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Jantar sensorial: Sete pecados mortais ou comer com todos os sentidos

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EPIC SANA Algarve

Ricardo Bernardo

À pergunta de quantos pecados mortais se podem servir à mesa, a resposta do chefe Luís Mourão, premiado com um Garfo de Ouro na edição de 2016 do Boa Cama Boa Mesa é só uma: cabem todos sem exceção. Este fim de semana a sala do Restaurante Al Quimia volta a receber uma edição dos jantares sensoriais e, tal como aconteceu na primeira edição, há uma surpresa em cada prato.

Preguiça
Começa tudo com a cor azul e com um colaborador deitado num sofá em pleno lazer. Perante uma repreensão do chefe, entram perfilados os colaboradores de sala com o primeiro prato, uma ostra com algodão doce de citrinos e caviar de arenque. Acompanha com um champagne Billecart-Salmon Blanc de blanc. Das colunas a banda sonora, que vai marcar todo o jantar, debita Alone Wolf “Violin” e “Não quero que vás a moda” dos Adiafa.

Avareza
Ouve-se primeiro “Money” dos Pink Floyd, depois os Dire Straits com “Money for nothing”. À mesa chega um prato completamente pintado a ouro, com uma zona central a esconder o parfait de foie-gras, e crumble de frutos vermelhos. O Brioche é apresentado ao lado, como se de uma pepita também de ouro se tratasse. O vinho Caios 2012 da Península de Setúbal harmoniza na perfeição com a cor amarela que entretanto domina a sala.

Luxúria
Os tons azul-claro são impercetíveis, uma vez que por esta altura todos os clientes estão com uma venda nos olhos e com as mãos presas atrás das costas com um par de algemas. Quando George Michael e “I want your sex” surgem na banda sonora, destapam-se os olhos e no centro da sala uma exibição de pole dance leva o pecado a toda a sala. O Duo de esferas-Teriyaki de salmão e vieira com gaspacho de ouriço-do-mar e vieira, bem como o cocktail Aphrodite, feito com mescal, shrub de cenoura roxa, sumo de lima e xarope de gengibre são degustados sem mãos. Ouve-se “Sadness” dos Enigma para acabar a atuação.

Inveja
Provavelmente, este é mais conseguido de todos os momentos do jantar. Primeiro regressa a venda aos olhos dos clientes, depois, à mesa, um livro repousa em frente a cada um, iluminado por uma luz verde, com a espinha e a cabeça de um peixe a darem a ilusão de ser este o prato a ser servido. Primeira surpresa, dentro do livro vem, realmente o peixe, mas cada cliente tem uma proposta diferente, quer de pescado quer de vinho. É a altura de olhar para o lado e ter inveja do prato do vizinho. Há lagosta e lulas com algas, bolo de iogurte e molho de caldeirada, com António Vital 2015, tataky de atum de cebolada com amêijoas, tentáculos de lula, e areia de algas, harmonizado com Quinta da Pellada Alvarelhão 2012 do Dão e ainda Robalo, lula, bolo de rocha de algas e bisque de marisco, servido com João Clara Negra Mole de 2013 do Algarve. E há a inveja a funcionar em toda a sala. Zeca Pagodinho canta, oportunamente, “Cuidado com a inveja”.

Ira
A cor é, obviamente, o vermelho, com a ira do chefe Luís Mourão ao vir ao de cima, atirando uma bandeja ao chão e a dizer que o prato está mal preparado. Os colaboradores de sala respondem à altura, com os AC/DC a debitarem “Thunderstruck”, atirando a vitela cozinhada a baixa temperatura e grelhada para cima do prato. Termina a proposta um vitelote, puré de cherovia e cenoura roxa. A imagem é impressionante com o molho a formar um salpico, ainda mais pronunciado com o som dos Rage Against the Machine e “Killing in the name”. O vinho escolhido é um fenomenal Mãos Reserva 2011 do Douro.

Vaidade
É numa caixa de joias que chega a primeira sobremesa. Dentro da caixa há um frasco de “lip gloss” que afinal de contas é um gelado de morango com pimenta, um perfume que se deita sobre a caixa que é feito de água de rosas, e uns diamantes de açúcar perfeitos e brilhantes, que comprovam que, de facto, são os melhores amigos das mulheres. Confirma-se toda a ideia do prato com a música “Sexy and I know it” dos Lmfao.

Gula
O último dos pecados é, neste caso, o maior. Mais de uma dezena de pequenos doces de inspiração francesa chegam à mesa, adornados com uns escorregas e umas bolas de chocolate, não havendo ninguém que consiga comer a totalidade do prato. É a gula a funcionar com o prato que, simbolicamente se chama “Pecado dos Doces” e vem acompanhado por um Bastardinho de Azeitão 30 anos da Península de Setúbal. Acaba tudo com um oportuno “Just Can't Get Enough” dos Depeche Mode.

Mais encenado e mais elaborado, este jantar dos Sete Pecados Mortais no Al Quimia, o restaurante do EPIC SANA Algarve na Praia da Falésia em Albufeira (tel. 289 104 300) elevou a criatividade do chefe Luís Mourão e de toda a equipa a ponto de se encontrar esgotada a noite de sábado, havendo apenas algumas vagas, limitadas para o jantar de sexta feira, apesar do preço de €180 por pessoa.

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