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Cró Hotel Rural & Termal Spa: um oásis na Terra do Lince

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É quase território lunar aquele onde se acha o Cró Hotel Rural & Termal Spa, à beira da estrada, apenas com umas ruínas por companhia. O edifício moderno ali perdido, só pode suscitar curiosidade...

A maioria das pessoas não sabe situar o Cró no mapa, nem sequer ouviu falar de tal terra, constata-se numa breve auscultação sem quaisquer critérios científicos. Impõe-se a localização: fica na Beira Interior, no concelho do Sabugal, distrito da Guarda, junto à Serra da Malcata, naquelas que são conhecidas como Terras do Lince. Chegue-se do norte ou do sul é preciso seguir pela EN 324, onde se avista à beira da estrada, num terreno inóspito.

Para os aquistas não será tão estranho, já que as recuperadas Termas do Cró têm fama pela qualidade curativa da sua água, ideal para o tratamento de problemas musculo-esqueléticos, reumáticos, respiratórios e dermatológicos, com propriedades reconhecidas desde o século XVIII. Entre abril e dezembro, é o turismo de saúde e do bem-estar quem mais traz gente para o hotel construído de raiz, em 2015, para integrar o complexo termal.

A arquitetura do Cró Hotel Rural & Termal Spa (EN 324, km 123, Rapoula do Côa. Tel.: 271 589 000) tem laivos de traço nórdico com assinatura de Pedro Santos. Com 30 quartos modernos - 26 quartos superiores duplos ou twin, três suites júnior e uma suite deluxe -, onde predomina a madeira, com um ambiente mais escuro e iluminação reduzida a convidar ao descanso. Aos pés da cama, o chuveiro rebaixado, quase uma banheira, oferece vista para o exterior. O corredor entre os quartos mantém esse registo intimista em tom escuro que não é consensual entre os hóspedes.

No piso térreo, o Cró Restaurante aposta nos produtos da região adquiridos localmente. A carta vai buscar uma frase de Mia Couto retirada de um dos contos de O fio das Missangas: “(...) Cozinhar não é um serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros”. O amor ganha o sabor das Trufas de alheira com creme de queijo da serra, da Tábua de enchidos regionais, do Creme de castanhas com crocante de avelã, do Risotto de cogumelos selvagens, do Bacalhau lascado em cama de migas com crosta de broa, do Borreguinho na brasa ou de um Doce de requeijão com abóbora. Com a mesma dose de sentimento, há sempre a sugestão do dia, um menu composto por sopa, prato principal de carne ou peixe, sobremesa, bebida e café, que custa €14 por pessoa. Os vinhos são do Douro Superior, da Quinta do Vale d’Aldeia, na região de Mêda, a três quilómetros do Longroiva Termas & Spa, dos mesmos proprietários.

No elevador Cró Hotel Rural & Termal Spa (a partir de €58) é comum os hóspedes cruzarem-se de robe e chinelos, num vaivém entre as termas e o Spa. Se na primeira precisa de prescrição médica com avaliação antes de iniciar os tratamentos, a segunda pede apenas vontade e permitir-se relaxar entre a piscina lúdica, com circuitos de jactos, as massagens e os cuidados de rosto ou corpo.

Se a ideia for partir à descoberta da região, a partir do hotel tem alguns tesouros a conhecer: o castelo das cinco quinas do Sabugal, onde se diz que aconteceu o Milagre das Rosas pela Rainha Santa Isabel, a reserva natural da Serra da Malcata que andou nas bocas do mundo aquando da campanha “Salvem o lince da serra da Malcata”, a rede das aldeias históricas onde se evocam memórias do tempo do contrabando, as rotas do Vale do Côa para caminhantes intrépidos, o rio Côa e as suas praias fluviais, como a de Rapoula do Côa, as sardinhas de Trancoso, uma receita oriunda do Convento de Santa Clara... E assim se percorre o mapa enquanto se descobre a região com o tanto que tem para oferecer.

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