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Boa Mesa

Nestas cozinhas quem manda são elas. E bem!

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Há muito tempo que o mundo da cozinha, das panelas e dos temperos, não pertence às mulheres. Os homens, alguns de barba rija, são verdadeiras estrelas, reconhecidos na rua e nos programas de rádio e de televisão. Segundo contas do ano passado, no universo de Estrelas Michelin, há 2738 restaurantes no mundo premiados, mas destes, apenas 142 apresentam uma mulher aos comandos do fogão. Em Portugal, também apenas duas mulheres lideram, de forma assumida, os restaurantes premiados pelo guia Boa Cama Boa Mesa. Mas, há dezenas de cozinheiras – chefes se preferir – que merecem toda a atenção e elogio. Conheça alguns exemplos que mostram bem que, sem qualquer conotação sexista, o lugar das mulheres é na cozinha.

Justa Nobre - O Nobre
Depois de Maria de Lurdes Modesto, o nome de Justa Nobre é o primeiro a surgir quando se pensa na mais conhecida das chefes nacionais. De pequena estatura, é grande na cozinha e as participações em programas de televisão, livros de receitas e eventos gastronómicos fazem dela a mais mediática das mulheres na cozinha. É fácil de encontrar n’ “O Nobre”, restaurante em que faz questão de visitar todas as mesas e de garantir que os clientes estão satisfeitos. Entre as especialidades a não perder estão a sopa de santola, a perdiz à transmontana e o folhado de caça brava. Ao domingo é dia de buffet de cozido à portuguesa. Preço médio: €30.
Avenida Sacadura Cabral, 53-B, Lisboa. Tel. 217 970 760

Teresa Ruão - Cozinha da Terra
Receitas e tradições que atravessam anos e gerações da família chegam hoje à mesa pela mão de uma mulher que abriu as portas da sua própria casa para servir aconchegantes receitas tradicionais e antigas. Nascida e criada na “Casa de Louredo”, espaço rural que remonta ao início da nacionalidade, é aqui que Teresa Ruão revela a sua ligação às mais profundas raízes da cozinha tradicional. Apenas por marcação, esta Cozinha da Terra faz-se de memórias de infância e receitas antigas. A chefe é uma autodidata dos sabores tradicionais com os quais convive desde tenra idade: Bola de carne, Bacalhau no pão em cama de legumes, Rojões no “pingue” com castanhas e migas de sarrabulho, Capão recheado, Arroz de pato, o singular Cozido à portuguesa ou Tarte de maçã à moda do Cozinha da Terra são imperdíveis. Preço médio: €30.
Lugar da Herdade, 8, Louredo. Tel. 255 780 900

Noélia – Restaurante Noélia
É natural da serra algarvia e começou a trabalhar como empregada numa pastelaria que existiu no mesmo local monde hoje dá cartas gastronómicas. Corria o ano de 1985 e o que inicialmente era apenas uma brincadeira, tornou-se num caso sério. Da mesma forma que inventava nas tostas, decidiu graça a muito estudo e a várias experiências criar pratos de inspiração tradicional com apontamentos arrojados. Um dos símbolos da localidade, tem habitualmente fila à porta à procura de mesa, mesmo na época baixa. Arroz de lingueirão com filetes de peixe-galo, pataniscas de polvo e raia alhada são alguns dos clássicos. Mas arrisca-se por novos caminhos, sempre com produtos locais, dos ceviches aos brazeados, terminando na corvina com arroz de limão e amêijoas. Preço médio: €25.
Avenida Ria Formosa, Edifício Cabanas-Mar, Cabanas de Tavira. Tel. 281 370 649

Ana Moura – Cave 23
Começou por se licenciar em marketing, mas foi na Escola de Hotelaria de Lisboa que encontrou a verdadeira vocação. Estagiou no Eleven, passou por vários restaurantes em Espanha e estava no Astelena 1997 quando o telefone tocou com o desafio de regressar a Lisboa para abrir o novo restaurante do Hotel Torel Palace. Dona de enorme potencial, para quem cozinhar é contar histórias, Ana Moura acredita ter muitas para contar. Antes de começar o “era uma vez”, explique-se que na cozinha se assume o compromisso entre os clássicos da gastronomia tradicional e as técnicas arrojadas dos dias que correm com resultados verdadeiramente surpreendentes, aplicando-se igualmente um toque de paixão. Preço médio: €35
Rua Câmara Pestana, 23, Lisboa. Tel. 218 298 071

Amaya Guterres – Amaya Caminha

Cresceu entre os tachos e as panelas do restaurante dos pais. Junto à mãe espanhola, e ao pai português, o destino começou a cozinhar-se em Valença, apurou-se na Escola de Hotelaria do Porto e acrescentou aromas em Paris. Além da gastronomia tradicional minhota com roupagem contemporânea que é sua marca, o cake design é uma das suas especialidades. Quinta do Prazo – um espaço dedicado a eventos em Valença e o Amaya Caminha, petisqueira, gelataria, creperia e loja de produtos gourmet na cidade minhota são locais onde pode (com)provar a mestria da chefe que é, também, mãe de quatro rapazes.
Praça Conselheiro Silva Torres, Caminha. Tel. 919 319 669

Fernanda Costa – Vallécula
Foi uma história daquelas dos livros, com paixões e casamentos que tirou Fernanda Costa de junto ao mar (do qual ainda sente saudades) para o interior do País, longe da praia e das areias douradas. A primeira impressão que deixa é de indiferença, mas antes de qualquer refeição terminar a confiança instala-se e mais do que uma cozinheira de mão cheia, revela-se um mulher com apurado sentido de humor e verdadeira apaixonada pelas artes culinárias que soube aprender e aperfeiçoar. Cada refeição é um verdadeiro festim de sabores e de criatividade, merecendo obvio destaque a fenomenal seleção de patês de entrada, a mousse de grão de bico, o borrego na carqueja ou o lombo marinado em limão e ervas. Preço médio: €25.
Praça Doutor José de Castro, 1, Valhelhas. Tel. 275 487 123

Inês Dinis – Casa Inês
Não gosta que lhe chamem chefe esta mulher do norte com mão cheia para a cozinha tradicional portuguesa. Durante vários anos comandou a cozinha da Casa Aleixo, restaurante da família, situado a dois passos do seu - até um desentendimento a conduzir ao seu próprio espaço. A cozinha aberta de Inês Dinis reflete bem a sua maneira de estar, efusiva e calorosa, que passa em energia para a sala e também no calor da sua gastronomia tradicional. Os Bolinhos de bacalhau; os Filetes de polvo com arroz do mesmo; o cozido; o cabrito; a aletria e as rabanadas são algumas das suas grandes especialidades. Preço médio: €20.
Rua de Miraflor, 20, Porto. Tel. 225 106 988

Sara Oliveira – Puro 4050
Chefe de cozinha e de pastelaria, Sara Oliveira tem um percurso marcado pela polivalência. Além de chefe do recente Puro 4050, restaurante com a marca de Luís Américo apostado na cozinha mediterrânica, é também formadora de cozinha e pastelaria. O restaurante recente que dirige aposta, em primeiro lugar, nas mozzarelas vindas de Nápoles, mas também em saladas frescas, focaccias, risottos, massas e charcutaria de qualidade, com a Itália como horizonte. Preço médio: € 20.
Largo São Domingos, 84, Porto Tel. 222 011 852

Paula Peliteiro – Restaurante Sra. Peliteiro
O local é improvável, uma surpresa total anda mais quando este é ponto de partida para uma viagem por diversas latitudes. A cozinha comandada por Paula Peliteiro reflete as inúmeras viagens da chefe numa gastronomia sem fronteiras, que se alimenta da criatividade, da fusão e da espontaneidade, transportando para a mesa as influências que absorve nas viagens pelo mundo, partindo do receituário e produtos tradicionais portugueses. Além da carta e das sugestões semanais, a chefe aceita encomendas de pratos especiais e até que a desafiem a improvisar um prato diferente na hora, mediante os ingredientes disponíveis. Formada em artes visuais e educação, viveu 11 anos no Brasil, de onde bebeu inspiração para o colorido, a fusão e o cuidado na apresentação dos pratos saídos da sua cozinha. Preço médio: € 20
Campo de Golfe da Quinta da Barca, Esposende. Tel. 926 155 343

Susana Felicidade – Restaurante Pharmacia
Foi advogada, mas tornou-se conhecida na primeira edição de um popular concurso de cozinha onde era a única mulher no júri residente. Com fama de ser rigorosa e detalhada, sente ter recomeçado a viver quando encontrou a verdadeira vocação à frente dos tachos, panelas e fogões. É natural da Praia da Arrifana e a aventura gastronómica começou quando reabriu o restaurante de família. Mais tarde mudou-se para Lisboa e começou a usar as receitas da mãe e da avó para mais tarde criar pratos onde mais do que o sabor, se evidencia o respeito pelos produtos e sabores portugueses. Atualmente no Pharmacia, aposta nos petiscos para partilhar e em receitas clássicas com um “twist” como Bacalhau à Zé do Pipo, Polvo à Lagareiro ou Frango do campo estufado com legumes. Preço médio: €25.
Rua Marechal Saldanha, 1, Lisboa. Tel. 213 462 146

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