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Restaurante Al Garage: Agora sim, já se pode falar em “cozinha italiana de verdade”

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Numa antiga garagem de reparação automóvel, transformaram-se os 500 metros de área num restaurante que elogia a gastronomia tradicional italiana. Sem artifícios ou batotas.

Pai e filho tomam conta da cozinha e dedicam-se com afinco a mostrar que em Itália não se come só massa.

O manjericão é como a banana: onde quer que se acrescente, se não for à cautela, sobrepõe-se a tudo o resto. Se fizer um exercício de memória aos tempos da escolinha, lembrar-se-á que na lancheira das excursões, apesar do tupperware com frango, dos croquetes e sandes mistas, se houvesse uma banana metida ao barulho, a contaminação de cheiros e sabores era dado adquirido.

No que à aromática mediterrânica diz respeito, é comum acontecer o mesmo, mas só quando quem a usa não sabe ao que vai. É, aliás, na desproporção de manjericão que se distingue a má da boa cozinha italiana. No caso do Al Garage (Rua Castilho, 63 B, Lisboa. Tel. 211 919 176) o novo restaurante do grupo Italy Caffe, se dúvidas houvesse em relação ao equilíbrio dos ingredientes usados, cairiam imediatamente por terra com a chegada à mesa do primeiro prato, uma parmiggiana revisitada, com beringela frita, mozarella e fiambre em cama de tomate e molho manjericão (€9), um molho que se pode orgulhar da subtileza e sabor apurado que não arruina tudo o resto.

Mas há outros fatores que atestam que o restaurante Al Garage, aberto desde agosto, é um "vero" italiano. A saber, na cozinha está Giuseppe Micchia, conhecedor do receituário tradicional do país que o viu nascer. Com o filho Marco, em Portugal há 10 anos, decidiu dar a cara pelo parmesão a sério, pela pasta a sério, pelo tomate a sério (que vem diretamente de uma lata de polpa com um quilo) e, espantem-se os que acham que em Itália só se come massa, pela sardinha. A sardinha, explica Marco, é um dos produtos mais transversais do sul de Itália e, contrariamente ao que acontece por cá, na cozinha italiana "a sério" quase nunca tem a grelha como destino (aprenda-se com quem sabe disto!).

Na ementa, aparece pouco, mas em bom, no Spaghetti alla palermitana (€14,50) que a junta a tomate seco, pinhões, funcho, passas, pão ralado, azeite e alho, e enrolada em bacon.

Como boa casa "della mamma" que é, embora comandada por um pai, o restaurante Al Garage tem na Pasta alla forma (€15) uma das estrelas do cardápio, não apenas pela maravilha que é, mas por toda a "mise en scène" implicada na preparação. Podia ser um simples esparguete com cogumelos, presunto e azeite de trufa branca, não fosse o facto de ser mergulhado num grana padano de 40 quilos, onde a massa é envolvida em queijo acabado de ralar antes de seguir para o prato.

Da lista constam, ainda, as pizzas, os risotos, as saladas, a carne, o peixe e os ravioli mas se é para ter a experiência completa, aconselha-se arriscar nas combinações desconhecidas apresentadas no restaurante Al Garage.

A Panacota de caramelo (€3,50) e os Profiteroles com chocolate quente (€4,50) encerram a refeição, mesmo a tempo de se acompanhar o café com uma "grappa" caseira (€6).

Não deixe de visitar a mercearia de produtos italianos e, se for o caso, de levar alguns exemplares originais para casa - tudo coisas que não encontra nos supermercados comuns.

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