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Italiano com amor, já abriu o restaurante de Jamie Oliver em Lisboa

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É um dos mais mediáticos e famosos chefes de cozinha do mundo e escolheu o Príncipe Real, em Lisboa, para dar a conhecer a paixão pela gastronomia de Itália

Marketing, muita confiança, amor e… comida italiana. Esta é, em resumo, a forma de descrever o primeiro restaurante de Jamie Oliver, em Lisboa. Seria, talvez, mais um novo espaço gastronómico da capital, entre tantos outros que abrem portas a cada semana, não fosse o seu patrono e mentor… Jamie Oliver, um dos mais mediáticos e famosos chefes de cozinha do mundo, de origem inglesa, e que se tornou universal graças à televisão, aos livros e às suas “lutas” pela mudança dos hábitos alimentares do povo britânico e em defesa do uso de alimentos bio e de origem sustentável.

Em plena Praça do Príncipe Real, Jamie’s Italian segue a linha dos outros 63 restaurantes desta cadeia espalhados pelo mundo (metade está em Londres). É um espaço bonito e elegante, estilo bistrô, dividido em três pisos e com um total de 174 lugares: uma sala privada na cave, um bar, no piso térreo, onde existem diversas mesas e uma pequena, mas convidativa esplanada. Aqui, está também uma das cozinhas, com presuntos e malaguetas penduradas, e o forno, uma das peças centrais da oferta gastronómica de Jamie Oliver em Lisboa. No primeiro andar, encontra-se uma outra sala de refeições, com vista privilegiada para a Praça do Príncipe Real e uma segunda esplanada, no lado aposto, onde se pode apreciar Lisboa, com destaque para o Castelo de São Jorge. As boas-vindas a este piso são dadas pela máquina onde, diariamente, é feita a massa fresca – a pasta -, que municia vários pratos da ementa, preparados numa segunda cozinha, também, à vista. Existem, claro, muitas fotografias e livros do chefe britânico, que reforçam a vertente de marketing. “Todos os dias preparamos massa fresca com farinha “00”, farinha de trigo, ovos free range e muito amor”, lê-se numa ardósia, estrategicamente pendurada na parede do restaurante.

Na verdade, aqui, todos vestiram a camisola Jamie Oliver. O chefe de cozinha residente, Paul Galli veio diretamente do restaurante de Glasgow e todos os elementos da equipa passaram, pelo menos um mês, em espaços do mediático chefe. Rita, a eloquente funcionária de sala que serviu a mesa onde os jornalistas conheceram a carta do restaurante, esteve em Manchester e tem uma “história” para cada prato ou cada ingrediente, com a maioria a desaguar na figura de… Jamie Oliver! Existe, por tal, grande confiança no serviço e, acima de tudo, nos primeiros resultados. Depois de quase um ano de obras e preparação, o restaurante abriu na sexta-feira ao jantar e hoje, a o tempo de espera por uma reserva é de 10 dias.

Para não ofuscar a inauguração e não desviar as atenções, o chefe britânico não esteve na apresentação do seu mais recente Jamie’s Italian (Praça do Príncipe Real, 28 A, Lisboa. Tel. 925 301 411). Virá, um dia, sem aviso prévio, garantem os responsáveis, em Lisboa, mas deixou uma mensagem: “Desde criança que sou fã da paixão com que os italianos encaram a comida, a família e a vida, não importa de onde vêm ou quão pobres ou ricos são. É, por essa razão, que me fascina tanto a sua cultura – boa comida para toda a gente, não importa em que circunstâncias…” E, antes de entrar na comida italiana que Jamie Oliver oferece em Lisboa, sublinhe-se a integração de produtos portugueses na carta: todas as carnes de frango, bovino e borrego são nacionais, um dos azeites também tem origem em território nacional, e foram escolhidos cerca de uma dezena de vinhos de várias regiões portuguesas, a maioria de pequenos produtores. Também o chamado “vinho da casa” é “made in Portugal”. Tendo em conta o facto de este ser um projeto internacional – o primeiro Jamie’s Italiana abriu em Oxford, em 2008 -, todos os nomes dos pratos estão em inglês, a que se acrescenta uma descrição em português.

Recapitulando. Marketing, muita confiança, amor e… comida italiana. Agora, já sentados à mesa, a curiosidade instala-se nas latas de tomate (pommodoro) estrategicamente alinhadas, aos pares. Decoração? Não. Suportes para “As Nossas Famosas Tábuas” (€7,50, por pessoa), uma de carnes (com salami de funcho, mortadela com pistáchio, prosciutto e schiacciatta picante, mini mozzarella de búfala, queijo pecorino e geleia de chili, pickles, azeitonas e salada roxa) e outra vegetariana (vegetais grelhados, marinados em alho e azeite de ervas aromáticas, mini mozzarella de búfala, tomate e crostini com ricotta, molho de feijão aromatizado com alho, grissini, pickles e azeitona). Estas tábuas podem chegar à mesa em versões individuais ou até um máximo de quatro pessoas. São colocadas em cima das latas de tomate para que, explicam, os aromas e o impacto visual, as torne ainda mais tentadoras. E foram! Da carta do restaurante foram ainda dados à prova outras entradas, como “Mushroom Fritti” (€4,95), uns ótimos cogumelos panados e fritos, acompanhados por maionese com paprica; e “Ultimate Garlic Bread” (€4,75), um saboroso pão brioche com alho, alecrim e parmesão ralado. Na ementa encontra, entre outras entradas, lulas fritas com chili; bruschetta de sapateira (ambas a €7,75) e “Pumpkin Arancini” (€4,75), ou seja, bolinhas crocantes de risotto com abóbora assada e pecorino.

Na secção dedicada à “pasta fresca”, a equipa do Jamie’s Italian levou à mesa dois pratos: “Squid & Mussel Spaghetti Nero” (€13,95), um clássico, com esparguete negro de tinta choco e diversos ingredientes marinhos, como o polvo, a lula e o mexilhão; e “Our Famous Prawn Linguine” (€14,25), uma versão de outro “best seller” da cozinha italiana, com a massa envolvida em camarões ao alho, acrescida de chili fresco e rúcula. Nota alta para a frescura e qualidade da pasta, mas com a confeção a necessitar ainda de alguma afinação. Seguiram-se neste festim, um par exemplificativo da oferta de pizzas (no total são oito): “Prosciutto” (€12,95), com a qualidade da massa e do presunto San Danielle a fazerem toda a diferença, para melhor, e “Truffle Shuffle” (€15,95), em que a tradicional base de tomate é substituída por molho branco (bechamel) e composta por queijo Fontal, cebolas aromatizadas e trufa preta. No centro, um ovo “free-range”, ou de galinhas felizes, como refere o staff.

Sem oportunidade de provar o “The Jamie’s Italian Burguer" (€12,95), com molho especial da casa e pão brioche, o almoço seguiu para os pratos mais substanciais da carta, com destaque maior para as excelentes costeletas de borrego grelhadas, com pimentos agridoces (vermelho e amarelo) e cebolas assadas, acompanhadas de polenta chips. Na carta, esta sugestão apresenta-se como “Lamb Chops Scottadito” (€17,95), também anunciadas pela equipa de sala como “queima-dedos”, de tão irresistíveis que são, que “os clientes nem esperam que arrefeçam…” Para fechar a refeição, existem oito propostas, do “Vin Santo Tiramisu” (€4,95) à "Wobbly Panna Cotta" (€4,75), além de um tentador “Amafli Lemon Meringue Cheesecake" (€6,50), de forte impacto visual e melhor sabor, com um toque de groselhas pretas.

Fica a indicação que ao longo do mês de fevereiro o restaurante encerra entre o final do almoço e o início dos jantares, mas o objetivo é manter a cozinha a funcionar das 12h00 até às 23h00.

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