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À mesa com José Quitério: Restaurante Cantinho do Avillez

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Moderno e prestimoso. Por: José Quitério (www.expresso.pt)
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Moderno e prestimoso. Por: José Quitério (www.expresso.pt)
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Esta zona além Chiado para sul, pouco mais ou menos do Chiado ao Ferragial, pertenceu (e em parte ainda pertence) aos duques de Bragança.

Tudo começou no final do século XIV com o mais recente santo do hagiológio nacional, o condestável Nuno Álvares Pereira, senhor destes sítios e de tantos outros mais que chegou a ser dono de metade de Portugal.
Casou a única filha, Beatriz, com o filho bastardo do seu doador, o rei D. João I, um tal D. Afonso, conde de Barcelos e mais tarde 1º duque de Bragança. Má rês, que entre outras malfeitorias foi o principal urdidor das intrigas e falsidades que conduziram à morte trágica do seu meio-irmão D. Pedro, o magnífico das Sete Partidas, verdadeiro impulsionador da política dos Descobrimentos. A Casa de Bragança é que durou como e quanto se sabe. Voltando a esta área de sua propriedade, não é de estranhar, pois, a existência de uma Rua Duques de Bragança (paralela e entre as Serpa Pinto e António Maria Cardoso), que começa na Rua Vítor Cordon e acaba no Largo do Picadeiro. Pouco depois do seu início, no nº 7, ao lado do nosso Sindicato dos Jornalistas, reside o restaurante Cantinho do Avillez.

Tendo saído do mítico Tavares em janeiro de 2011 (estava lá desde meados de outubro de 2008), o ainda jovem (n. 1979) chefe de cozinha José Avillez, que tudo indica estar a caminho do estrelato (em sentido Hollywood, que ao outro, o do guia da marca de pneus, já ele chegou), abriu este Cantinho nos princípios de setembro de 2011, onde pretende apresentar uma cozinha de raiz portuguesa, embora salpicada de contributos forâneos e toques de modernidade, mesmo assim longe do estilo de sofisticação criativa e notas contemporâneas que lhe é peculiar e que guarda para o renovado Belcanto, entretanto já a funcionar. O presente espaço é realmente em inho, sentam-se 34 pessoas, mas só as 12 das mesas do meio estão relativamente à-vontade, as restantes praticamente cotovelo contra cotovelo do vizinho (há outra salinha com uma mesa para oito). Decoração mínima, ambiente de certo modo descontraído, cadeiras de vários tipos, mesas com toalhete de papel e guardanapo de pano.

No rol comestível contabilizam-se 11 Petiscos e Pequenas Entradas, 3 Pregos no Pão e 9 Pratos Principais. Entremos. "Creme frio de santola, tosta como ovo cozido e cornichons" (€7,80): em chávena, tosta fininha que se incorpora, sabor vitorioso e intenso ao crustáceo, quantidade reduzidíssima. "Peixinhos da horta com sal de limão e molho tártaro" (€4,50): ligeiramente oleosos, bem no resto, ganhando nova (e positiva) dimensão depois de passados pelo molho. Sem acompanhamento. "Empadinhas de perdiz com bacon e cebolinhas" (€3,75): duas pequenotas, massa apropriada (quebrada), recheio justo para a perdiz atual. Sem acompanhamento. "Farinheira com crosta de broa e coentros" (€6,50): enchido de muito boa qualidade, sem pele, a obter graça suplementar com este tratamento. Sem acompanhamento. "Mãozinhas de vitela no tacho com cubinhos de limão" (€7,50): completamente desossadas e reduzidas a pequenos fragmentos, simplesmente em seu molho com algum do gelatinoso característico e o oportuno limão.

Avançando para os principais, as "lascas de bacalhau, migas soltas, ovo b.t. e azeitonas explosivas" (€14,55) mostraram-se em conjunto assaz agradável, o ovo a baixa temperatura a parecer escalfado, as azeitonas "explosivas" afinal uma reinadia nota molecular, esferificações de sumo de azeitona que rebentam na boca. O "atum grelhado com legumes, emulsão de soja e gengibre" (€16,75) fatiado, pouco passado como lhe convém, bem acomodado no seu molho oriental e nos rebentos de soja da juliana leguminosa. Oh, diabo, que isto a partir daqui terá de ser ainda mais telegráfico. O "bife à Cantinho" (€16,85) de carne muito qualificada, grelhada, capeada por pasta de alho, pimenta em grão e presunto. As "mãozinhas de vitela no tacho com grão e limão confit" (€14,55) em repetição agora com grão e ainda mais prejudicial a fragmentação excessiva, não obstante o guisado gostoso. O "pato de escabeche com puré de maçã e batata palha" (€15,50) perfeito em todos os itens.

As seis sobremesas portam-se à altura, a carta de vinhos está compostinha e tem muitos a copo, o serviço satisfaz. Projeto intervalar na carreira de José Avillez, deseja-se que não seja uma ficção de interlúdio, pois o seu préstimo é evidente.

Restaurante Cantinho do Avillez?
Rua dos Duques de Bragança, 7
1200-162 ?Mártires, Lisboa? ?
Tel. 211992369 ?


*Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico e publicado na edição da Única de 4 de fevereiro de 2012.?.?