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Na Boca do Lobo: a nova tasca de José Júlio Vintém

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Na Boca do Lobo

José Júlio Vintém agarrou no lobo e mudou-se para Portalegre onde abriu em agosto a nova tasca moderna Na Boca do Lobo, uma ode à cozinha alentejana de panela.

Quem se fizer ao caminho rumo à Serra de São Mamede com a ideia gulosa de atacar os bicos de touro bravo e as sardinhas albardadas com açorda de coentros do Tomba Lobos, saiba que, para já e até ordem em contrário, irá bater com o nariz com a porta.

À pergunta tão pertinente sobre o que será o futuro do restaurante de José Júlio Vintém, não sabemos responder com precisão, mas anunciamos a boa nova tal e qual a comprámos ao dono da casa: “não é um fecho permanente, daqui a nada estamos de volta”.
Mas nada tema estimado leitor, que este é um daqueles casos em que tendo sido fechada uma porta, rapidamente se abriu uma janela em alternativa.

Seguindo a linha da casa-mãe, grande defensora da boa gastronomia alentejana, a marca emblemática do chefe acaba de se estender ao simpático Na Boca do Lobo, uma taberna moderna sem pretensões que abriu as portas a 1 de agosto no centro de Portalegre. A sala é pequena, modesta e decorada com gosto sem se exceder na montra de peças tradicionais da região. Mesas e cadeiras de madeira colorida, umas mantas de Reguengos na parede, um balcão apetrechado com uma coleção de navalhas para sortear e está feita a casa. José Júlio Vintém pouco se vê - está lá atrás, na cozinha, onde acontece a magia do costume. Fiel à cozinha de panela e ao tempero caseiro, anuncia-se este Na Boca do Lobo como “tasca alentejana de pétalas e petiscos”, mas já aqui dissemos, algures, que o conceito de petisco no Alentejo é coisa que no resto do país equivale a dose e meia, quase sempre suficiente para alimentar duas bocas capazes.

Reservamos mesa para um numa sexta-feira ao almoço sem imaginarmos que iríamos encontrar casa cheia, balcão cheio e um pequeno ajuntamento de resistentes à porta, confiantes de que pelo menos “aquela pessoa sozinha a ocupar uma mesa inteira” se despachasse a tempo e horas. Fazer refeições a solo tem destas coisas: primeiro, não é nada agradável e, depois, acaba sempre por estragar uma mesa que podia sentar três ou quatro. Ossos do ofício, não é assim que dizem?

Pois bem, demos uma vista de olhos à ementa e na impossibilidade de se escolher apenas dois pratos, deixamos a decisão nas mãos do chefe… com uma ressalva: “doses pequeninas, para picar, que a seguir ainda há estrada para fazer”. Não aconteceu nada disso.

Primeiro, para entreter, chegou à mesa uma travessa de toucinho salgado com alho (€3,50), à qual se seguiu um “pires” que era um prato de dobrada (€6,25). Podíamos ter ficado por ali, mas o chefe avisou que ainda estavam por vir uma dose de barriga de porco assada, uma das especialidades da casa, e umas costeletas de coelho frito com mel (€11,50).

Escusado será dizer que nos levantamos em grande, grandes esforço, não sei antes rematar a refeição com a boleima de maçã (€1,20) feita pela mãe do chefe. Conseguimos comer metade e o que sobrou veio embrulhado num guardanapo e serviu de lanche umas horas mais tarde.
Para já, e enquanto não se decide o futuro do Tomba Lobos, é por aqui, Na Boca do Lobo (Rua Alexandre Herculano 20, Portalegre. Tel. 965 416 630), que José Júlio Vintém vai continuar a democratizar a comida típica alentejana, desta vez num registo ainda mais familiar e democrático.
O restaurante fecha ao domingo e segunda-feira e aconselha-se sempre a reserva, seja ao almoço ou ao jantar.

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