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White Exclusive Suites & Villas: branco, a terceira cor dos Açores

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Paulo Goulart Photography

Onde o Atlântico se encontra com a rocha vulcânica que desenha a costa da ilha de São Miguel, nos Açores, nasceu o White, um hotel que deve ser visitado, pelo menos, uma vez na vida.

João e Catarina Reis começaram com o bichinho da hotelaria em 2015, quando inauguraram o Santa Bárbara Eco-Resort, o primeiro alojamento de praia dos Açores apostado na sustentabilidade e debruçado sobre o mar mais procurado no arquipélago por surfistas do mundo inteiro. Em julho deste ano abriram as portas ao cantinho mais exclusivo do arquipélago: o White Exclusive Suites & Villas.


Entretanto a vida continuou a acontecer e numas férias em Santorini nasceu, quase por acaso, a ideia de comprarem o solar abandonado do outro lado da rua onde vivem, na cidade de Lagoa, em São Miguel, e transformá-lo naquilo que idealizavam ser uma versão melhorada das ilhas gregas nos Açores.

Não teriam o mar cristalino nem a as temperaturas descontroladas do Mediterrâneo como companhia, mas teriam algo que só nos Açores se podia oferecer: o oceano a encontrar-se, austero quando quer, de mansinho quando convém, com as rochas vulcânicas que desenham a costa da ilha.

Mas calma, esta história não devia ter começado assim.

A história do White Exclusive Suites & Villas, o segundo hotel do casal mais visionário do arquipélago, não se pode contar sem a referência à terceira parte envolvida: João Almeida, que no papel e oficialmente é o guest relations do hotel, mas que na prática é a melhor companhia, o melhor guia turístico, o mais fiel conhecedor dos segredos da ilha e um homem com uma paciência santa, daquela capaz de ultrapassar todos os limites razoáveis do comum mortal.

Foi ele que nos passeou pela mão, foi ele que nos levou a conhecer a ilha pelo olhos de quem lá vive, foi com ele que lanchámos na casa de chá Gorreana e foi ele que, na sua calma e boa disposição fenomenais, ficou a tomar conta dos ténis e das toalhas enquanto dávamos cabo do fato de banho a mergulhar no Parque Terra Nostra. Foi também ele que organizou aquele que terá sido, muito provavelmente, o piquenique mais memorável nas Furnas - que não teve direito a cozido, “porque isso é bom, mas é o que toda a gente faz” - com sandes de bolo lêvedo com queijo da Ilha, bolo de banana e vinho branco.

Foi ele, João Almeida, que nos abriu, pela primeira vez, a porta do White Exclusive Suites & Villas, aquele pedacinho de céu debruçado sobre o mar que, passe a redundância, é mesmo uma porta aberta para o mar.

O nome do hotel já deixa adivinhar a paleta de cores que decoram as nove suítes (desde €200) e a villa, que ainda preservam a arquitetura original da casa, com paredes de pedra em tetos em arco. Todas equipadas com kitchenette, são um bom pretexto para não querer arredar pé.

Em alternativa, o restaurante Cardume é uma boa montra dos produtos do arquipélago e serve-os à mesa em combinações improváveis e criativas, como é o caso do peixe confitado com molho de maracujá e a costeleta de acém com legumes da terra. Refeições completas e pequeno-almoço estão sempre garantidos e no White acontecem à vontade e ritmo do cliente. Não há horas marcadas e rejeitam-se correrias desnecessárias. Quando quiser, é só pedir. Na sala de jantar, no quarto ou na piscina, se for preciso (des)arruma-se a casa toda para criar ambientes exclusivos a dois ou em família.

No caso, e porque tivemos a sorte de aterrar no hotel num simpático dia de sol, o almoço que estava marcado num restaurante em Ponta Delgada ficou adiado por uma extrema preguiça e vontade de aproveitar a piscina panorâmica, que pelas 12h00 se apresentava a uns simpáticos 24 graus de temperatura. Picaram-se uns folhados de morcela com ananás, umas chamuças de tomate e queijo da Ilha, uns calamares fresquíssimos e umas bolas de gelado caseiro, cujas atenções tiveram de ser divididas com os cocktails de fruta que iam chegando à mesa. “Têm a certeza que não querem ir dar uma volta antes de almoço?”, perguntava João Almeida já com a chave do carro na mão. “Tem mesmo de ser?”. Ficámos, substituímos o almoço pelos petiscos da casa e passámos a tarde de molho. “Amanhã também é dia”. Ao lado, o mar a fazer-se forte e nós ali, de molho, a fazer piçarra às ilhas Mediterrânicas e a agradecer em segredo o olho que João e Catarina tiveram para reconhecer naquele pedacinho de terra, um miradouro para o mar.

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