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Santiago Hotel : um elogio à região do Alentejo

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A missão do Santiago Hotel Cooking and Nature é alimentar o convívio à mesa desafiando os hóspedes a meter a mão na massa

Ainda muita gente se lembra da época em que não existia autoestrada para o Algarve e quem vinha do norte parava para dormir em Santiago do Cacém, na única pousada das redondezas. Entretanto a evolução dos tempos encarregou-se de encurtar a rota para o sul e Santiago do Cacém deixou de ser motivo de paragem.

A pousada, uma casa senhorial com vista panorâmica da zona histórica, fechou e permanece intocada desde então. Mas não está abandonada. Para já, e desde o verão passado, transformou-se no ginásio do Santiago Hotel Cooking and Nature, o primeiro hotel do grupo DHM no Alentejo, que nasceu logo ao lado, para devolver alguma (muito necessária) animação à cidade.

À entrada não se percebe bem onde acaba o hotel e começa o restaurante (ou vice versa). O lobby apresenta-se em três atos: de um lado a recepção, que também é um bar, logo em frente uma loja de produtos locais, com vinhos, queijos e loiça e ao fundo o restaurante aberto para a sala de jantar e para o jardim. Partilham o espaço por um amor comum, a cozinha, e é à volta dela que se desenrola a ação do hotel. Percebemos agora a designação de “restaurante-hotel”, por ordem cronológica. Há 31 quartos, uma piscina exterior com camas de sol e uma esplanada, que também é um prolongamento do restaurante.

A missão é alimentar o convívio à mesa desafiando os hóspedes a meter a mão na massa. É, por isso, perfeitamente possível que o que se julgava um fim de semana calmo no Alentejo acabe subitamente por se transformar numa experiência gastronómica que começa atrás do balcão e termina… bom, pode terminar onde começou, tanto quanto à mesa, a dois, como entre amigos ou com a família. A filosofia do hotel, apostada nas vertentes Cooking and Nature, junta a cultura e tradição locais ao convívio à mesa e convida os hóspedes-potenciais-chefes-em-ascensão a participarem de todo o processo, desde a visita matinal ao mercado, a colheita de ervas frescas no jardim de aromáticas do hotel ou, por exemplo, na recriação de alguns dos pratos do À Terra, o restaurante onde o Chefe Diogo Águas faz acontecer uma carta de elogio aos produtos locais e tempero alentejano numa versão mais criativa e arrojada. Os produtos são sempre os da época e por isso a ementa vai variando ao sabor das estações. No verão, depois de um dia de praia (estamos a 15 minutos das praias da Costa Vicentina), o jantar é servido no jardim à volta de um grelhador Josper de onde vão saindo em catadupa vários cortes de porco preto para acompanhar com as saladas de época e batata doce.

No lobby vão sendo anunciados os workshops de cozinha, mas o sistema não é rigoroso. Pode acontecer que surja uma ideia ao pequeno almoço e que ganhe forma logo a seguir. Ou seja, não é de estranhar que enquanto a sala se começa a vestir para o almoço esteja a esfarelar pão rijo, a cortar cebola e alho e a picar coentros para fazer uma açorda - que provavelmente será o próprio almoço dos aprendizes e do staff. Para os miúdos, o workshop de pizza artesanal é sucesso garantido, mesmo que alguns se escapem para a “cozinha das máquinas” e prefiram ajudar com a sopa. No caso de gostar muito de comer mas não se emocionar particularmente com a ideia de sujar as mãos, há sempre a opção de ficar à mesa, a uma distância de segurança razoável, a ver acontecer… e a comer, confortavelmente.

Fica o convite: no dia 9 de dezembro, os Chefes Diogo Águas e Filipe Ramalho juntam-se pelos sabores alentejanos num jantar de degustação a quatro mãos que vem confirmar o sucesso da primeira edição da iniciativa “Alentejo à Mesa”, que teve a estreia a 2 de dezembro no Torre de Palma Wine Hotel. O valor do programa para o fim-de-semana com duas noites em quarto duplo com pequeno-almoço, jantar de degustação e cooking class com o chef: 170€ por pessoa em quarto duplo.

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