Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Mesa

Jantar sensorial: Sete pecados mortais ou comer com todos os sentidos

  • 333

EPIC SANA Algarve

Ricardo Bernardo

Estão de regresso ao Al Quimia do EPIC SANA Algarve os jantares mais ousados do ano. Este fim de semana além de uma ementa especial há musica, algemas e até uma dança no varão.

À pergunta de quantos pecados mortais se podem servir à mesa, a resposta do chefe Luís Mourão, premiado com um Garfo de Ouro na edição de 2016 do Boa Cama Boa Mesa é só uma: cabem todos sem exceção. Este fim de semana a sala do Restaurante Al Quimia volta a receber uma edição dos jantares sensoriais e, tal como aconteceu na primeira edição, há uma surpresa em cada prato.

Preguiça
Começa tudo com a cor azul e com um colaborador deitado num sofá em pleno lazer. Perante uma repreensão do chefe, entram perfilados os colaboradores de sala com o primeiro prato, uma ostra com algodão doce de citrinos e caviar de arenque. Acompanha com um champagne Billecart-Salmon Blanc de blanc. Das colunas a banda sonora, que vai marcar todo o jantar, debita Alone Wolf “Violin” e “Não quero que vás a moda” dos Adiafa.

Avareza
Ouve-se primeiro “Money” dos Pink Floyd, depois os Dire Straits com “Money for nothing”. À mesa chega um prato completamente pintado a ouro, com uma zona central a esconder o parfait de foie-gras, e crumble de frutos vermelhos. O Brioche é apresentado ao lado, como se de uma pepita também de ouro se tratasse. O vinho Caios 2012 da Península de Setúbal harmoniza na perfeição com a cor amarela que entretanto domina a sala.

Luxúria
Os tons azul-claro são impercetíveis, uma vez que por esta altura todos os clientes estão com uma venda nos olhos e com as mãos presas atrás das costas com um par de algemas. Quando George Michael e “I want your sex” surgem na banda sonora, destapam-se os olhos e no centro da sala uma exibição de pole dance leva o pecado a toda a sala. O Duo de esferas-Teriyaki de salmão e vieira com gaspacho de ouriço-do-mar e vieira, bem como o cocktail Aphrodite, feito com mescal, shrub de cenoura roxa, sumo de lima e xarope de gengibre são degustados sem mãos. Ouve-se “Sadness” dos Enigma para acabar a atuação.

Inveja
Provavelmente, este é mais conseguido de todos os momentos do jantar. Primeiro regressa a venda aos olhos dos clientes, depois, à mesa, um livro repousa em frente a cada um, iluminado por uma luz verde, com a espinha e a cabeça de um peixe a darem a ilusão de ser este o prato a ser servido. Primeira surpresa, dentro do livro vem, realmente o peixe, mas cada cliente tem uma proposta diferente, quer de pescado quer de vinho. É a altura de olhar para o lado e ter inveja do prato do vizinho. Há lagosta e lulas com algas, bolo de iogurte e molho de caldeirada, com António Vital 2015, tataky de atum de cebolada com amêijoas, tentáculos de lula, e areia de algas, harmonizado com Quinta da Pellada Alvarelhão 2012 do Dão e ainda Robalo, lula, bolo de rocha de algas e bisque de marisco, servido com João Clara Negra Mole de 2013 do Algarve. E há a inveja a funcionar em toda a sala. Zeca Pagodinho canta, oportunamente, “Cuidado com a inveja”.

Ira
A cor é, obviamente, o vermelho, com a ira do chefe Luís Mourão ao vir ao de cima, atirando uma bandeja ao chão e a dizer que o prato está mal preparado. Os colaboradores de sala respondem à altura, com os AC/DC a debitarem “Thunderstruck”, atirando a vitela cozinhada a baixa temperatura e grelhada para cima do prato. Termina a proposta um vitelote, puré de cherovia e cenoura roxa. A imagem é impressionante com o molho a formar um salpico, ainda mais pronunciado com o som dos Rage Against the Machine e “Killing in the name”. O vinho escolhido é um fenomenal Mãos Reserva 2011 do Douro.

Vaidade
É numa caixa de joias que chega a primeira sobremesa. Dentro da caixa há um frasco de “lip gloss” que afinal de contas é um gelado de morango com pimenta, um perfume que se deita sobre a caixa que é feito de água de rosas, e uns diamantes de açúcar perfeitos e brilhantes, que comprovam que, de facto, são os melhores amigos das mulheres. Confirma-se toda a ideia do prato com a música “Sexy and I know it” dos Lmfao.

Gula
O último dos pecados é, neste caso, o maior. Mais de uma dezena de pequenos doces de inspiração francesa chegam à mesa, adornados com uns escorregas e umas bolas de chocolate, não havendo ninguém que consiga comer a totalidade do prato. É a gula a funcionar com o prato que, simbolicamente se chama “Pecado dos Doces” e vem acompanhado por um Bastardinho de Azeitão 30 anos da Península de Setúbal. Acaba tudo com um oportuno “Just Can't Get Enough” dos Depeche Mode.

Mais encenado e mais elaborado, este jantar dos Sete Pecados Mortais no Al Quimia, o restaurante do EPIC SANA Algarve na Praia da Falésia em Albufeira (tel. 289 104 300) elevou a criatividade do chefe Luís Mourão e de toda a equipa a ponto de se encontrar esgotada a noite de sábado, havendo apenas algumas vagas, limitadas para o jantar de sexta feira, apesar do preço de €180 por pessoa.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook e no Instagram!