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Portugal e Espanha vão a jogo: quem ganha este campeonato à mesa?

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Sobre futebol sabemos pouco ou quase nada e nem como treinadores de bancada nos aventuramos nessa matéria. Mandamos uma boca ou outra mas sempre com a certeza de não termos certeza nenhuma.

Nós, aqui, é mais comida. Mas porque somos pessoas com sangue na veia, assumimos o cachecol ao pescoço, trauteamos o Hino Nacional de mão ao peito e torcemos pela Nossa Seleção com a mesma devoção com que defendemos um cozido à portuguesa ou um bacalhau à Brás. Não somos patrióticos por natureza, mas se alguém ousa falar mal de nós, do nosso futebol ou da nossa comida, viramos bicho. Então se a crítica for feita em castelhano, saiam-nos da frente.
A relação com os nossos vizinhos ibéricos, os primeiros a defrontar a equipa das Quinas, bom… digamos só que é historicamente complicada e que os encontros em campo não têm ajudado à festa. De resto, amigos como dantes até porque o facto de partilharmos a fronteira mais antiga da Europa impõe algum decoro. Quase sempre.

Em dia de jogo Portugal-Espanha (hoje, 15 de junho, às 19h00) fomos fazer o que nos compete e sentámo-nos à mesa do restaurante Tapisco para um frente a frente gastronómico entre os dois países. Somos suspeitos, não negamos, mas tentámos por de lado eventuais favoritismos e avaliar o que nos foi servido com o rigor de um vídeo-árbitro.

Ora Tapisco, que resulta da aglutinação das palavras “tapa” e “petisco” e surgiu de mais um rasgo de inspiração do chefe Henrique Sá Pessoa, que agora se vira para o petisco ibérico. Para comer com as mãos quase sempre e partilhar sempre que possível, a carta corre os quatro cantos da cozinha do país vizinho e junta-lhe algumas especialidades de cá para compor uma ementa arrojada. No fim de contas, importa saber quem ganha este duelo gastronómico?

Aguardamos por logo à noite para apurar reais vencedores, mas antes de passarmos à mesa quisemos perceber o que distingue, afinal, os dois países em campo. Pedimos ajuda à Tribuna Expresso (onde pode seguir os jogos ao minuto) que reúne a equipa que mais sabe sobre o assunto, e a verdade dos factos é a seguinte: “Os portugueses são bons de bola, é verdade, mas conseguem sobreviver apenas defendendo e contra-atacando pela certa; os espanhóis, ou melhor, a seleção dos espanhóis tem enraizada a cultura do tiki-taka que se define por uma obsessão pela bola. É provável que La Roja seja, a par da Alemanha, a equipa que acabará o Mundial com maior percentagem de posse - mas isso nada quer dizer e basta recuperar o que aconteceu no Euro2016”.

Ora, isto trocado por linguagem gastronómica significa o quê? Significa que entre um tachinho de ervilhas com chouriço e uma paella, o prato considerado um exemplar “pobre” da cozinha portuguesa terá de se apresentar na sua melhor forma para conseguir fazer frente ao famosíssimo ex-líbris da cozinha espanhola, aqui apresentado com o twist sépia. 1-0 ganha Espanha.

Calma. Quando avançamos para o combate entre o choco frito e as patatas bravas, não venham cá com coisas porque não há batata nenhuma no mundo que se consiga igualar a um choco envolvido num polme estaladiço com fritura no ponto. 1-1, bola ao meio. Espanha tenta um ataque perigoso com a presa de porco ibérico, São Patrício resolve e Portugal contra-ataca com um bacalhau à lagareiro.

Perto do apito final, na altura do tudo ou nada, Espanha faz um remate à trave com a crema catalana. Portugal recupera a bola, corre em direção à baliza adversária e está lá dentro. O toucinho do céu desempata a partida, Portugal vence a Espanha por 2-1. Logo à noite, logo se vê.

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