Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Mesa

Chutnify: De Berlim para Lisboa, chegou o restaurante indiano moderno e divertido

  • 333

Informal, colorido e exótico. A cozinha indiana moderna já chegou ao Príncipe Real. Chama-se Chutnify e tem dois “irmãos” na Alemanha

Dias depois da cadeia de televisão norte-americana CNN ter apontado Lisboa como a nova Berlim, da capital alemã chegou ao Príncipe Real um novo conceito de cozinha indiana: moderno, informal, colorido e, porque não, divertido. Chama-se Chutnify e chegou à capital portuguesa resultado (também) da paixão de Aparna Aurora, designer de moda, por Portugal e, mais precisamente por Lisboa. Verdadeira cidadã do mundo, Aparna nasceu em Nova Deli, mas já estudou e viveu em países e cidades tão distintos como Hong Kong, Londres, Austrália, Nova Iorque, Brasil e Madrid, até se basear na renascida e agitada Berlim, a capital da Alemanha unificada. Nesta vibrante cidade, Aparna seguiu o espírito empreendedor que se respira a cada esquina e abriu dois restaurantes de cozinha indiana “autêntica e inspirada em muitos pratos de street food do sul da Índia”. Por outras palavras (o melhor é mesmo provar), os restaurantes Chutnify pretendem “revelar os verdadeiros sabores indianos” e, ao mesmo tempo, dar a “mostrar um pouco da cultura moderna da Índia”. Garantidamente, o novo Chutnify Lisbon (Travessa da Palmeira, 46, Lisboa. Tel. 213 461 534) não é “mais um” restaurante indiano em Lisboa! Da mesma forma que os dois existentes em Berlim abriram caminho a um novo olhar sobre a cultura indiana, para lá da História e de Bollywood.

Logo ao primeiro olhar percebe-se que o restaurante Chutnify promete algo de diferente e vibrante. As cores da fachada (amarelo) e o toldo azul, com a inscrição “Modern Indian Food” convidam a espreitar. À entrada, o balcão (no final da refeição pergunte pela deusa Ganesha – sempre discretamente presente nos três restaurantes de Aparna – e pelo seu simbolismo) oferece meia dúzia de bancos altos para uma limonada “indiana”, uma espécie de bebida de boas-vindas, batizada de “Nimboo Pani”, que é doce e salgada ao mesmo tempo. Em alternativa, sugere-se que prove uma água de coco enlatada, importada da Alemanha ou um dos divertidos cocktails, que já ganharam fama em Berlim.

No interior, mais uma vez, é obrigado a deixar de parte todos os estereótipos relacionados com restaurantes indianos em Portugal (e não só!). A decoração do Chutnify Lisbon, tal como dos seus “irmãos” berlinenses tem a assinatura de um designer de interiores mexicano, Antonio Medina, e pode-se descrever como estilo “Bollywood kitsch”. Além das cores fortes, vai encontrar diversos objetos soltos, mesas e cadeiras que parecem saídas de qualquer leilão “vintage” e loiça propositadamente desenhada para o restaurante, destacando-se os pratos de cerâmica assinados pelo designer industrial português João Abreu Valente.

Uma observação importante: a cozinha está vista dos cerca de 40 lugares do restaurante. Até porque, como diz Aparna Aurora: “Não temos nada a esconder. Antes pelo contrário, queremos que todos conheçam os verdadeiros sabores indianos. Esta autenticidade permite aos clientes aprender e desfrutar de algo novo numa atmosfera divertida e despretensiosa.” É neste contexto, e também devido à “intensa relação que os portugueses têm com a comida indiana”, que o Chutnify Lisbon já começou a alinhar workshops de cozinha na sua agenda para o inverno.

Para já, o mais importante é ganhar a confiança dos lisboetas, com a garantia de que a grande maioria dos molhos e misturas de especiarias são elaborados diariamente pela equipa de cozinha (o chefe veio diretamente da Índia) e com a grande surpresa que são os preços praticados pelo Chutnify. O prato mais caro da carta custa €15 (Robalo em molho a base de leite de coco, mostarda e gengibre) e o menu de degustação, com seis momentos (servido para um mínimo de duas pessoas), fica por €28.

Outra forma de perceber que o Chutnify é um restaurante indiano diferente é a aposta num prato que “nunca ou muito raramente” aparece nas mesas nacionais: Dosa, um crepe muito fino, oriundo do sul da Índia, e que é feito de lentilhas e farinha de arroz. Tal como nos crepes, o que faz a diferença, para melhor, é o recheio escolhido para cada refeição e, no caso deste restaurante, o chutney de coco que vem à parte. Assim, além da “Plain Dosa”, a versão simples, tem à disposição a “Duck Dosa”, recheada com carne da perna de pato (€12), a “Cheese Dosa”, recheada com queijo, tomate, pimentos e coentros (€9,50) e a famosa – para já em Berlim – “Masala Dosa”, recheada com batatas (€8,20). Para complementar ou para descobrir, existem diversos molhos e saladas, bem como os bem conhecidos Naan, simples ou com alho, mas também em versões mais exóticas como “Peshawari”, com nozes e uva passa dourada, e "Keema", com borrego picado (€3,50).

Como seria de esperar, existem na carta diversos pratos de caril, como “Telangana Lamb Curry”, com pedaços de borrego cozinhados lentamente em especiarias de Andhra (um dos Estados do sul da Índia) e “Malabar Chicken Curry”, com as coxas de frango a serem salteadas com coco e folhas de caril. Para além do robalo, já referido no texto, existem duas opções vegetarianas: “Bagare Baingan” (Beringela, amendoim, tamarindo e coco) e “Punjabi Chole” (Grão-de-bico cozido com especiarias Punjabi). Os preços variam entre €9 e €15. Para duas pessoas, apresenta-se a especialidade da casa, o “Mutton Biryani” (€13), composto por arroz com carne de cabrito e especiarias servido com raita (iogurte misturado com vegetais).

Nas entradas, que podem ser pedidas e partilhadas para que a experiência seja mais abrangente, o destaque maior vai para o “Pani Puri” (€4,50), um prato tipicamente servido nas ruas da Índia, e que obedece a uma certa arte de serviço. O puri (bolinha de trigo frita e com um pequeno orifício é recheada com grão, batata e romã. Chega à mesa, acompanhado de uma molheira com água temperada com especiarias. Com uma colher, coloca-se a “água” dentro do puri e depois leva-se à boca. Aceite o conselho: coma de uma vez e prepare-se para o impacto do picante! (Aparna garante que os níveis de picante, devidamente identificados na carta, foram ajustados para o paladar português).

Outras opções, nas entradas, passam pelas famosas chamuças, aqui identificadas como “Parsnip Samosa”, cujo recheio é feito de cherovia, batata e ervilha, e apresentada com sementes de romã e diversos vegetais, e pelos Kabab de borrego (€6,50) ou salmão (€7,50) grelhados em forno Tandoor.

O restaurante Chutnify vai, para já, funcionar apenas ao jantar, de terça-feira a domingo das 19h00 às 0h00.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook e no Instagram!