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Casas do Côro: O turismo de habitação que pôs Marialva no mapa

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Casas do Côro, Marialva

Lissette Goncalves Contam'estorias

Passaram 17 anos desde que Paulo Romão começou a reconstruir as casas da aldeia. Sempre a reinventar-se, o projeto hoteleiro é um oásis numa região que luta contra a desertificação.

Quem visitou a tímida Marialva, no distrito da Guarda, quando as Casas do Côro surgiram reconhece o casario, os caminhos, o castelo e pouco mais. Os habitantes que antes esbugalhavam os olhos para ver quem passava, agora, acenam e entregam-se às conversas. A aldeia histórica ganhou altivez e sente-se o orgulho nos seus habitantes, por força da unidade hoteleira que cresceu ao ritmo das estações, atualmente são 12 casas, 31 quartos e ganhou mordomias, como o spa, a piscina que se estende do interior para o exterior e o restaurante. Um dos reconhecimentos nacionais, deste trabalho feito, tem sido anualmente, pelo Guia Boa Cama Boa Mesa, que na edição de 2017 voltou a distinguir este projeto com uma Chave de Ouro).

As casas, com diferentes tipologia, convidam à partilha do espaço, e se um casal encontra o local perfeito para dar azo ao romantismo, são também à medida de quem gosta de fins de semana com amigos ou em família, sem subestimar os viajantes solitários. A decoração das Casas do Côro (Largo do Coro, Marialva. Tel. Tel. 917 552 020) é distinta, entre o mobiliário moderno e peças antigas, que lhe dão caráter e deixam que cada uma tenha a sua personalidade. Confortáveis, algumas têm terraços privativos. Há ainda uma suite eco-sustentável, instalada no campo, para quem quer estar em plena comunhão com a natureza.

O spa eco friendly é uma das assinaturas de marca desta unidade de enoturismo sustentável, com facilidades que fazem inveja a muitos hotéis de cinco estrelas. A distinção começa no lounge, com 200 m2, uma sala de estar cheia de sofás, com livros, jogos de tabuleiro e uma lareira suspensa. O menu de massagens convida ao bem-estar, mas quem preferir exercitar-se primeiro pode fazê-lo dentro de água, seja passadeira, elíptica ou bicicleta, no Acqua Gym. A piscina faz a ponte entre o interior e o exterior. A sauna e o banho turco têm o enquadramento da paisagem à janela.

Cármen e Paulo Romão vivem o sonho. Tal como as Casas do Côro, a família aumentou e os cinco filhos acabam por se envolver no projeto. O segredo é estarem tão presentes e atentos a os detalhes. A forma como recebem cativa, por isso, a maioria dos hóspedes volta anualmente e vão chegando outros de todas as partes do mundo. O casal proporciona experiências, ao mesmo tempo que dão a conhecer os tesouros da Beira Interior: visitar o Museu e o Parque Arqueológico do Vale do Côa, conhecer as quintas de enoturismo do Douro, fazer um piquenique nas vinhas, descer o Douro internacional ao pôr-do-sol...

Na loja das Casas do Côro pode adquirir os vinhos, compotas, chocolates da casa, assim como tapetes e mantas e peças decorativas que espelham o espírito desta unidade turística.

Depois de um dia de passeio, o restaurante devolve o conforto que se sente quando se regressa a casa – deve reservar. É essa a sensação. Cármen tem mão para a cozinha, seguida de perto pela filha Rosarinho (top quatro, do Masterchef Júnior 2016), que se dedica aos doces, Pedro partilha o interesse do pai pelos vinhos, mas também Joana, Francisca e Rita ajudam no que for preciso. Nos dias estivais, a esplanada é prazerosa. Ao menu de degustação (entrada, sopa, prato principal e buffet de sobremesas) junte os vinhos da casa, produzidos sob a batuta dos enólogos Dirk Niepoort e Rui Madeira.

Quando chega o frio, as noites são junto à lareira numa sala com a pompa de um palácio, mas em que se cultiva um ambiente descontraído. O castelo de Marialva, mesmo ao lado, é o cartão postal de uma aldeia que voltou a estar no mapa pela arte de bem receber. O alojamento nas Casas do Côro custa entre €150 e €360.

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