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Tascas e petiscos: conheça os locais preferidos dos melhores chefes nacionais

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Colecionam Garfos de Ouro e de Platina e diversos prémios internacionais, descobrem sabores, inventam fórmulas químicas ao fogão e lideram restaurantes de excelência em Portugal. Mas, quando se trata de comida de tacho e de petiscos, quais são os restaurantes e tascas preferidos dos mais mediáticos chefes nacionais?

Alexandre Silva, José Avillez, Rui Paula, Ljubomir Stanisic, Henrique Sá Pessoa e Leonel Pereira são apenas seis entre mais de duas dezenas de chefes que partilham a rota das tascas e tabernas onde gostam de ir e quais os petiscos imperdíveis em cada uma delas. Acompanhamos a viagem e damos-lhe, agora, um cheirinho do que vai poder conhecer, ao pormenor e detalhadamente, no próximo Guia de Tascas e Tabernas com o selo Boa Cama Boa Mesa. Nas bancas a partir de 18 de novembro.

José Avillez
Coleciona restaurantes e com eles uma série de prémios. Na edição de 2017 do Guia Boa Cama Boa Mesa, voltou a confirmar a linha mestra que segue na gestão da(s) sua(s) cozinha(s) com a conquista de mais um Garfo de Ouro. Gosta da cozinha tradicional tanto quanto da alta gastronomia e domina ambas com um raro à vontade. Em Lisboa, às sextas-feiras e sábados, é possível encontrá-lo no Zé da Mouraria, entretido entre um pratos de iscas e uma posta de bacalhau. No Porto, um dos seus locais preferidos é a Adega de S. Nicolau, onde vai pelas pataniscas de polvo com arroz do mesmo - a descrição do prato parece engraçadinha, quase cómica até, mas entre os profissionais que atestam a veracidade da coisa designa-se assim mesmo. No Algarve, desde que não seja em julho ou agosto, vai pelo marisco e, acima de tudo pelas ostras e tem na Casa da Igreja, em Cacela Velha, um dos pontos de paragem obrigatórios.

Ljubomir Stanisic
Sem papas na língua, mas muito apreciador da mesma, sempre que possível estufada, é grande adepto do petisco para comer à mão. Na época deles, atira-se aos caracóis e às caracoletas na Cervejaria Germano, em Lisboa, onde também vai pelos rins e pelas moelas, que garante serem ricos exemplos da cozinha honesta e familiar que ainda prevalece em algumas casas da cidade. O bacalhau na brasa, um dos favoritos do chefe, encontra-o na Marítima de Xabregas, onde as quintas-feiras são dedicadas ao cozido e há dias certos para um entrecôte memorável. No Porto, vai frequentemente à Casa Inês pelas especialidades ali preparadas: os filetes de polvo, as tripas, os bolinhos de bacalhau e aquela que diz ser a melhor aguardente da “candonga”.

Alexandre Silva
Em 2017, já ao comando do LOCO, acrescentou o Garfo de Platina Boa Cama Boa Mesa à lista de galardões conquistados. Muito justamente, diga-se em rigor. Alexandre Silva é um génio gastronómico, um iluminado da causa culinária. Quando não está na cozinha, gosta de comer o que outros cozinham e é bem ao lado do LOCO que encontra uma das suas tascas de eleição: a Flor da Estrela, onde vai frequentemente atrás dos jaquinzinhos fritos do Sr. Germano. Para comer bacalhau, desce até Santa Apolónia, mais concretamente ao restaurante Maçã Verde, onde garante encontrar a melhor posta assada e as mais competentes batatas a murro de Lisboa. Não raras vezes, faz um “pequeno” desvio até Vila Nova de Milfontes, à Tasca do Celso, onde se entrega sem pudores ao Alentejo à mesa, seja no borrego, nos arrozes ou no peixe grelhado.

Henrique Sá Pessoa
Não foi fácil arrancar sugestões de tascas e tabernas a Henrique Sá Pessoa. Percebemos bem, também nós preferíamos guardá-las em segredo para evitar aquela coisa das “modinhas gastronómicas” que ultimamente têm transformado sítios tendencialmente pequenos por natureza em palcos de romarias desenfreadas. Ainda assim, para o chefe do premiado Alma importa encontrar, tanto quanto a boa comida, casas com ambiente familiar. Sugere, por isso, a Cervejaria Ramiro, pelo óbvio peixe e marisco frescos que serve mas também, e sobretudo, pela descontração a que obriga entre martelos, pinças e gotas de limão atrevidas que voam de mesa em mesa. Fora do domínio da cozinha tradicional portuguesa, é no Grande Palácio Hong Kong, o mais próximo de uma tasca cantonesa em Lisboa, que encontra o melhor Pato à Pequim. Perto de casa, em Colares, tem no Restaurante da Adraga a sua cantina (todos temos, não é?) e é lá que vai sempre que procura uma refeição de peixe e marisco com vista para o mar.

Rui Paula
É um homem do norte, com tudo o que isso representa na forma como gosta de receber e ser recebido. A sua humildade, que podia perfeitamente não combinar com uma carreira irrepreensível ao serviço da cozinha portuguesa, está bem representada nas escolhas partilhadas no Guia Tascas e Petiscos, que se destacam pelos sabores genuínos, honestamente portugueses e sem truques. O chefe do restaurante Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, agora também consultor do Tivoli Lisboa e Tivoli Palácio de Seteais, não fala de pratos ou petiscos específicos, até porque ao sugerir um restaurante já está praticamente assegurado o selo de confiança. No Porto, Rui Paula encaminha para a Casa Nanda, onde diz encontrar sabores bem trabalhados. Em Lisboa, pelo mesmo motivo, encontramo-lo à mesa da Taberna Sal Grosso e do restaurante Maçã Verde.

Leonel Pereira
Podia perfeitamente estar quieto no seu canto a continuar a dominar o cenário gastronómico nacional. Podia encostar-se ao sucesso e à justa fama que tem vindo a consolidar ano após ano (ganhou um Garfo de Ouro na edição de 2017 do Boa Cama Boa Mesa), mas não. Leonel Pereira é elétrico por natureza, inventivo por vocação. Gosta de provar e conhecer os sabores genuínos das tascas e tabernas portuguesas e nunca se faz rogado a uma boa “tainada”. Guarda na memória as vieiras que comeu na Taberna da Rua das Flores, em Lisboa, mas se tivesse de escolher entre elas e as iscas, sairia de coração partido. Depois, e por gosto pessoal, tem certo fraquinho pelo peixe e no que aos pratos de mar diz respeito, diz maravilhas do atum na chapa que se serve no Tapas e Lendas, em Olhão, e do polvo da Tasca do João, em Faro, que, tanto quanto sabe, é uma receita de família que já vai na segunda geração.

(Texto publicado no Expresso Diário de 2/11/2017)

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