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Restaurante Faz Figura: novo conceito para (re)conquistar Lisboa

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Histórico restaurante lisboeta, com vista para o Tejo, serve petiscos ao longo do dia e saborosa gastronomia portuguesa às refeições. Aposta nos vinhos a copo, gin e licores nacionais

Lá fora, o turista continua a tentar “apanhar” o Panteão Nacional na fotografia. Entra-se e aparecem as garrafas de vinho nas paredes. Alguns metros depois, uma bonita sala decorada com talheres gigantes, murais, bancos em forma de rolha e uma garrafeira. Depois de um curto “intervalo”, o histórico restaurante Faz Figura, em Lisboa, reabriu em meados de fevereiro, com o nome de Portugal Wine & Food by Faz Figura. Está mais contemporâneo e ainda mais democrático ao nível dos diferentes “caminhos” que a refeição pode seguir.

O conceito mudou. Essa bonita sala, de ar contemporâneo, funciona em horário alargado, servindo, ao longo do dia, petiscos e vinhos, que viram as cartas aumentarem. Os dispensadores oferecem 48 opções de vinho a copo (numa fase inicial, a prova será gratuita), a que se juntam algumas referências “ de topo”, que será possível provar com a ajuda do sistema coravin.

As mesas interativas dão a conhecer Portugal e a rede nacional de parceiros com quem o Faz Figura (Rua do Paraíso, 15B, Lisboa Tel. 218868981) vai trabalhar. Produtores, players hoteleiros e turísticos dão a conhecer “produtos genuínos e de qualidade, de norte a sul, produtos endógenos e certificados”. Produtos que podem também ser adquiridos numa loja “dedicada ao melhor de Portugal”. A jusante, a ideia é também “levar as pessoas aos locais de origem”, promovendo roteiros que possam incluir, por exemplo, “estadias, visitas a adegas e degustações”, explica o proprietário, Pedro Dias.

Seleção de gin e licores

Na sala principal, com 40 lugares, continua a vista privilegiada para o Tejo, mas o espaço protege-se agora com vidros, aumentando o conforto no inverno. Ao fundo, um bar bem servido de bebidas nacionais. Há gin para todos os gostos: do “Valley Gin” (€8) minhoto, que recorre a ervas selvagens da Serra do Gerês, até ao “Sul” (€8), com zimbro e esteva da Costa Vicentina. A carta de licores veste-se de igual “portugalidade”. Desde o famoso “Arrabidine” setubalense (7) até ao “Licor de Piri-Piri” (3,25) , de Cuba, e ao Licor de Arroz Doce (€3,75), oriundo de Valença.

Sem prejuízo do aconselhamento, os pratos apresentados no menu já vêm com sugestões de harmonizações vínicas, com vinhos de várias regiões. A ementa é bem portuguesa, mas deixou de ser tão fixa. Acompanha as estações e adapta-se, semanalmente, ao que os parceiros fazem chegar ao restaurante. Um exemplo é a carne: já foi barrosã, mirandesa e agora está a servir-se carne de vaca marinhoa.

Gastronomia portuguesa

A animar o início da refeição, vários petiscos e entradas. O “País do Queijo” mostra uma selecção de queijos portugueses. Como uma perdição nunca vem só, pode acompanhar com apontamentos de marmelada branca de Odivelas, compota de framboesa de Trás-os-Montes, frutos secos e mel de Barroso... Há ainda a “Bacalhauzada” (9), “Perdiz Borrachona” (9), seleções de enchidos, secretos de porco alentejano DOP (€8,75) estufados em vinho tinto, “Mexilhão de Tomatada” com coentros e gin (€7,50) e o excelente “Ninho da Codorniz” (€8,50), que é, na verdade, alheira de Mirandela IGP, com maçã caramelizada, compota de cebola roxa e ovo de codorniz.

Nos pratos principais, destaque para um clássico: a Bochecha de vitela mirandesa DOP, estufada com especiarias (€24). Não se pode ignorar, de igual modo, o saboroso atum dos Açores braseado, que acompanha com cuscos transmontanos de coentros (€24,75). Boas alternativas no polvo do Algarve em crosta de milho (€23) e no bacalhau de cura tradicional ETG, marinado em vinho do Porto, com broa, couve e feijão (€23).

Ao almoço de domingo serve-se o buffet de cozido à portuguesa, com preço fixo de €23,50 (bebidas não incluídas). Entre os enchidos encontram-se, por exemplo, a típica farinheira ensacada de Monchique e o chouriço de Arcos de Valdevez.

A doçaria

Deve terminar como começou: a salivar com a riqueza e sabor dos produtos portugueses. A trilogia de ovos-moles de Aveiro (queimados, em pastel e gelado, a €6,90) dá uma boa contribuição. Mas sairá satisfeito com a pera do Sado, que é cozida em Moscatel de Setúbal, os Gelados de Portugal ou com a charlotte de castanha de Trás-os-Montes com vinho de Carcavelos e palitos do Marquês (€8).

O desafio do restaurante Faz Figura é, também, converter-se num centro dinâmico de eventos enogastronómicos, promovendo regiões específicas, workshops, provas e degustações. O restaurante abre de terça-feira a domingo, das 12h00 às 23h30, e à segunda-feira, entre as 19h30 e as 23h30.

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