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Curia Palace Hotel: voltar onde já se foi feliz

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Tem um porte majestoso que impressiona ao primeiro olhar. De portas abertas desde 1926, o Curia Palace Hotel convida a uma viagem no tempo. E se for caso de brindar, que seja com o vinho da casa a completar um século de história

À cautela, é melhor deixar o aviso: não se pode esperar contemporaneidade neste hotel-palácio. Apesar das obras profundas que sofreu em 2008, sente-se o peso do tempo. Mas, pela afluência, há um público revivalista que gosta de voltar aos lugares onde já foi feliz, ano após ano. E é impossível ficar indiferente ao facto deste hotel ser um museu vivo, em que a arquitetura e o design são o retrato de uma época.

Norte Júnior foi um dos nomes maiores da arquitetura portuguesa - são de sua autoria edifícios emblemáticos como a Casa-Museu Anastácio Gonçalves (1905), a Voz do Operário (1913) ou o café A Brasileira (1922), todos em Lisboa. Os trabalhos de cantaria e estuque, os ferros forjados, os vitrais, a escadaria em caracol, o elevador de madeira – que diz-se que foi enviado para a Coreia por engano pela semelhança do nome –, a varanda no piso superior, como o deck de um navio, são elementos decorativos que tornaram o Curia Palace Hotel (Avenida dos Plátanos, Curia. Tel. 231 510 300) um exemplo singular de requinte.

Atente-se aos serviços disponibilizados pelo hotel na época: central telefónica, barbeiro, manicure, capela, campos de jogos, piscina de dimensão olímpica - Piscina Paraíso, inaugurada em 1934, seria a segunda do género depois da do Sport Algés e Dafundo e ainda tinha a grande novidade de proporcionar aulas de natação aos hóspedes -, campo de ténis, jardins, amplos salões de leitura, de chá, de jantar para 600 pessoas e de baile. Eram famosas as soirées dançantes, com a “piscina-praia feericamente iluminada”, a que se juntavam concursos de vestidos de chita e jogos florais (concursos poéticos). Era uma animação.

A maior das virtudes do grupo Alexandre de Almeida foi ter preservado o espólio que tão bem evoca a década de vinte do século passado. Com o passar dos anos foram-se sucedendo os melhoramentos, em que talvez o mais bem conseguido seja a infraestrutura do Spa, com piscina interior, jacuzzi e salas de massagens e tratamentos. É preciso ir além do corredor, para encontrar um espaço moderno e aprazível dedicado ao bem-estar fazendo jus à fama das propriedades curativas dos banhos da Curia. Os 100 quartos são confortáveis e espaçosos.

O restaurante Belle Époque, no primeiro piso, junta os sabores tradicionais aos vinhos da região, com destaque para os do Buçaco, a partir de castas da Bairrada e do Dão, produção da casa, desde 1917, para serem servido nos restaurantes dos hotéis do grupo, mais um século de história a acrescentar ao seu vasto património. Também tem o seu mel produzido na Mata Nacional do Buçaco às mãos de um funcionário do hotel.

O salão de baile – que mantém a bola de espelhos e os focos de luz oriundos de Chicago, o mais moderno na altura, e que ainda funcionam – continua a ser o preferido dos noivos ou não fosse este um cenário de conto de fadas. E tal cereja no topo do bolo, nem sequer falta o cisne branco no lago em frente.

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