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Zé Manel dos Ossos: emblema gastronómico de Coimbra

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Zé Manel dos Ossos

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Existe há mais de 50 anos numa ruela apertada da baixa e é uma das maiores referências em Coimbra. A feijoada de javali é famosa, mas foram os ossos de porco cozidos que deram origem à casa.

Muitas linhas já se escreveram o Zé Manel dos Ossos mas curiosamente não há memória de alguém alguma vez ter falado do crocodilo pregado ao teto. Já se ouviram histórias sobre os bilhetes que os clientes deixam na parede, sobre as filas à porta, descrições detalhadas do espaço que é tão castiço, e pequeno por sinal, mas a ausência de relato sobre o bicho enorme pendurado sobre as mesas leva a crer que muito pouca gente terá tirado os olhos do prato.

Para quem vai a Coimbra é quase certo que a recomendação para jantar seja o “Zé Manel dos Ossos”. Há quem se assuste com o nome porque comer ossos não parece grande coisa dito assim de repente.

Em rigor o restaurante chama-se só Zé Manel, o nome do fundador que hoje, aos 85 anos, já passou os tachos à geração seguinte. Abriu como taberna em 1942 e só em 1959 é que se transformou em casa de pasto servindo petingas de escabeche e ossos de porco cozidos. Os dois pratos ficaram na carta e transformararm-se em boas obrigações para quem se sente nesta casa. As petingas (€0,35 a unidade) para entreter, os ossos (€5,75) para começar e depois a feijoada de javali (€8,10). Ou então, pode-se ficar pelos ossos e ir adequando as doses à medida que se vai ajeitando a comê-los. É preciso escarafunchar - batalhar às vezes - para conseguir arrancar aquele bocadinho que ficou preso no fundo.

O Zé Manel dos Ossos (Beco do Forno, 12, Coimbra. Tel. 239 823 790) não mudou muito desde o início, mas foi acrescentando ao longo dos anos outras especialidades regionais, cozinhadas à antiga, como é o caso da Chanfana à moda da aldeia com batata cozida e das Costeletinhas de porco com arroz de feijão. As toalhas são de papel, o vinho é da casa, em jarro ou garrafa, e a refeição deve terminar sempre com um “vomitado”, o nome escolhido para o doce de ovos com amêndoa.

Apesar de estar bem escondido numa ruela da Baixa de Coimbra, há muitos anos que ninguém corre o risco de aparecer sem reserva - não há memória de alguém ter conseguido lugar sem ter de esperar à porta. Se quiser tentar a sorte, o ideal é chegar cedo ir pedindo umas cervejas ao balcão para passar o tempo.

O espaço Zé Manel dos Ossos, em Coimbra, é um dos estabelecimentos selecionados para integrar o guia Tascas e Petiscos by Boa Cama Boa Mesa, que vai estar à venda com o Expresso, a partir de dia 18 de novembro.

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