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Casa de Chá da Boa Nova: o farol gastronómico de Rui Paula

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Casa de Chá da Boa Nova

Nelson Garrido

À sua frente só há uma capela, o oceano indomável e a linha do horizonte. O enquadramento do restaurante Casa de Chá da Boa Nova é tão bonito que nem ao poeta António Nobre foi indiferente. Os seus versos foram gravados numa rocha e foi também sobre os rochedos que se ergueu este restaurante, premiado com um Garfo de Ouro pelo Guia Boa Cama Boa Mesa, em 2018.

Assinado pelo Pritzker Siza Vieira, este edifício vanguardista de 1963 é Monumento Nacional. Situa-se junto à Praia da Boa Nova, em Leça da Palmeira, e transforma as refeições na Casa de Chá da Boa Nova (menus de degustação a partir de €90, com possibilidade de pairings de vinhos) também em experiências de arquitetura ímpares, atraindo entusiastas do mundo inteiro.

O chefe Rui Paula está à altura do desafio e prepara menus tão memoráveis como o desenho do restaurante Casa de Chá da Boa Nova. Um espumante do Dão é o escolhido para abrir o palato, enquanto se descobrem pães com infusão de algas e mexilhões, a manteiga de alga nori e vários snacks, com destaque para a Bolacha de amêndoa com fígado de tamboril e compota de figo, e o agradável toque a fumo deixado para o fim...

O Creme brulé de ouriço do mar é uma viagem marítima intensa e plena de sabor e o Creme de cogumelo com agnoli, uma espécie de ravioli recheado com batata fumada, serve numa porcelana em forma de cogumelo. Duas saudações que abrem caminho ao excelente Tamboril, a avelã e o champanhe. A proteína vem com uma lâmina de porco em cima, texturas de avelã e o caramelizado do crocante de cebola, que acrescenta doçura ao momento.

No restaurante Casa de Chá da Boa Nova, a refeição prossegue de olho nas ondas, que fustigam as rochas sem piedade. Servem-se bons vinhos, como o Colares Viúva Gomes 2014 e o tinto duriense Bastardo 2016. Todas as sugestões são explicadas e a carta inclui mais de 50 referências a copo. No Pargo, tapioca e mexilhão, veem-se pedras e areia debaixo de um vidro, convocando uma “praia”. Segue-se o Rodovalho, uma sugestão divertida, feita de texturas doces de milho – como uma pipoca com plâncton -, o salgado da alga nori e a acidez do gengibre, que foi incluído no molho do assado.

Sucedendo à versão da tradicional “Romeu e Julieta”, aqui com sorvete de goiaba e o queijo, chega a Colheita tardia. Esta sobremesa remete para o vinho Late Harvest Petit Manseng, produzido por Gonçalo Sousa Lopes. Tendo como base os aromas da referência, pensou-se num doce que incluísse noz-pecã, trabalhasse a uva e juntasse texturas de mel. Mais uma pérola a engrandecer a Casa de Chá da Boa Nova...

É ao som do mar que se apresentam os petit fours, para dar mais gosto à carta de cafés. Os doces chegam num carrinho e são desvendados com algum “teatro”: observe os barquinhos a navegarem na caixa dos Descobrimentos e faça a sua escolha. O último snack pode bem servir-se na cozinha, com um tawny a verter de uma pequena pipa... É a alta cozinha da Casa de Chá da Boa Nova (Avenida da Liberdade, Leça da Palmeira. Tel. 229 940 066) a “humanizar-se”. O criativo Rui Paula brinca com a surpresa e torna tudo cada vez mais interessante.

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