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Aljezur: O que se come de novo a Sul

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Cozinha da América do Sul, produtos biológicos, peixe fresco da costa e muita fruta. Aljezur ganhou novos sabores e virou-se (ainda mais) para a comida saudável. Haja praia e sol para acompanhar e não fica a faltar nada

Cato
Até há bem pouco tempo chamava-se L-Colesterol e há muitos anos que era paragem obrigatória para quem passava pela Carrapateira à procura de uma calma que nem sempre é fácil de encontrar na Costa Vicentina. O nome (antigo) deveu-se a um infortúnio no registo, que omitiu o El que devia constar como artigo definido e o substituiu por uma consoante única. Este ano, há pouco mais de um mês, resolveu-se a questão e a casa chama-se, agora, Cato. Manteve-se o espaço, a decoração e, sobretudo, a intenção de criar uma cozinha que rejeita todo o tipo de alimentos processados ou de origem desconhecida. O peixe é o da costa, a carne (a pouca que consta da ementa) de produtores certificados, o pão é caseiro e cozido no forno a lenha e os legumes, frutas, ovos e aromáticas vêm da horta biológica que ocupa as traseiras da casa. Sabores frescos e honestos que não alinham em facilitismos e que, por isso mesmo, se mantêm fiéis às estações e aquilo que a terra oferece. Para picar sugere-se o hummus com chips de tortilha (€4,5), a meia desfeita de polvo com grão (€7,5) e a tortilha da horta com caviar de beterraba (€4,5). Para refeições demoradas, que devem sempre acontecer na esplanada depois de uma caipirinha ou um copo de vinho da região, o bife de touro (€19) oferece 300 gramas de carne de pasto acompanhada de batatas assadas e legumes grelhados. Para as pausas de almoço em dia de praia, há hambúrgueres de carne e vegetarianos (€8). Na medida em que pode ser difícil abandonar o espaço, no primeiro piso há quartos para pernoitar.
Horta do Rio, 8670-230, Carrapateira, Aljezur
282 998 147

La Preferida
Celebrar a cultura peruana à mesa. É assim que este restaurante no Vale da Telha, em Aljezur, se apresenta a quem chega. Fala-se castelhano e português e experimenta-se um modo de vida onde se encontram o Algarve o Peru numa casa que podia ser particular mas que, em vez, está de portas abertas a quem queira viajar pelo tempero da América do Sul. À chegada ao La Preferida a escolha é óbvia e não há como não ficar pela esplanada com luzinhas coloridas, mobiliário de madeira tosca, toalhas com padrões peruanos, pratos desirmanados e uns sofás com almofadões para refastelar depois do repasto. A cozinha está ao lado, virada para a rua e apesar de o balcão ser impróprio para baixinhos, dá para ir espreitando a magia que acontece do outro lado. Os ceviches (a partir de €8,90) dependem do que chega todos os dias da lota mas todos prometem incluir o famoso “leche de tigre”, a marinada peruana que une e tempera os peixes. Na secção de pratos “calientes”, as tradicionais papas rellenas (€8,90) são qualquer coisa parecida com um empadão de carne com alguns acrescentos que, não estando na descrição do prato, podem ser milho, cebola, feijão e tudo o que houver na cozinha que se possa acrescentar. É aliás da técnica do aproveitamento dos restos que vive a cozinha peruana. Prova disso, a chaufa capon (€11,50), uma travessa cheia, bem cheia, de arroz, pimento, carne de porco, polvo, camarão, ovo, cogumelos, temperada com gengibre, óleo de sésamo e molho de ostra. Nas opções vegetarianas, destaca-se a causa veggie (€9,80), com abacate, batata, cogumelos, pimento, cebola e curgete. Ao almoço, há menus por €6,5 e todos os dias, entre as 15h00 e as 18h00, a Happy Hour dá duas bebidas pelo preço de uma.
Urbanização Vale da Telha, Aljezur

La Sardinha
A caminho da praia da Arrifana, os cruzamentos e rotundas podem complicar o mais hábil dos condutores, especialmente quando se anda à procura de um restaurante novo e cuja morada não corresponde no GPS. Para chegar ao La Sardinha, o bar de dois venezuelanos aberto desde abril, o mais fácil é ir seguindo as placas na estrada que vão anunciando “brunch” e “sumos naturais” e eventualmente chega-se lá. E quando já se cortou à esquerda e à direita e depois mais duas voltas para virar ali, chegar e ter um bar de sumos de fruta com sugestões feitas na hora, bem fresquinhas e vitaminadas, é tudo em bom (€3,5). Na verdade, do bar de smoothies saem também batidos, cafés gelados, frappucionos e, à noite, a partir das 23h00, cocktails frutados que não param de rodar até às 2h00. Da ementa constam apenas sugestões saudáveis pensadas para adeptos da vida de praia e mar, com as famosas Bowls de vegetais (a partir de €8,5), iogurtes com fruta e granola caseira, e hambúrgueres vegetarianos. Durante o fim de semana há brunch e só nesses dias se servem os famosos ovos benedict (€7,5), as panquecas com fruta (€6,80) e a french toast (€5,80). Da Venezuela chegam as arepas, recheadas conforme a inspiração da cozinha (a de sardinha é divinal).
Aproveite para visitar o cantinho transformado em loja, onde encontra bijuteria, roupa de praia e peças de arte de gente da terra.
Vale de Telha, Sector B, lote J, numero J, Aljezur
910 790 587

Cervejaria Mar
Por mais estranho que possa parecer - e é! - não era muito fácil encontrar mais de um par de bons restaurantes de peixe em Aljezur. A proximidade da costa justificava que por aqui brotassem como cogumelos, mas só este ano é que a oferta se começou a compor. A Cervejaria Mar veio, precisamente, remendar a falha e trouxe para o centro da vila uma casa que honra a matéria prima do mar e a tradição piscatória da região. Os donos optaram por fugir ao nome marisqueira para não afugentar os clientes, habituados aos preços inflacionados de alguma concorrência e quiseram fazer justiça ao nome da casa acrescentado ao menu um leque muito composto de cervejas artesanais portuguesas, como a Dois Corvos, a Sovina, a Praxis e a Musa, que casam na perfeição com as propostas da ementa. Para petiscar, há percebes, caracóis (uma das especialidades da casa), camarão e gambas fritas, búzios, amêijoas (preço ao kg) e pica-pau (€7,90). Refeições mais completas, e sempre que possível para duas pessoas, exigem deitar o garfo à cataplana de perdiz e lagosta (€42), ao arroz de lingueirão (€23,60) ou à massada de marisco (€25,90). Como boa cervejaria que é, inclui ainda a passagem pelos clássicos bitoque (€8,90) e hambúrguer no prato (€6,50). Recomenda-se, ainda, o caril de gambas, que aqui é feito com uma mistura de especiarias, como deve ser, e marisco fresquíssimo (€14,90).
Rua da Escola, 13, Aljezur
282 994 155

Sector B
Quando um alemão se decide a acrescentar uma hamburgueria artesanal à oferta gastronómica de Aljezur, houve quem torcesse o nariz (“mais uma?”) e quem batesse palminhas de felicidade só pelo simples facto de ter mais uma novidade na terra. Em maio, quando abriu ao público, o Sector B surpreendeu ambas as facções ao anunciar que o pão seria feito diariamente na casa e a carne dos hamburgueres misturada e moldada à mão. Não é comum oferecer tanta dedicação a um pão com carne, dirá o leitor, mas Marcos Seitler recusa-se a fazer as coisas de outra forma. E a verdade é que tem colhido os frutos de tanto empenho com clientes a voltarem várias vezes durante a mesma semana. Na ementa há oito variedades de hamburguer (todos com 150 g de carne), um dos quais um sentido elogio à região vizinha do Alentejo, com chouriço e ovo estrelado (€7,90). Para quem gosta de picante, o Spicyburger, com bacon e queijo cheddar (€7,5) será sempre obrigatório, bem como o vegetariano (€6), feito à base de grão, para quem não alinha na proteína animal.
Durante o dia servem-se também bifanas, saladas e cachorros, ideais para quem vem da praia a meio do dia ou para um jantar rapidinho ainda antes de o bar abrir, com os cocktails e espirituosas de sempre e boa música a acompanhar.
Lote o, Urbanização Vale da Telha, Aljezur

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