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Bragança: o novo farol gastronómico do norte de Portugal

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Restaurante G

Manuel Teles

Da famosa alheira aos menos conhecidos butelo e casulas, e passando pelos pratos de caça, a cozinha tradicional transmontana é, garantidamente, forte em aromas e sabores. Mas, existem restaurantes, que buscam novos horizontes gastronómicos, a partir da excelência dos produtos e do conhecimento dos mais antigos. Depois da família Geadas, que tem como laboratório o Restaurante G, na Pousada de Bragança, a cidade recebeu recentemente, o novo projeto André Silva, batizado de Porta Restaurante. O chefe deixou a Casa da Calçada, onde manteve a estrela Michelin e o Garfo de Ouro, do Guia Boa Cama Boa Mesa, para se aventurar em Trás-os-Montes. Bragança começa a assumir-se como um novo farol gastronómico de Portugal, com a cozinha de autor a chamar os holofotes e a ajudar também a divulgar e elogiar a gastronomia desta região. Siga a rota Boa Cama Boa Mesa pelos melhores restaurantes e tascas de Bragança

Restaurante G
Com as obras de remodelação na Pousada de Bragança a terminarem, a cozinha do Restaurante G tem, finalmente, condições de brilhar (ainda mais) e de colocar o destino que para uns é mais do que remoto, no centro das atenções gastronómicas nacionais. Liderado por Óscar e Tó Gonçalves, uma dupla oriunda de uma família com pergaminhos na gastronomia local, o restaurante deu à cidade um espaço que, de forma ousada, soube misturar sabores locais com técnicas modernas, fazendo sempre prevalecer o produto e a região. Em 2017, o Restaurante G renovou o Garfo de Ouro confirmando a evolução da aposta que merece ser provada através dos vários menus de degustação. Para memória futura ficam propostas como a bola de Berlim com queijo Terrincho e presunto bísaro e o Ferrero Rocher de alheira com amêndoa e ouro comestível. O restaurante, com uma vista magnífica para o Castelo de Bragança, distingue-se também pelas propostas vínicas, com sugestões inusitadas e preferencialmente da região. Preço médio: €45.
Pousada de Bragança, Rua Estrada do Turismo, Bragança. Tel. 273 331 493

Porta Restaurante
Aos poucos, Bragança aproxima-se do centro da gastronomia nacional. André Silva, um chefe com Garfo de Ouro do guia Boa Cama Boa Mesa e estrelas do Guia Michelin é a prova disso. A mais recente aposta deste brilhante cozinheiro é o Porta Restaurante, de nome simples, mas cheio de sabores genuínos e apresentações sofisticadas, óbvias para grandes centros urbanos, mas atrevidas para uma capital de distrito como Bragança. A carta está estruturada em três atos, leia-se menus de degustação (entre €35 e €70), e uma carta que além de técnica, revela forte identidade e criatividade. As propostas Javali e castanha, com molho de vinho tinto, alho negro, torresmos, maça (€17) e a Vitela Maturada e alcachofras, que acompanham com Cherovia, mouriles, molho de vinho tinto, espargos (€21) são provas da ligação entre técnica e regionalidade. A bola de alheira servida na língua de um tradicional Careto, um deleite para todos os sentidos. Uma palavra ainda para a jovem equipa da cozinha, onde aparece Gerson Oliveira, vencedor da última edição da Revolta do Bacalhau, e braço direito de André Silva na condução dos tachos.
Largo Forte São João de Deus 204, Bragança. Tel. 273 098 516

D. Roberto
A decoração, com as paredes em pedra cheias de inúmeros utensílios agrícolas é a primeira coisa que chama a atenção nesta casa transmontana recuperada, onde habita o restaurante D. Roberto. Acumula quatro áreas distintas, para que ninguém se sinta defraudado: duas salas de refeições, taberna típica, para visita petisqueira, e uma loja de produtos regionais transmontanos. Na típica loiça pintada a azul são servidos os enchidos da região, nomeadamente a Alheira de Vinhais assada ou o Cordeiro Bragançano DOP assado, servido com batata a murro e legumes. Esta é uma terra (e um restaurante) dedicado à carne, nomeadamente ao porco Bísaro e a caça (javali e perdiz, apresentados em pratos para duas pessoas). Na sobremesa destaque para o Pudim de castanha e para os Milhos doces com compotas. Preço médio: €20.
Rua Coronel Álvaro Cepeda, 1, Gimonde. Tel. 273 302 510

O Geadas
Muitos dos que se sentam à mesa do elegante restaurante O Geadas desconhecem a bonita história familiar que a cozinha guarda. Nos fogões, lidera Iracema Gonçalves, já lá vão muitos anos. Os filhos, Óscar e António, seguiram-lhe o gosto e, depois de apurada formação, renovaram a ementa, tornando-a mais contemporânea e garantindo as raízes transmontanas. É desta forma que duas gerações evoluem para prazer dos comensais, que aprovam, com aplauso, pratos como perdiz estufada com castanhas, depois de se deliciarem com salpicão de Vinhais e queijo Terrincho. Não deixe de provar o pudim de castanhas. Garrafeira regional com diversos tesouros. Preço médio: €25
Rua Damasceno de Campos, Bragança. Tel. 273 326 002

Solar Bragançano
Há mais de 30 anos que o restaurante Solar Bragançano, sob a batuta de António Desidério e Ana Maria, dá cartas na restauração transmontana. Numa casa setecentista reina o requinte. Da decoração, do atendimento, e da comida. E que se vê em pormenores como os castiçais que decoram cada mesa, as tolhas e guardanapos de pano, os copos da Marinha Grande ou a água servida num jarro de vidro e prata. Numa ementa fixa e onde é difícil escolher destaque para os pratos de caça, nomeadamente a Perdiz com uvas e frutos silvestres, o Arroz de lebre à moda do solar ou o Coelho bravo à Monsenhor. Acompanhe com vinho Solar Bragançano e termine com a imperdível Abóbora dourada. Preço médio: €25.
Praça da Sé, 34 - 1º, Bragança. Tel. 273 323 875

O Bem Falado – Tio Artur
O nome vem de uma das mais carismáticas figuras da cidade de Bragança, conhecido pela boa disposição e pela proximidade com os estudantes do Instituto Politécnico. O reconhecimento é tal que acabaram por dar o nome do taberneiro a parte da Rua da Terra Fria. Uma homenagem aplaudida por toda a população e pelos muitos visitantes que procuram os Rojões, a Codorniz e ainda o Chouriço e a Alheira, os principais petiscos que ali se servem. Mas há mais propostas, muitas delas sazonais, ou então criadas consoante o que há nos mercados e nos produtores locais. O espaço faz parte do roteiro obrigatório dos caloiros da cidade que usam o restaurante O Bem Falado - Tio Artur como uma espécie de cantina. Prove a Charabanada, uma bebida que mistura vinho branco, cerveja, açúcar e refrigerante de sabor a limão, bastante popular entre os mais novos. Preço médio: €10
Rua Tio Artur, 10, Bragança. Tel. 273 324 178

Taberna do Javali
Aproveitando, bem, a experiência e o conhecimento adquirido em família (a referência é o restaurante O Javali, Flávio Gonçalves aventurou-se dentro das muralhas do Castelo de Bragança, com um conceito descontraído, mas não menos saboroso, batizado de Taberna do Javali. O menu pode começar com pequenas tapas de perdiz de escabeche, seguidas de sandes de javali ou de um, inesperado hambúrguer de… javali. Existem outras opções como o presunto de cebolada, os rojões e diversos enchidos e queijos. Junto à lareira, no inverno, ou na esplanada, no verão, aqui o javali é rei e senhor. Preço médio: €15
Rua D. Fernando Bravo, 46/48, Bragança. Tel. 936 854 789

Tasca do Zé Tuga
"Se quer comer, bem venha cá!" Este é o lema da Tasca do Zé Tuga, que acrescenta ao nome: “vinho, petiscos & conversa”. Magnificamente localizada dentro das muralhas do Castelo de Bragança, abriu portas em 2015, com objetivo de recrear as antigas tabernas e, ao mesmo tempo, dar a conhecer os produtos da região. Por aqui, servem-se desde tábuas queijos e enchidos até pregos e hambúrgueres de carne mirandesa e até uma cerveja artesanal de castanha. Se optar pelo menu, conte com cinco momentos, das entradas até à sobremesa. Informe-se ainda que esta tasca nasceu da vontade e sonho de Luís Portugal, que ganhou notoriedade pela participação no programa MasterChef Portugal. Preço médio: €20.
Rua da Igreja, 66, Bragança. Tel. 273 381 35

(Texto adptado do artigo publicado no Expresso Diário de 18/01/2018)

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