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Herdade da Matinha: paraíso rural aberto para o mundo

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São escassos, os minutos que distam da estrada principal até à Herdade da Matinha, desde que a escolha recaia no caminho de terra batida em detrimento daquele onde predomina a areia. Este é de evitar. De todo! Caso contrário, será preciso recorrer ao reboque.

Estas recomendações não são ingénuas. É natural que, à medida que se aproxima desta unidade de turismo em espaço rural, o olhar fique rendido à combinação do azul claro das paredes com o vermelho das portas da antiga Casa do Lavrador. As camas dispostas no alpendre, ao ar livre, e o jardim em frente são como um cartão-de-visita, à medida que o passadiço de madeira é calcorreado até chegar à receção da Herdade da Matinha (Tel. 933 793 245), propriedade localizada na zona do Cercal, rodeada por zonas verdes sem fim à vista.

Ao passar a porta envidraçada de acesso à receção, adornada com um enorme puxador em metal, revelam-se pinturas de Alfredo Moreira da Silva, o proprietário e artista plástico que, há cerca de 22 anos, abriu este destino paradisíaco ao mundo. Do seu traço nasceu cada quarto – primeiro, oito, depois 16, mais tarde 20 e, por fim, 22. Mas este número não vai ficar por aqui já que, para o final deste ano, estão previstos mais 14 unidade de alojamento.

À decoração romântica e acolhedora dominada por tons suaves, entre outras cores mais carregadas, somam-se peças de mobiliário, ora restauradas, ora provenientes de legados deixados a Alfredo, e quadros da sua autoria. A arte da pintura estende-se a cada canto e recanto das três casas que compõem a Herdade da Matinha, bem como às salas de estar, polvilhadas de almofadas e mantas dispostas em sofás e poltronas. Por fora, cada casa comunga da arquitetura alentejana.

Para além da pintura, o proprietário tem uma aptidão enorme para cozinhar. Ofício que levava à letra nos primeiros anos após a abertura da Herdade da Matinha. Havia até quem assistisse a momentos tão aprazíveis e os partilhasse à mesa. Hoje, Alfredo faz questão em cumprimentar todos os hóspedes e visitantes que se sentam à mesa durante a refeição (o restaurante está aberto a todos!)

Há pouco tempo, fogão fora tomado, a convite, por David Proença, o jovem chefe de 27 anos. Foi fazer a noite de transição de 2017 para 2018 e por lá ficou, “a viver uma realidade completamente diferente”. Desde então, o jovem chefe tem um trabalho a fundo com produtores locais, como o Sr. Américo, criador de borregos do Cercal, o Sr. Acácio, conhecido pelos seus queijos e enchidos, ou a dona Ercília, que faz o pão “sem glúten” para a Herdade da Matinha. Estes e tantos outros produtos locais fazem parte do menu diário (sopa, prato de carne e de peixe, e sobremesa) do restaurante, refletindo uma cozinha de conforto composta por receitas da autoria de Alfredo e do chefe, bem como de trocas de experiências entre ambos. Tudo somado resulta em “sabores tradicionais com influência alentejana” e, acrescente-se, uma pitada de cozinha asiática.

David Proença reforça ainda o cuidado na escolha da matéria-prima. Faz questão em ir buscar o peixe, porque “nada aqui é congelado”, reforçando ainda a importância da sustentabilidade. Para além do reforço do “Km 0”, a maioria dos produtos frescos utilizados nas receitas são provenientes das duas hortas biológicas da propriedade. As mesmas onde se colhe a fruta colocada em taças dispostas nos espaços comuns e usada nas compotas, nos doces e nas marmeladas saídas das mãos de Dina, cozinheira dedicada da Herdade da Matinha, e com as quais se barra o pão do pequeno-almoço. Esta é a primeira refeição bem generosa a tomar ora na sala contígua à cozinha aberta e decorada com louceiros e objetos antigos, reservada às famílias e que fora ampliada no ano passado.

Criou-se, assim, outro espaço mais intimista, destinado aos casais que escolhem a Herdade da Matinha para umas férias tranquilas ou uma escapadinha por um par de dias. Aqui estão dispostas mesas de dois, recantos com sofás e revistas para ler à luz do sol que entra pelas janelas rasgadas para o exterior. No outro canto está uma mesa enorme para grupos. Em ambos os espaços são também servidos o almoço e o jantar para hóspedes e a quem vem de fora, razão pela qual se recomenda a reserva antecipada.

Para minimizar os excessos à mesa, nada melhor do que optar pelas atividades ao ar livre. Há o centro equestre, de onde os cavalos estão aptos para passeio ou para workshops, além de que são um dos animais preferidos das crianças convidadas, muitas vezes, a dar-lhes comida. As experiências com os mais novos dividem-se ainda na ida à horta, de preferência, logo pela manhã bem cedo, o momento do dia em que o senhor Henrique lhes satisfaz a curiosidade, a mesma que se quer esclarecida enquanto põem a mão na massa aquando da feitura, por exemplo, de bolachas, na cozinha.

Mas as experiências não ficam por aqui. Na lista constam o ioga (domingo, terça e quinta-feira, às 09h30), para hóspedes e visitantes, as massagens, o piquenique, as caminhadas, as bicicletas ou o surf.

Continuando lá fora, na natureza, são muitos os recantos que incitam a desfrutar do silêncio e a relaxar. Quer na piscina do laranjal, quer nas espreguiçadeiras dispostas junto ao tanque avistado da sala de refeições destinada a famílias. Nos terraços dos quartos ou nas camas do alpendre da Casa do Lavrador, a última que se vê antes de acenar um “até qualquer dia” a tão recatado paraíso.

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