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Bowls&Bar: As tacinhas chegaram a São Bento

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A origem da ideia é importada da Ásia, mas foi nas redes sociais que esta tendência gastronómica ganhou força

Há uns tempos dizia um amigo que “o conceito de comer em tacinhas ainda vai ser uma cena”. Nós portugueses, que temos vindo a acreditar na ideia de que as malgas têm como função essencial servir sopa, temos sido alunos exemplares nesta nova matéria que são os Bowls. E aqui entre nós, temos passado com distinção no que diz respeito à adoção de tão novo hábito à mesa - não se trata apenas de trocar um prato por uma taça (bowl) mas também de substituir a faca e o garfo por um par de pauzinhos.

A origem da ideia é importada da Ásia mas foi nas redes sociais que a tendência ganhou força, com milhares de fotografias diárias a transportarem-nos para uma praia paradisíaca em Bali onde se acompanha o por do sol com uma taça de cores garridas que pode juntar lá dentro um pequeno-almoço revigorante tanto quanto uma salada fresquinha ou uma base de arroz com legumes, coberta de carne ou peixe.

Em Lisboa, concordando com a profecia lançada no início deste texto, a moda pegou e o Bowls & Bar, aberto recentemente na esquina da Rua de São Bento com a Rua de São Marçal, é um digno representante do movimento.

O cérebro por trás da operação, Kate, veio de férias a Portugal e quis ficar para sempre. Já tinha dois cafés detox em Moscovo e achou que ideia podia ser transportada para cá com as devidas adaptações. Não sabia nada sobre Portugal mas percebeu rapidamente que a comida nacional tinha uma base de conforto e a partir daí começou a pensar numa forma de a transpor essa mesma sensação para dentro de uma taça. Não há feijoadas nem jardineiras para comer com pauzinhos, até porque era capaz de não resultar, mas aproveitando a qualidade e riqueza de ingredientes frescos nos mercados, nasceu uma ementa despretensiosa que cobre as principais refeições do dia. Tudo servido em taças.

Para o pequeno-almoço, que é servido a qualquer hora do dia, há as clássicas bowls de iogurte e granola (€5) com sementes de chia e girassol, hortelã e flores comestíveis e uma sugestão particularmente original, a turca, que junta iogurte com molho de tomate, ovos cozidos, brotos de ervilha e pão (€8). Depois, para o almoço e jantar acrescenta-se a proteína animal e nascem as bowls de atum, salmão, bife e vegetariana, que partilham uma base de arroz, vegetais marinados e outras verduras frescas (a partir de €8). Mas, como em Portugal, se deve ser português, o conceito alargou-se a outros pratos para comer à mão, desta vez numa vertentes mais petisqueira, onde não faltam o paté de fígado de frango com ameixas (€4), as tábuas de queijos e enchidos e o camarão em molho de pesto cremoso (€8).

Com horário alargado até à meia-noite, o Bowls&Bar (Rua de São Bento, 51, Lisboa. Tel. 934 413 708), que se destaca pelas enormes portas de vidro, é também cafetaria e bar de cocktails de assinatura, alguns dos quais concebidos especialmente para acompanhar as refeições, como é o caso do spritz de morango (€8), que se trata no fundo de uma infusão de aperol com morango, vinho frisante, manjericão e toranja.


Um facto curioso, partilhado pela dona da casa: é no Bowls & Bar que almoçam grande parte dos funcionários da Assembleia da República, cada vez mais adeptos da cozinha do mundo que se come com pauzinhos.

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