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Casa Mateus: quem disse que peixe não puxa carroça?

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A confeção dos pratos exige o tempo necessário para a perfeição. Um compasso de espera óbvio de um ofício feito com alma na vila piscatória de Sesimbra

Os azulejos da fachada e as janelas em madeira encantam os passantes. A inscrição da palavra “Aberto” incita a que se bata à porta, fechada por causa do frio. Esta é prontamente é aberta por Carlos Mateus. Dono de um sorriso franco, o proprietário deste restaurante convida a entrar, num gesto simples de bem receber.

No interior, as paredes revestidas a pedra remetem para tempos antigos. Aos olhos também não escapam a janela rasgada ao alto com vista para o mar. Os tampos e as cadeiras de madeira, e o teto forrado com a mesma matéria-prima compõem o cenário acolhedor e intimista deste pequeno espaço aberto, há cerca de quatro anos e meio, na vila piscatória de Sesimbra: a Casa Mateus.

A homónima e original era vizinha da Fortaleza de Santiago. Fora mercearia, casa de pasto, frequentada pelos pescadores, uma taberna, onde o avô de Carlos Mateus e fundador, António Mateus, trabalhava de dia. À noite ia para o mar. Em 1982, já depois de ser transformada em restaurante e numa casa de hóspedes, foi vendida. O regresso à restauração foi gradual até a "nova" Casa Mateus, abrir portas em Sesimbra, na atual morada (Largo Anselmo Braamcamp, 4, Sesimbra. Tel. 963650939 ou 918790697).

O negócio é familiar. Carlos faz questão de ir, todas as manhãs, ao mercado local. Na lista das compras impera o peixe de grande porte, como a garoupa, o mero ou a corvina, bem como a raia, a canêja ou cação, entre outros. Ao contrário dos demais restaurantes desta terra de pescadores, na Casa Mateus, o peixe não vai de todo à grelha. É confecionado com primor pela mulher, Cristina, que dá primazia à comida de tacho levada à mesa pelas mãos de Pedro, o filho de ambos.

Enquanto se aguarda pela comida, “Na mesa…” pode haver Pão, azeitonas marinadas e um salgado para barrar (€4) ou um Queijinho fresco de cabra, ervas e azeite (€1,50). “Para começar…”, e porque vale a pena a espera, o muito solicitado Queijo assado, tomilho e alho (€5) tornou-se um clássico da carta, atributo conquistado também pelos Croquetes de rabo de boi, mandioca e (mostarda de) Dijon (€2,10/unidade) apreciados pela maioria de quem escolhe este restaurante para uma refeição tranquila. Nesta secção da ementa estão as Amêijoas, azeite, limão e coentros (€13), os Camarões, alho e flor de sal (€10), os Mexilhões, tomate e cebola (€10) e a Sopa de peixe, hortelã da ribeira e croûtons (€4,50).

“Tudo o que vem à rede…” é peixe. Porém, neste caso, só é servido o que é pescado à linha na Caldeirada de um pescador (€28 para duas pessoas) ou na exímia Massada de peixe, hortelã e limão (€12), para a qual a escolha recai ora no mero ora na garoupa. Carlos Mateus atribui o grande êxito ao Caril verde, lagosta, camarão e mexilhão (€19), a prato No forno, polvo, batata ao sal, castanhas e alho francês (€14) e, “porque o comum come-se em casa”, são muitos os clientes que pedem o Bacalhau da Islândia, romesco, amêndoas e ovo BT (cozinhado a baixa temperatura). “O romesco é muito utilizado como molho, normalmente para comer com pão. A nossa versão tem legumes assados, que dá aquele sabor fumado, pão frito e amêndoa. Posteriormente, estes ingredientes são todos triturados e regados com azeite”, explica Pedro Mateus.

Para quem leva a sério o velho ditado “Peixe não puxa carroça…”, há três pratos de carne à escolha, como o Rabo de boi, batata doce e agrião (€14), o mais consensual deste trio, Da cervejaria, um bife bem português (€13) e Lombo de novilho, manteiga de ervas e legumes salteados (€18). “O êxito deve-se à confeção feita na cozinha. Nada sai mal feito, porque a minha mulher não deixa”, garante Carlos Mateus.

É nos “Doces e não só…” que está a sobremesa premium da Casa Mateus. A Mousse de manjericão e morangos (€5) conquistou, quase desde o início, os apreciadores da boa comida e da delicadeza e dedicação de que está a servir à mesa. “Há clientes de Évora a Almeirim que vêm por causa da sobremesa”, revela o proprietário. O Brownie, nozes e framboesas é outro dos finais felizes que desperta a gula, como o Creme brûlée, avelãs e flor de sal (€5 cada), adicionado para intensificar o sabor deste doce. Em fatia, chocolate, caramelo e banana e Em taça, limão, merengue e granizado de maçã (€5 cada). Sobremesas à parte, a opção é a Seleção de queijos portugueses com doce caseiro (€8).

Para harmonizar com os diversos pratos, o restaurante Casa Mateus apresenta uma carta vínica dividida entre região vitivinícola, castas e caracterização de cada vinho de “adegas pequenas” e de produtores “menos comerciais” do país. Conte ainda com vinho a copo, com referências arrojadas, escolhidas a dedo, face às quais um enófilo se sentiria em casa.

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