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Portugal inteiro à mesa do restaurante O Paparico

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Restaurante portuense, de ambiente reservado e requintado, presta homenagem à qualidade dos produtos nacionais, com um serviço distinto. Mais uma paragem pelos hotéis premiados pelo Guia Boa Cama Boa Mesa, em 2017

Discreto, quase “secreto”, o restaurante O Paparico resguarda-se no seu mundo e prepara um ambiente aconchegante e tranquilo para receber quem o visita, no Porto. As madeiras e paredes em pedra dão-lhe rusticidade, que se torna mais especial quando se alia ao requinte. O Paparico soa familiar, mas ao mesmo tempo busca a frescura e a inovação. É nesse diálogo frutuoso que balança este restaurante de Sérgio Cambas, mais um dos premiados com o Garfo de Ouro no Guia Boa Cama Boa Mesa 2017.



Desse casamento nascem experiências que fazem vibrar, seja pela simplicidade dos rituais e do cenário, seja pela criatividade aplicada nas pequenas surpresas. Momentos capazes de ir alimentando o interesse e colecionando sorrisos dos comensais. Pode escolher entre o serviço à carta, o “Menu Partilha” ou o “Menu Portugalidade”. São entregues dois mapas com indicações sobre os territórios por onde passam os diferentes pares enogastronómicos.

A abrir, um Caldo de Lentilhas, “para aquecer no tempo frio”. Depois, recria-se um piquenique, ou “Petiscada”. Sobre a mesa, uma mini-toalha em xadrez, onde se pousam vários petiscos – alguns adicionados recentemente. Há Presunto de Porco Preto, da região de Barrancos (tem 40 meses de cura e serve sobre uma tosta com toque de foie gras), Terrine de Vitela com molho de vinho do Porto e erva-doce, a saborosa Salada de Atum e Feijão-Frade, da Beira Litoral, com direito ao azeite e vinagre e espuma de feijão frade, a Ostra do Alvor com molho verde de salicórnia e ainda o Bacalhau à Brás, “criado em Lisboa” e colocado entre crocantes de batata frita. Uma espécie de “Volta a Portugal” sem sair do sítio. Os sabores de sempre, da memória coletiva, estão lá, mas com apresentação renovada e inesperada.

Entretanto, saboreie o pão caseiro de massa-mãe com levedura natural, acompanhado do tradicional folar transmontano e da manteiga de leite de cabra.

A viagem continua pelo mar, com um Bulhão Pato frio da Estremadura. Aqui, a salinidade dos bivalves é reforçada pelo plâncton e, para fazer ainda melhor proveito das amêijoas, é sugerida a frescura do 100 Igual 2015, um vinho verde branco de Amarante.



A Garoupa de Tomatada faz a transição para o excelente Arroz de Lavagante Azul, que dá vontade de repetir uma e outra vez... As propostas “marítimas” não se ficam por aqui. Fazendo justiça à extensão da costa portuguesa e ao peixe de qualidade que sai das águas profundas, é a hora do típico Salmonete à Setubalense, que vem com uma caldeirada do seu fígado “delicado”. No campo das bebidas, serve-se um Chitas 1984, de Colares, monocasta Malvasia.

De regresso a terra, seguem-se duas propostas para os amantes de carne, como o interessante Naco de Vaca velha minhota (maturação de 60 dias), numa abordagem “do rabo à cabeça” que trabalha várias dimensões da matéria-prima. Inclui a moleja, cecina e ainda um “mil folhas” de couve. Já o Veado da região de Trás-os-Montes, mais recente, vem enriquecido com jus do mesmo, trufa e o pormenor verde do agrião. Aceita-se o conselho do sommelier, Rui Costa, e é servido um Dona Maria Reserva tinto de 2005, para acompanhar. Passados em revista os momentos principais e já com a reta da meta à vista, há que “aligeirar”... Como pré-sobremesa, a sublime Maçã verde com limão e crumble de pistáchio, uma novidade que casa na perfeição com o “reduzido teor alcoólico e alta componente cítrica, frescura e acidez” do Soalheiro Dócil 2016.

Um Messias Tawny com mais de 40 anos é o escolhido para fazer brilhar a sobremesa. Impossível não sorrir com o Ovo Mole, numa abordagem divertida, que “brinca” um pouco com este símbolo de Aveiro. Uma galinha de vidro guarda um “ovo” num ninho de fios de ovos, que recriam a palha. A base é um crumble de nozes com canela. A forma e consistência do “ovo” são asseguradas por uma fina camada de gelado, feita com sorvete de baunilha, e o recheio é de espuma de creme de ovo. Os curiosos podem também pedir a nova e muito bem apresentada Amêndoa transmontana, em várias texturas: creme, sorvete, licor e uma cobertura de chocolate negro. Para ir sem hora de regresso...

O restaurante O Paparico (Rua de Costa Cabral, 2343, Porto. Tel. 225 400 548) está aberto para jantares de terça-feira a sábado das 19h30 às 23h00. Preço médio: €90.

Guia Boa Cama Boa Mesa 2017

Com o restaurante Paparico, o Boa Cama Boa Mesa continua uma ronda semanal pelos premiados da edição 2017 do Guia Boa Cama Boa Mesa, quando faltam poucos meses para se conhecerem os vencedores deste ano. Recorde a lista dos melhores, no artigo Guia Boa Cama Boa Mesa: Restaurante LOCO e Belmond Reid's Palace vencem em 2017

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