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Restaurante Comida de Santo: o Brasil autêntico servido à mesa

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Feijoada à brasileira do Comida de Santo

Foto Nuno Ferreira Santos

É uma casa brasileira com sotaque português, onde tudo o que sai da cozinha replica na perfeição o que se cozinha do outro lado do Atlântico.

Gilberto Gil escreveu, musicou e cantou. António e Flor, o casal português por trás do restaurante brasileiro mais antigo de Lisboa, assina por baixo.

“No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração”

A comida baiana tem a característica de ser odiada ou amada . Não existe meio-termo e a culpa, diz-se, costuma ser do quiabo, aquele fruto ligeiramente peludo que se transforma numa baba pastosa e fibrosa e que é uma das bases da gastronomia do nordeste brasileiro.

Para António Pinto Coelho, um português apaixonado pelo Brasil em geral e pela comida brasileira em particular, o quiabo não é assunto, tanto quanto não seria, por exemplo, o refogado em Portugal. É um bem necessário sem o qual a maior parte dos pratos típicos da Bahia não existiria. E ponto final.

Esta história de amor tem início nos anos 70, altura em que António e Flor deram início a uma ponte aérea entre cá e lá e que rapidamente teve como resultado a abertura de um restaurante em Lisboa onde se fizesse comida brasileira a sério. Não chegava para matar as saudades, nunca chegou, mas foi a fórmula encontrada para acalmar o coração, que desde então foi batendo a dois tempos.

No restaurante Comida de Santo (Calçada Engenheiro Miguel Pais, 39, Lisboa. Tel. 213 963 339), no Príncipe Real, encontra-se o tropicalismo do outro lado do Atlântico na decoração, na simpatia do serviço, na banda sonora e na ementa.

À Feijoada, cozinhada à moda do Rio de Janeiro (€14), juntam-se os clássicos do Norte do Brasil, como é o caso do Vatapá, um estufado de peixe desfiado e camarão seco com amendoim e óleo de palma (€16), e a carne de sol, que originalmente secava ao sol, e cujo processo é agora recriado com uma cura de sal (€15).

Para começar, a Casquinha de siri, o caranguejo que na Bahia é uma espécie de tremoço e que se encontra em qualquer boteco como companhia de uma cerveja geladinha, é obrigatória. É servido em patê, umas gotas de limão e, para os apreciadores, com umas gotas de picante caseiros feito à base de vodka. (€5).

No final, a maioria opta pelo Quindim, “o melhor da Europa”, anunciado na ementa (€5), mas a Bananada, com banana cozinhada em calda de açúcar, cravinho e canela (€5) também é boa opção.

Embora não seja comum acompanhar refeições com caipirinha, aqui este é sempre uma (boa) opção a considerar. Moderadamente alcoólica (tanto quanto um copo de vinho), equilibra na perfeição o tempero puxado dos pratos.

Para já, António e Flor vão andando por cá, mas sempre que podem fogem para o outro lado onde têm grande parte dos amigos e uma parte maior do coração.

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