Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Mesa

Restaurante Comendador Silva: As saudades que o Brasil tem de Portugal

  • 333

Restaurante Comendador Silva

Ruy Coelho

Com poucos meses de funcionamento, a nova aventura gastronómica do novelista brasileiro Aguinaldo Silva promete sabores bem portugueses, em Lisboa

O restaurante Comendador Silva é uma espécie de CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) da restauração. Vejamos: O seu proprietário é brasileiro, o seu chefe de cozinha nasceu em Benguela (Angola) e os pratos são de inspiração bem portuguesa. Além, da localização, em Lisboa, centro deste mundo lusófono…

Explicando… O nome Aguinaldo Silva pode não dizer muito a muitos portugueses. Da mesma forma que muitos o reconhecem. Aguinaldo Silva é autor de algumas das mais famosas telenovelas brasileiras da Globo e que também fizeram sucesso em Portugal, de Roque Santeiro a Tieta, de Indomada a Império, a mais recente. Foi também Aguinaldo Silva quem supervisionou a primeira novela coproduzida entre a Globo e a SIC: Laços de Sangue.

A viver entre Portugal e o Brasil, Aguinaldo Silva, agraciado no seu país com a comenda da Ordem do Mérito Cultural, nunca escondeu a sua paixão pela gastronomia e, com toda a naturalidade, pelos bons sabores portugueses. E, neste contexto, o novo Comendador Silva não é a sua primeira aventura no mundo nacional da restauração. Basta recordar, os espaços Avenue, onde brilhou Marlene Vieira, e Brasileiríssimo, onde atuou Napoleão Silva, o chefe de cozinha que regressou ao mundo de Aguinaldo Silva para liderar o restaurante Comendador Silva (Rua Latino Coelho, 50, Lisboa. Tel. 215 816 246). Nascido na cidade angolana de Benguela, o jovem chefe passou por várias cozinhas, com a última experiência junto ao mar, na Fortaleza do Guincho. Todas as influências desaguam agora numa carta descomplexada, sem grandes artifícios técnicos, que aposta na qualidade dos produtos e na (boa) naturalidade dos seus sabores. Pratos de apresentação contemporânea e um ou outro apontamento que garante atenção às tendências. O reforço desta portugalidade está patente na vertente marisqueira do restaurante, com direito a aquário e uma forma simplificada de preço. Os mariscos são vendidos à unidade e podem ser preparados ao gosto de cada freguês. Ostras (€3,50), Camarão Tigre médio (€17,50), Sapateira (€20), Santola (€25), Lavagante (€60) e Lagosta (€65) são as opções a considerar.

A carta deste novo Comendador Silva (existe um outro em Óbidos, instalado no alojamento Casa das Senhoras Rainhas) arranca com uma dezena de entradas, que também são petiscos para partilhar e estimular o convívio. Destacam-se o Chouriço na grelha pickles caseiros e azeitonas (€7), a Alheira de caça na grelha, maçã, Porto e mel (€9,50), o Choco frito, limão e mocho picante (€9), a Salada de Polvo com batata-doce e picadinho algarvio (€7,50), e as Amêijoas à Comendador (Bolhão Pato), acompanhadas de ótimas tostas de alho e, também à parte, o molho dos bivalves com alguns pingos de picante. Antes pode apreciar uma interessante manteiga de chouriço a barrar em três tipos de pão: Mafra, Alfarroba e Broa de milho.

No que aos pratos principais diz respeito, a carta do restaurante Comendador Silva tenta mostrar o que de melhor existe em Portugal, entre a terra e o mar. O Polvo é servido com couve-flor, molho romanesco e abóbora (€14) e o obrigatório Bacalhau, com puré de grão e grelos de couve (€16,50). Depois, pode contar com uma reconfortante Cataplana Rica (€35, para duas pessoas) e o intenso Arroz do Mar (€30, duas pessoas), que tal como o anterior prato pode também ser preparado em doses individuais. Tal como os novos tempos obrigam, o chefe Napoleão Silva desenvolveu um impactante (e vegetariano) Arroz (e sementes) cremoso de beterraba roxa e cogumelos de época (€13,50). Todos os dias, menos domingo que é dia de descanso, a cozinha faz uma sugestão de peixe do dia, fixa apenas no preço (€15,50) e com confeção “ao gosto” de cada um. Nas carnes, aposta ganha na Vazia de novilho, puré de batata, cogumelos e couve-de-bruxelas (€16,50). Por provar, ficaram os tentadores Lombo porco preto, xerém de lingueirão e pak-choi (€19,50) e Carré de Borrego, puré de feijão e migas de menta (€17).

Nas sobremesas, o chefe do restaurante Comendador Silva arrisca-se em diversas reinterpretações da doçaria clássica portuguesa, como o Pudim Abade de Priscos, maçã e gelado de Vinho do Porto (€6) e o guloso Pão-de-ló de chocolate quente, apoiado, à parte, por gelado de hortelã e frutos do bosque (€7). A carta de vinhos está em crescimento e em boas mãos, com uma dezena de ofertas a copo. Refira-se que existe ainda um bar, para quem prefere dois dedos de conversa solta e uma sala privada, no piso inferior do restaurante.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook, no Instagram e no Twitter!