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Brunch Clandestino: três amigos e uma boa ideia

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@brunchclandestino

Numa casa de traça antiga no centro de Lisboa que não se pode dizer onde é, três amigos que não se pode dizer quem são, um dia, tiveram uma ideia: e que tal fazer um brunch clandestino?

Numa casa de traça antiga no centro de Lisboa que não se pode dizer onde é, três amigos que não se pode dizer quem são, um dia, tiveram uma ideia. Estavam de pijama na sala, num serão absolutamente normal, quando um dos elementos saltou do sofá - dizem que esbracejou vigorosamente em silêncio, abriu muito os olhos, fez uma pausa dramática com as mãos à frente da cara e soltou: “E se fizéssemos o Brunch Clandestino?” Assim, do nada. Cinco minutos depois nascia um Instagram com o nome. Ok, faltava tudo o resto. Três fotografias das petiscadas em casa e uma descrição: “Não digam a ninguém, mas cá em casa fazemos o melhor brunch vegetariano de Lisboa. Oferecemos mesa, sofá e boa onda. E mimosas”. Sem expectativas e na verdade sem fazerem a menor ideia, acabavam de criar um dos brunch mais desejados da cidade.

A mesa só tem lugar para seis e geralmente organiza-se num esquema 2X 2X 2X, mas já houve quem quisesse aparecer sem companhia. Fica numa sala de jantar soalheira e aberta para as traseiras dos pátios lisboetas, entre a cozinha e um pequeno terraço, de um lado, e a sala de estar do outro. Há Spotify à disposição para quem se quiser arriscar na banda sonora - é isso ou ouvir Mayra Andrade ou Chance The Rapper em loop. É feita uma visita guiada pela casa e depois os convivas são deixados à sorte, enquanto os três regressam à cozinha - é nesta altura que a conversa começa a fluir. O brunch é servido aos seis ao mesmo tempo e o menu chega à mesa completo, sem interrupções, ficando ao critério de cada um o que comer primeiro.

A fórmula que acabou por ditar o conceito foi imediata. Bastava fazer “tal e qual”, o que sempre fizeram com os amigos: pôr a casa à disposição sem cerimónias e tratar do menu. Simples. Ser com gente desconhecida nunca foi sequer assunto, afinal a intenção era mesmo juntar estranhos à mesa e deixar acontecer. Por trás deste projeto do qual não se pode falar muito, está um trio que acredita que as pessoas são seres magníficos e que o brunch clandestino é um ótimo pretexto para juntá-las. Até à data, confirma-se e não houve vez nenhuma que um encontro não acabasse com abraços sentidos, trocas de contactos e milhões de obrigados de um lado e do outro. No fundo, é ir “brunchar” a casa de amigos e fazer novos amigos, com o extra de estar sentado numa das mesas mais criativas e fotografadas de Lisboa. Não sabemos dizer se a ementa surpreende mais do que o arranjo da decoração (com uma coleção de loiça admirável) ou se o vice-versa se aplica neste caso, em todo o caso, o resultado é uma explosão de cor que, se dúvidas houvesse, confirma a teoria de que os olhos também comem.

Podia ser só isso, uma mesa bonita com comida arranjadinha para a fotografia - e intimamente se calhar até era disso que estávamos à espera, só para depois dizermos que sempre soubemos que uma coisa destas nunca funcionaria, mania dos “millennials”, - mas não. O facto de ser vegetariano obriga precisamente a fugir aos rolinhos de fiambre e queijo e ao salmão com queijo-creme do costume, mas em contrapartida tem coisas que mais nenhum tem. O famoso creme de cenoura e coco é unanimemente a estrela do cardápio e um habitué à mesa, mas quem teve a sorte de privar com as mini panquecas de chocolate sente o coração a balançar. Não é certo que alguma vez as chegue a provar, já que variam regularmente entre as tradicionais com mel, banana e coco, as de chocolate com morangos e as cor-de-rosa, que são uma entidade pelo sabor original e estética arrojada. Depois, há sempre um iogurte com fruta e granola, duas tostas que podem ser de abacate, húmus, pesto de ervilha ou espinafres com queijo de cabra gratinado, bolo de cenoura, pão, queijo e comportas para partilhar e mimosas, "para encerrar em bom". Os quatro elementos do prato variam de acordo com a inspiração e pode até ser que a ementa seja anunciada nas redes sociais com alguns dias de antecedência - mas não é certo, às vezes é decidida só na véspera, sobretudo quando a frutaria lhes troca as voltas.

Design? Não têm. Continuam e continuarão, orgulhosos, a apoiar-se no marketing da caneta e papel e a recusar respostas pré-formatadas. Todos os “emojis” usados nas mensagens são sentidos, mesmo quando servem para anunciar que a data está esgotada e que não fazem pré-reservas. Lamentam não ter uma casa maior, uma mesa maior, mas para já está perfeito assim. Brevemente vão levar o Brunch Clandestino ao Porto e a Coimbra e não põem de parte a ideia de alargar o conceito a outros cantos do país - assim haja interesse e vontade de partilhar esta experiência.

O local é secreto e a morada só é divulgada na véspera. As datas, por norma, sábados, domingos e feriados (12h00/1500), são anunciadas nas redes sociais (https://www.instagram.com/brunchclandestino/ e https://www.facebook.com/brunchclandestino/) e a reserva é obrigatória, através do e-mail: brunchclandestino@gmail.com. Os primeiros seis a agarrar ficam com as vagas, mas a concorrência, há que dizê-lo, tem sido feroz. O valor da contribuição também é secreto!

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