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Braga: o pecado da gula em 8 restaurantes

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Andre Baeta

Com a aproximação da Semana Santa de Braga, que atrai fiéis de toda a parte, tome nota de oito restaurantes, entre clássicos e novidades, capazes de o levar ao céu com a sua ementa

Não é segredo para ninguém que Braga é zona de bom garfo. Habituados aos prazeres da gastronomia minhota, habitualmente generosa e de tempero apurado, todos os dias comensais devotos rumam à cidade dos arcebispos à procura do céu à mesa. Agora que se aproxima a Semana Santa, no final de março, comece a preparar a romaria e as celebrações religiosas escolhendo pode saciar o apetite com garantia de satisfação. Do imprescindível Bacalhau à Braga ao Cabrito assado, até chegar à bênção do emblemático pudim Abade de Priscos, o Boa Cama Boa Mesa traça-lhe o roteiro do pecado à mesa, em Braga

Arcoense
É um dos restaurantes com mais créditos no concelho e ao estatuto não é alheia a tremenda simpatia dos funcionários. Com a sua energia, conseguem contagiar qualquer um e dar alguma cor aos dias cinzentos. Uma das imagens de marca é a ementa, um verdadeiro livro de capa grossa. Vem com referências aos primeiros “cardápios” e a secção dos vinhos, por exemplo, assinala aforismos, descrição das regiões demarcadas e até as castas presentes nas referências. Já no capítulo da comida, o restaurante Arcoense é mestre, com muitas propostas de substância. Pode iniciar com dobradinha, polvo grelhado, alheira ou favas. Prossiga para uma das Cataplanas de peixe (€75/kg a €85/kg), peixes grelhados, ou renda-se aos clássicos: o incontornável Bacalhau à Braga (€34, ou meia dose por €20), sendo que há mais receitas do fiel amigo, o Cabrito pingado (€40, ou meia dose por €20), os Rojões à Minhota (€16, ou €18 com papas de sarrabulho) ou o Cozido à portuguesa (€36, ou meia dose por €18). Termine com o mítico pudim Abade de Priscos ou a Encharcada de pinhões.
Rua Engenheiro José Justino Amorim, 96, Braga Tel. 253278952

Azeite & Alho
Depois de se dar nas vistas em Esposende, o chef Ivo Loureiro mudou, há pouco tempo, a sede do seu apetecível Azeite & Alho para Braga. O restaurante não está no epicentro do movimento, mas vale bem a pena ser visitado. Ivo confia na valia da sua excelente gastronomia para cativar os comensais e o seu trunfo é não se acomodar à abordagem clássica no receituário nem na apresentação dos pratos. Propõe algo diferente, testa combinações de sabores e introduz produtos menos óbvios, mas cheios de sabor. O Camembert folhado com compota de figo (€6), os Nabos gratinados com badejo (€6), as Empadinhas de caça (€1) e os Hambúrgueres de caranguejo com ovo de codorniz (€6) abrem, muito bom, caminho à Paella com lombos de peixe e camarão-tigre (€38, ou meia dose por €24) ou ainda à Broa recheada com grelos, bacalhau e batatas (€28, ou meia dose por €20). Para finalizar, opte por Cheesecake de maracujá ou Soufflé de chocolate. Todas as semanas há surpresas novas.
Rua Costa Gomes, 353, Braga Tel. 253987048

Casa das Hortas
Situa-se no Campo das Hortas, local à volta do qual gravitam muitos restaurantes em Braga. Está ainda a abrir caminho na gastronomia do concelho (a inauguração foi em 2016), mas já com bases firmes. É a extensão natural de uma empresa de produção biológica, detida pelos proprietários do restaurante. A Casa das Hortas foi uma das soluções que encontraram para mostrar o que era produzido na horta, como os grelos, os kiwis, as amoras e framboesas usadas para fazer os purés que acompanham as carnes. O grande destaque vai para a carne Cachena da Peneda DOP. É uma das raças mais pequenas do mundo, habituada às terras altas, e a vitela serve-se em posta ou costeleta (ambos por €30, ou meia dose por €16). Além das demais especialidades, registo ainda para as deliciosas entradas: tortilha, pimentos padrón, os cogumelos frescos salteados com bacon, o presunto Pata Negra e as tábuas de fumados de porco preto, que sustentam um bom arranque.
Campo das Hortas, 12. Braga Tel. 253685225

Cruz Sobral
Uma das joias bracarenses, que o tempo só ajudou a abrilhantar. É cada vez mais invulgar ter o prazer de fazer uma refeição num restaurante tão antigo. O restaurante Cruz Sobral já leva 92 anos de porta aberta e, de todas as vezes em que se regressa, encontra-se o mesmo brio de toda a equipa, empenhada em atender bem e rapidamente, mesmo com a casa cheia. Ao profissionalismo, junta-se o ambiente rústico, em pedra, o ”trabalho à antiga” e alguns clientes de quinta geração! Não é preciso pensar demasiado naquilo que vai comer. A vitela é sempre aquela vitela, tenrinha e assada no forno, em fogão a lenha, servindo com batata assada, arroz e legumes salteados (22, ou meia dose por 15,50). E depois há o cabrito, os rojões e o Bacalhau à moda de Braga, de grande categoria (€27,50, ou meia dose por €18,50). Conte ainda com pudim Abade de Priscos, claro. A carta de vinhos é extensa, incluindo referências estrangeiras e muitos vinhos do Porto. Campo das Hortas, 7-8, Braga Tel. 253616648

Augusta
Não há roteiro bracarense que fique completo sem este restaurante. Pertence ao afamado universo do grupo Torres. Em 2018, assinalam-se 20 anos desde a abertura do restaurante Augusta, um espaço que se tornou, por mérito próprio, obrigatório em Braga. Atenção, que aqui as doses são muito bem servidas, capazes de satisfazer sem dificuldade os mais esfomeados. De entre as especialidades, o Bacalhau à Augusta, com maionese e puré (23, duas pessoas), “é um ver se te avias”, garante quem aqui trabalha. Parte da carta é composta apenas por propostas regionais, que também incluem cabrito assado (24, duas pessoas), rosbife grelhado (€13) e arroz de tamboril com gambas. Por encomenda, prove o ossobuco de vitela e a lagosta suada americana. Considere ainda a alheira de perdiz (entrada) e o travesseiro conventual (sobremesa). Tem uma boa garrafeira e sala de fumadores.
EN 103, Fojo, Braga Tel. 253676437

El Olivo
Se procura um registo mais contemporâneo, considere o principal restaurante do Meliá Braga Hotel & Spa. Vale a pena, desde logo, pelo ambiente moderno da sala, centralizada por uma oliveira. Com a chegada do chef José Vinagre, reforçou a base tradicional desta cozinha, embora não perdendo a veia contemporânea que o caracteriza, na técnica e nos empratamentos. Nas entradas, realce para o Escabeche de codorniz e cogumelos em massa brick e redução balsâmica. Nas sugestões de show cooking, entram as literárias favas com chouriço e o polvo frito com malagueta. O Bacalhau à moda de Braga reina nos principais, seguido de perto pelo cabrito assado, o peito de pato em arroz cremoso de enchidos e o naco da vazia com presunto e batata alourada. O pudim Abade de Priscos com redução de vinho do Porto é a sobremesa a reter neste El Olivo. Serviço buffet sempre que a ocupação o justifica.
Meliá Braga Hotel & Spa, Avenida General Carrilho da Silva Pinto, 8, Braga Tel. 253144000

Cozinha da Sé
Se há restaurante abençoado, em Braga, é este, ou não estivesse localizado nas imediações da Sé Catedral. As paredes em pedra, que se foram enchendo de moedas ao longo dos anos, dão-lhe um ar rústico e acolhedor. E, os quadros de cores vivas, polvilham o cenário com arte e bom gosto. Mas a recomendação deve-se mesmo à “santidade” da gastronomia que aqui se prepara, sempre de qualidade. Nesta Cozinha da Sé não há forma de ignorar o Bacalhau à Cozinha, que é recheado com molho de cebolada e acompanha com a tradicional batata frita à rodela (13). Além de ser uma delícia, inscreve-se na tradição da cidade, que leva o fiel amigo ao trono das proteínas. E como estamos perto da Sé, continue religiosamente a saciar o apetite... à boleia da costeleta de vitela (13,50) ou do lombelo de porco grelhado com puré de maçã e castanhas (€11,50). Para não variar, é quase de lei não sair sem provar o pudim Abade de Priscos.
Rua Dom Frei Caetano Brandão, 95, Braga Tel. 253277343

Restaurante Panorâmico
Para continuar em sintonia com a religiosidade e solenidade do momento, não deixe de subir até ao Bom Jesus, um dos símbolos maiores de Braga. Desfrute da mata envolvente e do belíssimo Santuário, com um escadório onde se desenvolve a Via Sacra. Depois de se deliciar com a magia do enquadramento, entre no Hotel do Elevador para conhecer o Restaurante Panorâmico. Beba um aperitivo e pasme-se com vista panorâmica deslumbrante sobre a cidade e a região, desde a sala principal. A comida também é saborosa. Abraça-se a gastronomia regional, mas atualizada. A abrir, um caldo verde à moda do Minho com estaladiço de broa e fumado. O lombo de bacalhau no sauté com cebolada à moda de Braga (€16,5) é um ex-líbris, bem acompanhado pelo polvo corado em cama de migas de tomate seco e perfume de balsâmico (€18) e o vol-au-vent de perdiz com suco de caça e frutos de outono (€17). Termine com um queijo da serra.
Hotel do Elevador, Largo do Santuário do Bom Jesus, Braga Tel. 253603400

(Texto adaptado do artigo publicado no Expresso Diário de 15/03/2018)

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