/kg), lagostins da nossa costa (€195/kg) e os caranguejos reais do Alasca (€145/kg).

Estranho seria se a carta do restaurante A Pastorinha (Avenida Marginal, Praia de Carcavelos. Tel. 214580492) não fosse dominada pelo mar... Considere os peixes frescos na grelha, como o pregado, garoupa, dourada, linguado e o robalo escalado. Nos arrozes, destaque para arroz de marisco descascado e o arroz de peixe com gambas (€23). A não perder, as especialidades peixe ao sal e peixe no pão, em que a peça é envolta numa massa e cozinhada no forno, na sua humidade. Realce para a carta de espumantes, champanhes, vinhos do Porto, vinhos brancos e tintos de várias regiões. Pergunte pela referência Divai (serve a copo), produzida para o Grupo SANA no Alentejo.

Por mais que se coma, n'A Pastorinha guarda-se sempre espaço para o pecaminoso carrinho de sobremesas. Renda-se aos pudins de ovos, sericaias com ameixas de Elvas e ao pão-de-ló com doce de ovos... O chefe João Almeida, que conhece bem os cantos à casa, sabe a receita para a perdição. Agradecem as muitas famílias que aqui vêm há décadas, assinalando datas importantes e “ensinando” o espaço às novas gerações. O restaurante A Pastorinha não encerra, funcionando todos os dias entre as 11h00 e as 23h00.

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